<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-6659568764970523042</id><updated>2011-12-18T01:00:07.190-04:00</updated><category term='De Niro'/><category term='recomendo'/><category term='religião'/><category term='ronda crônica'/><category term='revista tá na cara'/><category term='Clive Owen'/><category term='Mariana Ximenes'/><category term='sobre política'/><category term='Dustin Hoffman'/><category term='Lamberto Maggiorani'/><category term='ateísmo'/><category term='poema'/><category term='Sean Penn'/><category term='futebol'/><category term='conto'/><category term='fotografia'/><category term='sobre livros'/><category term='venezuela'/><category term='Kubrick'/><category term='curto e grosso'/><category term='Tim Robbins'/><category term='ensaísmo infame'/><category term='Lianella Carell'/><category term='Steve Buscemi'/><category term='tarantino'/><category term='Barry Levinson'/><category term='Malcolm McDowell'/><category term='lendas urbanas'/><category term='Alfonso Cuarón'/><category term='De Sica'/><category term='Bergman'/><category term='Clint Eastwood'/><category term='Kevin Bacon'/><category term='convidados'/><category term='Bibi Andersson'/><category term='Michael Bates'/><category term='confissões'/><category term='Travolta'/><category term='Julianne Moore'/><category term='Costa-Grava'/><category term='Rubem Braga'/><category term='Michael Madsen'/><category term='reportagem'/><category term='cinema'/><category term='Tim Roth'/><category term='Harvey Keitel'/><category term='Max Von Sydow'/><category term='Michael Caine'/><category term='ciência'/><category term='Nelson Rodrigues'/><title type='text'>Girotto</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://www.angelogirotto.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Girotto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00438584781970436915</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/TKD8r7vBmEI/AAAAAAAABSI/b_tWLMT9YVU/s200/Angelo+Girotto,+por+Humberto+Sales.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>100</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6659568764970523042.post-6981800505847646552</id><published>2011-12-14T16:23:00.000-04:00</published><updated>2011-12-15T00:27:43.512-04:00</updated><title type='text'>Diploma para jornalista?</title><content type='html'>&lt;b&gt;Sobre a exigência de diploma específico para o exercício da profissão&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;i&gt;Texto para a disciplina de Emanoel Barreto, Jornalismo Impresso &lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;A exigência de diploma de curso superior específico para o exercício da profissão de jornalista mobilizou amplos setores da sociedade brasileira em torno de um debate que a princípio me pareceu exagerado. Contudo, observando atentamente o que está em jogo, podemos ver que a urgência desta questão e seu forte apelo se devem a causas objetivas claras e diretamente ligadas a interesses econômicos dos segmentos em disputa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do lado dos que saíram vitoriosos no julgamento do Supremo Tribunal Federal que anulou a exigência do diploma para jornalistas, estão as associações patronais, a exemplo da Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão) e da ANJ (Associação Nacional de Jornais).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do outro lado, liderados pela FENAJ (Federação Nacional dos Jornalistas), estão os sindicatos e associações da categoria. Embora haja exceções notáveis, ambos os segmentos estão inegavelmente unidos por maioria expressiva em torno dos distintos interesses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os empresários do setor argumentam que a exigência de curso superior específico constitui um entrave à liberdade de imprensa prevista pela Constituição de 88. seu principal argumento gira em torno da decorrente exclusão da grande maioria da população da redações de jornais e outros veículos. Para eles (segundo seu discurso), a exigência do diploma constitui uma violação à liberdade de imprensa e um atentado à democracia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A grande falácia deste argumento é desconsiderar um aspecto fundamental do sistema de comunicação contemporâneo: a extrema concentração dos principais veículos de divulgação de notícia e opinião. Este aspecto é o principal entrave para uma legítima liberdade de imprensa e democracia no meios de comunicação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A simples liberdade de publicar não constitui garantia à livre circulação de ideias, uma vez que o poderio econômico manifesto na concentração da audiência e da circulação de produtos jornalísticos nas mãos de poucas empresas exclui a opinião e os interesses da maioria da população.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A democratização dos meios de comunicação é um passo indissociável da busca por uma efetiva liberdade de imprensa. E não depende da discussão da exigência ou não de diploma para o exercício da profissão de jornalista. Pontos muitos mais relevantes estão postos: rediscussão do sistema de concessões de rádio e televisão, destinação dos recursos públicos de publicidade e o próprio sistema publicitário altamente desregulamentado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, por trás do discurso das entidades empresariais de defesa da liberdade de imprensa, o que podemos encontrar? Emergem claramente desta discussão interesses econômicos conflitantes. A exigência de diploma representaria um aumento no poder de pressão e na influência dos jornalistas na imprensa, tendo repercussão em questões objetivas como os salários. Por isso empresários são contra e trabalhadores são a favor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o debate não é feito com clareza por nenhum dos segmentos. Se de um lado empresários se dizem os defensores da liberdade de imprensa, do outro sindicatos e profissionais obscurecem seus interesses sob o argumento da exigência ética do jornalismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Argumentam que jornalistas devem possuir formação superior específica porque o exercício da profissão requer uma conduta ética que apenas na academia se pode adquirir. Segundo este argumento, noções básicas do bom jornalismo como fidelidade aos fatos, imparcialidade, clareza e objetividade – dentre outras – carecem do devido treinamento acadêmico que só um curso universitário pode suprir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para eles, a informação de qualidade é um direito público (verdade), e que só pode ser atendido se os profissionais do setor tiverem uma formação mínima (impreciso).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que os “defensores do diploma” fazem na maioria das vezes é obscurecer o debate e levá-lo para longe dos domínios da racionalidade. Analisemos alguns de seus argumentos mais frequentes. Vejamos o que diz Beth Costa, presidente da FENAJ.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;… a sociedade precisa, tem direito à informação de qualidade, ética, democrática. Informação esta que depende, também, de uma prática profissional igualmente qualificada e baseada em preceitos éticos e democráticos. E uma das formas de se preparar, de se formar jornalistas capazes a desenvolver tal prática é através de um curso superior de graduação em jornalismo. (Sítio da FENAJ)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há justeza no que diz a jornalista. A formação superior é uma das formas de se formar profissionais com a qualificação necessária para atender às exigências de um “jornalismo de qualidade”. Eu diria mais: num sentido amplo – privilegiando a regra à exceção – é a principal forma de se chegar a tal resultado. Ao menos é a única que conheço que é passiva de fomento público e controle social. Daí a restringir o exercício da profissão àqueles formados na acadêmia é uma longa história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No próprio texto em que apresenta o trecho citado, a jornalista defende que a grande restrição às liberdades de imprensa e informação são de fato ocasionadas pelas contingências objetivas da atividades jornalística e pelas decisões “político-editoriais”, não pela exigência do diploma. Concordo. E digo mais: elas prevalecem, apesar da exigência do diploma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde a idade média categorias profissionais veem na reserva de mercado uma das principais formas de fortalecer seu poder econômico. Ela aumenta o poder político da categoria, resultando em maiores rendimentos e garantias, e protege os trabalhadores “autorizados” da concorrência predatória que reduz salários, pressionando o trabalhador com a constante ameaça de desemprego.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atribuir a questões éticas a exigência de diploma é uma desonestidade intelectual que depõe diretamente contra as pretensões de tal argumento. Dotar o estudante de conhecimento sobre as implicações de seus atos e dos métodos de seu trabalho com certeza o ajudará a evitar que chegue a resultados indesejados. Contudo, o mesmo conhecimento serve de base para que um profissional dotado de “prioridades éticas” distintas produza resultados&amp;nbsp; considerados anti-éticos pela maioria de nós. O máximo que a academia pode fazer em relação à formação ética de um cidadão é ensinar-lhe o conceito. Diversas outras contingências definirão os contornos éticos de um profissional – como, por exemplo, decidir se é justo utilizar argumentos falaciosos em favor de uma causa que você acredita justa, mas para a qual não possui argumentos suficientemente fortes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas salas de aula e corredores dos cursos de jornalismo se ouvem argumentos os mais ridículos em defesa da exigência. Um deles demonstra o grande despreparo destes futuros profissionais, perguntam: então pra que estamos numa universidade? Como se a reserva de mercado fosse o único propósito de um curso universitário. Chegam a comparar o jornalismo com atividades técnicas e extremamente regulamentadas como a medicina e a engenharia, onde há procedimentos técnicos e científicos mensuráveis e indispensáveis – não liberdade de prática médica, ao menos não deveria haver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As faculdades de jornalismo têm muito o que melhorar, sobretudo por parte dos alunos, futuros profissionais, que demonstram majoritariamente profundo desprezo pelas questões teóricas essenciais da comunicação, cujo conhecimento curiosamente é a base da maioria dos argumentos pró-exigência. Isso não significa que seu papel na formação de uma prática jornalística mais qualificada deva ser desprezado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo, creio que deve haver clareza de que – se a exigência do diploma tem algo a oferecer em favor da democratização da comunicação no Brasil – sua grande contribuição está em aumentar a força dos trabalhadores na permanente queda de braço com os proprietários e seus patrões, os grandes anunciantes. Ambos os lados da disputa tentam tomar pra si a premissa da democracia liberal; ambos se apresentam como defensores dos valores liberais, da democracia, do interesse público. O que existe, contudo, é um conflito claro de interesses, onde ao final haverá vencedores e derrotados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Digo com isso que à sociedade o debate não interessa? De forma alguma. Apenas acredito que não é a questão central acerca da liberdade de imprensa e da democratização dos meios de comunicação. É sim um reivindicação justa de uma categoria, cujo fortalecimento pode somar nos esforços por objetivos mais amplos e de interesse geral. O que de negativo emana desta disputa é a propensão de ambos os lados em mascarar seus reais interesses, manipulando a opinião pública e demonstrando que quando se trata de imprensa o bom conhecimento das técnicas e métodos pode servir a qualquer propósito. Só precisa saber de que lado você luta, voluntária ou involuntariamente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6659568764970523042-6981800505847646552?l=www.angelogirotto.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.angelogirotto.com/feeds/6981800505847646552/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2011/12/diploma-para-jornalista.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/6981800505847646552'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/6981800505847646552'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2011/12/diploma-para-jornalista.html' title='Diploma para jornalista?'/><author><name>Girotto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00438584781970436915</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/TKD8r7vBmEI/AAAAAAAABSI/b_tWLMT9YVU/s200/Angelo+Girotto,+por+Humberto+Sales.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6659568764970523042.post-1981692467195318973</id><published>2011-10-16T01:15:00.001-04:00</published><updated>2011-10-16T01:22:50.205-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ronda crônica'/><title type='text'>Quem crê em bruxas e quem as queima?</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-fiGm8uNrilI/TpppkPZqRfI/AAAAAAAABWk/s16F9d9SkKQ/s1600/bruxas.jpg.png" imageanchor="1" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="226" src="http://4.bp.blogspot.com/-fiGm8uNrilI/TpppkPZqRfI/AAAAAAAABWk/s16F9d9SkKQ/s320/bruxas.jpg.png" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Primeiro arrancaram os bruxos de dentro de suas casas, sob tapas, chutes e golpes de porrete. Na rua, a multidão fez cerco e começou a atirar pedras, tocos e o que lhes viesse à mão. Sangrando, o par de bruxos implorava – artimanha ignorada pela população ensandecida e resoluta. Bastou que um primeiro bravo agisse pra que muitos o seguissem: a faconadas os bruxos foram mortos; seus corpos retalhados foram ali mesmo queimados. Homens e mulheres voltaram a suas casas e abraçaram seus filhos, cientes do dever cumprido. Era o final de novembro. Nas próximas semanas pelo menos outros 12 bruxos seriam acometidos da mesma justiça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não falamos da Espanha do século XVI, onde o sincretismo religioso era alvo do ideais purificadores da Santa Inquisição. Estes bruxos conheceram a justiça divina no Haiti, no Ano de Nosso Senhor Jesus Cristo de 2010.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo Truman Capote “de todo o Caribe o Haiti é sem dúvida o lugar mais interessante.” A religião oficial do país é o catolicismo, e nele subsiste o vodu, num sincretismo de dar orgulho a qualquer multiculturalista de corredor universitário. Capote também fala da religiosidade local: “num aparente esforço de conciliação, parte do catolicismo invadiu o vodu: uma imagem da Virgem Maria, por exemplo, ou do menino Jesus, por vezes representado por um boneco caseiro, enfeita o altar de quase todos os houngans. E a função principal do vodu não me parece diferente da função das demais religiões: invocar certos deuses e símbolos, apaziguar a pressões do mal, o homem é fraco mas Deus o protege, a magia existe no estrangeiro, os deuses a controlam, podem fazer com que a esposa de um sujeito engravide ou com que o sol torre a plantação...”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os supostos bruxos haitianos foram acusados de trazer pra sua região a epidemia de cólera que assola todo o país e já matou mais de 2 mil pessoas. Seu julgamento e execução sumários você já conheceu acima. Foram pelo menos 15 mortos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Haiti sofre com sucessivos golpes militares e guerra civil há décadas. Sofre com a miséria e a violência. Ainda foi vítima, em janeiro do ano passado, de um terremoto que alcançou magnitude de 7.3 na escala de Richter, deixando milhões de desabrigados. Foi neste contexto que o cólera proliferou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é de hoje que o misticismo e a crendice buscam personificar fenômenos naturais e punir seus invocadores, quando negativos. Se fosse pra encontrar culpados, os haitianos poderiam olhar para as gerações de governantes e capitalistas que fizeram de seu país um dos mais miseráveis do planeta; mas o misticismo é antes de mais nada apolítico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 2009, na Índia, 5 mulheres foram despidas, espancadas e forçadas a comer merda humana. Por quê? Eram bruxas. Parece que nas várias crenças, em todas as partes do planeta, há uma constante: a enorme preocupação com bruxas. E uma solução recorrente: queimá-las. Nesse pouco celebrado sincretismo, podemos ver que apesar dos séculos a Idade Média ainda vive entre nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;ilustração de Andrés Casciani &lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6659568764970523042-1981692467195318973?l=www.angelogirotto.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.angelogirotto.com/feeds/1981692467195318973/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2011/10/quem-cre-em-bruxas-e-quem-as-queima.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/1981692467195318973'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/1981692467195318973'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2011/10/quem-cre-em-bruxas-e-quem-as-queima.html' title='Quem crê em bruxas e quem as queima?'/><author><name>Girotto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00438584781970436915</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/TKD8r7vBmEI/AAAAAAAABSI/b_tWLMT9YVU/s200/Angelo+Girotto,+por+Humberto+Sales.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-fiGm8uNrilI/TpppkPZqRfI/AAAAAAAABWk/s16F9d9SkKQ/s72-c/bruxas.jpg.png' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6659568764970523042.post-8183258662547682869</id><published>2011-07-30T23:31:00.000-04:00</published><updated>2011-10-16T01:23:56.373-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ronda crônica'/><title type='text'>Diário de viagem – Portalegre</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: right;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-BoNauifTa08/TjTMkrqlhwI/AAAAAAAABWU/FS6ax69FM8o/s1600/portalegre.png" imageanchor="1" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="225" src="http://4.bp.blogspot.com/-BoNauifTa08/TjTMkrqlhwI/AAAAAAAABWU/FS6ax69FM8o/s320/portalegre.png" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Convite pra uma conversa com blogueiros na cidade de Portalegre, região serrana do estado do RN. Que diabos um mala como eu tem a dizer pra ninguém? Mas os caras são adultos; se querem que eu vá, se eu até topo ir – que seja. Afinal, era um grande amigo quem insistia há anos pra que fôssemos conhecer a região.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mulher separava a roupa, enquanto eu, os comprimidos. Flunarinazina, Diazepan, Captopril e inibidores de serotonina. Tomei um de cada com conhaque, pra aguentar o tranco da viagem – odeio viagens. Liguei pro táxi.&lt;br /&gt;Ainda na rodoviária comecei a me arrepender. Que lugar desagradável. Por sorte o ônibus chegou logo e logo partiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A viagem não foi tão ruim quanto esperava. A reserva de conhaque no bolso do casaco ajudou muito. Fiquei olhando as estrelas pela janela, tentando me orientar como os antigos. Mas as constelações pareciam que tiraram o dia pra se mover mais rápido – o céu é o limite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3h30 e o ônibus estava numa das piores estradas que já vi em minha vida, no sertão da Paraíba. Em plena escuridão, pessoas já passavam carregando leite, indo ao trabalho e levando meninos ao arrasto, talvez pra escola. Provavelmente aqueles vagabundos desocupados que recebem o Bolsa Família, como diz o pessoal da universidade. 5 e pouco desço em Riacho da Cruz, donde se divisa a serra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cabeça doía da noite sem dormir, apesar da ajuda de uns comprimidos extras e do finado conhaque – que foi mijado numa cidade de nome tão comprido que me esqueci; deus o tenha! Meu amigo e o anfitrião Edielson, que logo se tornaria outro amigo, nos esperavam. Subimos a serra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já nos primeiros quilômetros fui sentindo a camisa desgrudar do corpo, a cabeça ia ficando mais arejada à medida em que subíamos em relação ao mar. Quando chegamos, estava novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fomos hospedados numa beleza de pousada – Boa Vista, aliás, belíssima – e nos levaram pra tomar um baita café num lugar charmoso de nome apropriado: Pão Nosso. Depois fomos conhecer alguns pontos turísticos da cidade. A bica, as cachoeiras me lembraram muito das viagens que fiz a Chapada dos Guimarães, o mesmo encanto rústico, o mesmo clima agradável – parecidos, guardadas as proporções.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No almoço, fui comer no restaurante do mirante, que fica em frente à pousada – também se chama Boa Vista. Só pela paisagem valia pagar pra comer ali. Mas quando comi a famosa Surpresinha da Serra, que é a especialidade do lugar, já pensava em largar a droga do meu emprego e me mudar praquele lugarzinho esquecido e tão fantástico. Acreditam que os caras têm wi-fi em todo canto: na pousada, no restaurante, no outro onde tomamos café. E grátis. As pessoas são educadas e limpas; não jogam lixo nas ruas. Os motoristas respeitam os pedestres. Todos são corteses. Que estranho lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu amigo me arrumou uma moto e tratei logo de aprender a usá-la. A primeira coisa que fiz foi pegar aquela possante máquina de 125 cilindradas e acelerar o que pude em direção às brenhas, tomando o cuidado de sempre dobrar à direita pra saber voltar. Quando cansei, quase derrubei a moto pra tentar dar a volta; desliguei a danada, fiz a manobra e acelerei o que pude. Quase que não chegava mais à pousada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só fui me lembrar que não tomava meus seis comprimidos diários no terceiro dia. Foi assim: muito confiante, pus a mulher na garupa e acelerei; meia hora depois, vi outra moto vindo num cruzamento; pensei: freie; e acelerei. Quando fui ver minha esposa arremessada e a condutora da outra moto no chão, o coração começou a palpitar, o peito a doer – eu me sentia dentro de um banco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, gastei mais com as motos que com toda viagem. Felizmente ninguém se machucou gravemente. Logo depois me pus diante da seguinte situação: ir embora com medo de moto ou encarar a morte? Peguei a moto do Sobrinho e atravessei a cidade. Numa reta vazia, acelerei o que pude, soltei as mãos e berrei foda-se. Como tive tempo de repor as mãos no guidão, desacelerei a moto e fiz o resto do percurso com mais cuidado que nunca. Pensei comigo: acabaram os tempos de aventura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha estadia em Portalegre passou rápido. E foi uma maravilha. Num domingo à noite, nos levaram até Riacho da Cruz pra pegarmos o ônibus de volta à Natal.&lt;br /&gt;Dentro do ônibus, a surpresa: todas as cadeiras ocupadas e umas dez pessoas em pé. Perguntei pra várias delas. Aquilo era rotina em épocas de grande fluxo. Fomos, a patroa e eu, em pé por uns 100 quilômetros, até que uma senhora lhe cedeu o lugar porque desceria na cidade a que chegávamos. Me encostei na poltrona de um cara um pouco acima do peso, com um bigode mexicano, raros fios de barba compridos, camiseta regata e bermuda de surfista. As pernas e eu tentava dividir o peso do corpo de tempo em tempo entre elas, com o apoio das costas que pressionavam a poltrona. E o ônibus sacolejava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente sinto umas catucadas nos rins. Era o sujeito do bigode. Vai descer, pensei. Ele disse: ei, dá pra se desencostar da minha cadeira. Devia ter enfiado meus dedos em suas cavidades oculares e arrancado os globos para espremê-los como pitomba até que estourassem. Mas apenas obedeci. Duas filas mais pra trás, pensava comigo: a serra foi o sonho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desci em Natal perto das 6h. Na parada de ônibus, um comerciante jogava na calçada uma água podre; pessoas dormiam nos bancos, cobertas por papelão; o mau cheiro vinha de toda parte. Uma besta parou e seu cobrador começou a berrar. Minha cabeça doía. Tomei dois de cada comprimido que tinha na bolsa e saí atrás de um copo de conhaque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color: #444444;"&gt;ilustração de Andrés Casciani &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6659568764970523042-8183258662547682869?l=www.angelogirotto.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.angelogirotto.com/feeds/8183258662547682869/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2011/07/diario-de-viagem-portalegre.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/8183258662547682869'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/8183258662547682869'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2011/07/diario-de-viagem-portalegre.html' title='Diário de viagem – Portalegre'/><author><name>Girotto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00438584781970436915</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/TKD8r7vBmEI/AAAAAAAABSI/b_tWLMT9YVU/s200/Angelo+Girotto,+por+Humberto+Sales.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-BoNauifTa08/TjTMkrqlhwI/AAAAAAAABWU/FS6ax69FM8o/s72-c/portalegre.png' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6659568764970523042.post-1213593680582972254</id><published>2011-07-22T02:04:00.002-04:00</published><updated>2011-10-16T01:25:18.147-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ronda crônica'/><title type='text'>A bailarina de Osama</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-EgggL4S1DFA/TikUDDc36XI/AAAAAAAABWQ/-GyBoqGuMjU/s1600/ACasciani-Ge%25C3%25ADsa.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="225" src="http://3.bp.blogspot.com/-EgggL4S1DFA/TikUDDc36XI/AAAAAAAABWQ/-GyBoqGuMjU/s320/ACasciani-Ge%25C3%25ADsa.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Ela pediu pra ser chamada de Olívia (o nome verdadeiro não revela, pois viu nossa revista numa relação das que o presidente Barack Obama monitora pessoalmente). Fora o nome, é tudo verdade, ela garante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olívia começou a trabalhar cedo como bailarina. Foi na profissão que conheceu e se tornou amiga de Xandi e Carla Perez, seus vizinhos num investimento imobiliário no Jardim Petrópolis. Dançou ao lado dos maiores expoentes da música festiva brasileira: Daniela Mercury, Ivete Sangalo, Babado Novo ainda antes de Cláudia Leite obter seu atual sucesso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como sua beleza e rebolado não tinham pares, viu-se logo na companhia de ilustres do cenário mundial. Assim começou seu affair com o Rolling Stone Mick Jagger. Fez turnê pelos quatro cantos do mundo e se tornou ainda mais conhecida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela faz uma pausa e pede pra irmos conversar noutro lugar – a prefeita Micarla nos vigia num banco próximo. Olho e vejo uma estudante; pela estatura bem que podia ser... Por via das dúvidas, saímos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi em sua primeira excursão pelo planeta que ela conheceu seu maior admirador, o procurado número 1 de todo canto, Osama bin Laden, que ela garante que anda por Natal e conversa com a prefeita e a governadora constantemente, sem ser incomodado pela polícia - “ele é do partido delas”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conta-me que hoje teve um incêndio na Casa Branca, mas não sabe quem ateou o fogo. Obama quase fica preso nas chamas, a CIA encobriu tudo. Ela se preocupa com a possibilidade de Obama segui-la - “ele acha que eu ajudo o bin Laden. Mas não. Ele apenas me prometeu que quando for presidente dos EUA vai me levar pra Casa Branca.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por conta dessa paranoia do presidente americano, Olívia passou maus bocados na Praia do Forte. Helicópteros das Forças Armadas estadunidenses surgiram do horizonte enquanto ela fazia uma apresentação para turistas. Correu pra água; nadaria até a praia da Redinha, onde conhecia um esconderijo usado pela governadora, mas logo viu surgir os marines. Por sorte, fantasiado de Xuxa, o ex-presidente Bush, o filho, deu-lhe uma carona Ponta Negra, onde participariam de um show.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pergunto-lhe se é feliz. Mas claro que é, afinal, eu conheço alguém que tenha uma vida mais interessante e agitada que a da natalense Olívia? Sim, ela se diz feliz e satisfeita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;ilustração de Andrés Casciani &lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6659568764970523042-1213593680582972254?l=www.angelogirotto.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.angelogirotto.com/feeds/1213593680582972254/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2011/07/bailarina-de-osama.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/1213593680582972254'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/1213593680582972254'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2011/07/bailarina-de-osama.html' title='A bailarina de Osama'/><author><name>Girotto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00438584781970436915</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/TKD8r7vBmEI/AAAAAAAABSI/b_tWLMT9YVU/s200/Angelo+Girotto,+por+Humberto+Sales.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-EgggL4S1DFA/TikUDDc36XI/AAAAAAAABWQ/-GyBoqGuMjU/s72-c/ACasciani-Ge%25C3%25ADsa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6659568764970523042.post-6478524287525826387</id><published>2011-07-05T19:25:00.001-04:00</published><updated>2011-07-05T19:46:47.933-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sobre política'/><title type='text'>Anonymous</title><content type='html'>O blogue Nerds Somos Nozes publicou o post abaixo; não tendo o que tirar nem pôr, publico como li. Post original &lt;a href="http://www.nerdssomosnozes.com/2011/06/anonymous-manda-um-tapa-na-cara-da-otan.html"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"A OTAN, sabe-se lá com que intuito, fez uma declaração onde  abertamente afirmou que “o grupo Anonymous é uma ameaça a sociedade  democrática e ao mundo livre”, e citou como exemplo as ações deles que  retiraram do ar sites de instituições financeiras e empresas de cartão  de crédito, como forma de apoio aos ataques ao WikiLeaks. &lt;br /&gt;Creio que vocês os conhecem o Anonymous, um grupo de hackers que ficou famoso com a chamada &lt;b&gt;&lt;a href="http://www.nerdssomosnozes.com/2010/09/operacao-vinganca-site-mpaa-fica-fora.html" target="_blank"&gt;Operação Vingança&lt;/a&gt;&lt;/b&gt;, e logo depois com ataques a sites que &lt;a href="http://www.nerdssomosnozes.com/2010/12/wikileaks-contra-o-mundo-e-algumas.html" target="_blank"&gt;fecharam contas do WikiLeaks&lt;/a&gt;. No momento o bicho tá pegando pro lado deles: a &lt;a href="http://www.gamesbrasil.com.br/conteudo.php?categoria=noticias&amp;amp;valor=tres-integrantes-do-grupo-anonymous-sao-presos-na-espanha&amp;amp;id=46751&amp;amp;cod=CON1307732019CO&amp;amp;old=0&amp;amp;nick=&amp;amp;pagina=1" target="_blank"&gt;polícia espanhola prendeu três supostos&lt;/a&gt; integrantes do grupo (inclusive um que hospedava um servidor usado em ataques de negação de serviço), enquanto o &lt;a href="http://www.gamesbrasil.com.br/conteudo.php?categoria=noticias&amp;amp;valor=policia-turca-prende-32-integrantes-do-grupo-anonymous&amp;amp;id=46817&amp;amp;cod=CON1308171580CO&amp;amp;old=&amp;amp;nick=&amp;amp;pagina=1" target="_blank"&gt;governo turco prendeu mais 32&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;Não  posso dizer que apoio os hackers, mas a resposta deles a essa  declaração da OTAN é digna de nota, o tipo de coisa que Eu queria ter  escrito (posso não ser grande coisa, mas não falo isso pra qualquer  amontoado de palavras). Leiam abaixo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;Saudações, amigos da Otan. Nós somos a Anonymous (*)&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Em  uma recente publicação, vocês destacaram o Anonymous como ameaça ao  ‘governo e ao povo’. Vocês também alegaram que sigilo é ‘um mal  necessário’ e que transparência nem sempre é o caminho certo a seguir.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;O  Anonymous gostaria de lembrá-los que o governo e o povo são, ao  contrário do que dizem os supostos fundamentos da ‘democracia’,  entidades distintas com objetivos e desejos conflitantes, às vezes. A  posição do Anonymous é a de que, quando há um conflito de interesses  entre o governo e as pessoas, é a vontade do povo que deve prevalecer.&amp;nbsp; A  única ameaça que a transparência oferece aos governos é a ameaça da  capacidade de os governos agirem de uma forma que as pessoas  discordariam, sem ter que arcar com as consequências democráticas e a  responsabilização por tal comportamento.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Seu próprio  relatório cita um perfeito exemplo disso, o ataque do Anonymous à HBGary  (empresa de tecnologia ligada ao governo norte-americano). Se a HBGary  estava agindo em nome da segurança ou do ganho militar é irrelevante –  suas ações foram ilegais e moralmente repreensíveis. O Anonymous não  aceita que o governo e/ou&amp;nbsp; os militares tenham o direito de estar acima  da lei e de usar o falso clichê da ‘segurança nacional’ para justificar  atividades ilegais e enganosas. Se o governo deve quebrar as leis, ele  deve também estar disposto a aceitar as consequências democráticas disso  nas urnas. Nós não aceitamos o atual status quo em que um governo pode  contar uma história para o povo e outra em particular. Desonestidade e  sigilo comprometem completamente o conceito de auto governo. Como as  pessoas podem julgar em quem votar se elas não estiverem completamente  conscientes de quais políticas os políticos estão realmente seguindo?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Quando  um governo é eleito, ele se diz ‘representante’ da nação que governa.  Isso significa, essencialmente, que as ações de um governo não são as  ações das pessoas do governo, mas que são ações tomadas em nome de cada  cidadão daquele país. É inaceitável uma situação em que as pessoas  estão, em muitos casos, totalmente não cientes do que está sendo dito e  feito em seu nome – por trás de portas fechadas.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Anonymous  e Wikileaks são entidades distintas. As ações do Anonymous não tiveram  ajuda nem foram requisitadas pelo WikiLeaks. No entanto, Anonymous e  WikiLeaks compartilham um atributo comum: eles não são uma ameaça a  organização alguma – a menos que tal organização esteja fazendo alguma  coisa errada e tentando fugir dela.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Nós não desejamos  ameaçar o jeito de viver de ninguém. Nós não desejamos ditar nada a  ninguém. Nós não desejamos aterrorizar qualquer nação.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Nós  apenas queremos tirar o poder investido e dá-lo de volta ao povo – que,  em uma democracia, nunca deveria ter perdido isso, em primeiro lugar.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;O  governo faz a lei. Isso não dá a eles o direito de violá-las. Se o  governo não estava fazendo nada clandestinamente ou ilegal, não haveria  nada ‘embaraçoso’ sobre as revelações do WikiLeaks, nem deveria haver um  escândalo vindo da HBGary. Os escândalos resultantes não foram um  resultado das revelações do Anonymous ou&amp;nbsp; do WikiLeaks, eles foram um  resultado do conteúdo dessas revelações. E a responsabilidade pelo  conteúdo deve recair somente na porta dos políticos que, como qualquer  entidade corrupta, ingenuinamente acreditam que estão acima da lei e que  não seriam pegos.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Muitos comentários do governo e  das empresas estão sendo dedicados a “como eles podem evitar tais  vazamentos no futuro”. Tais recomendações vão desde melhorar a  segurança, até baixar os níveis de autorização de acesso a informações;  desde de penas mais duras para os denunciantes, até a censura à  imprensa.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Nossa mensagem é simples: não mintam para o  povo e vocês não terão que se preocupar sobre suas mentiras serem  expostas. Não façam acordos corruptos que vocês não terão que se  preocupar sobre sua corrupção sendo desnudada. Não violem as regras e  vocês não terão que se preocupar com os apuros que enfrentarão por causa  disso.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Não tentem consertar suas duas caras  escondendo uma delas. Em vez disso, tentem ter só um rosto – um honesto,  aberto e democrático.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Vocês sabem que vocês não nos  temem porque somos uma ameaça para a sociedade. Vocês nos temem porque  nós somos uma ameaça à hierarquia estabelecida. O Anonymous vem provando  nos últimos que uma hierarquia não é necessária para se atingir o  progresso – talvez o que vocês realmente temam em nós seja a percepção  de sua própria irrelevância em uma era em que a dependência em vocês foi  superada. Seu verdadeiro terror não está em um coletivo de ativistas,  mas no fato de que vocês e tudo aquilo que vocês defendem, pelas  mudanças e pelo avanço da tecnologia, são, agora, necessidades  excedentes.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Finalmente, não cometam o erro de  desafiar o Anonymous. Não cometam o erro de acreditar que vocês podem  cortar a cabeça de uma cobra decapitada. Se você corta uma cabeça da  Hidra, dez outras cabeças irão crescer em seu lugar. Se você cortar um  Anon, dez outros irão se juntar a nós&amp;nbsp; por pura raiva de vocês  atropelarem que se coloca contra vocês.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Sua única  chance de enfrentar o movimento que une todos nós é aceitá-lo. Esse não é  mais o seu mundo. É nosso mundo – o mundo do povo.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Somos o Anonymous.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Somos uma legião.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Não perdoamos.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Não esquecemos.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Esperem por nós…"&lt;/i&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6659568764970523042-6478524287525826387?l=www.angelogirotto.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.angelogirotto.com/feeds/6478524287525826387/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2011/07/o-blogue-nerds-somos-nozes-publicou-o.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/6478524287525826387'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/6478524287525826387'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2011/07/o-blogue-nerds-somos-nozes-publicou-o.html' title='Anonymous'/><author><name>Girotto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00438584781970436915</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/TKD8r7vBmEI/AAAAAAAABSI/b_tWLMT9YVU/s200/Angelo+Girotto,+por+Humberto+Sales.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6659568764970523042.post-126192857592518906</id><published>2011-06-02T16:02:00.002-04:00</published><updated>2011-06-09T17:07:27.843-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='reportagem'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sobre política'/><title type='text'>Diário das ruas</title><content type='html'>&lt;i&gt;Ontem, 1º de junho, ocorreu o segundo e principal protesto do #ForaMicarla e #ForaRosalba. Pra quem não sabe do que se trata, um bom resumo é que é um movimento surgido do descontentamento da população natalense quanto à administração de sua prefeita. As redes sociais, sobretudo o Twitter, foram o meio que articulou e mobilizou esse descontentamento. A governadora, detentora de outra administração medíocre, garantiu seu espaço no escopo dos descontentes.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-ebMTM1uHwTw/TefpivPArmI/AAAAAAAABWM/JCIaU2bgX5k/s1600/311824144.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="298" src="http://3.bp.blogspot.com/-ebMTM1uHwTw/TefpivPArmI/AAAAAAAABWM/JCIaU2bgX5k/s400/311824144.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cerca de mil pessoas – sobretudo jovens e muitos trabalhadores – partiram do Largo do Machadão e começaram a ocupar as ruas, algumas das principais vias do trânsito municipal. Tambores improvisados, bandeiras improvisadas, camisetas, tinta na cara e nariz de palhaço. Faltava poucos minutos pras 19h. Abordavam motoristas, passageiros e faziam grande algazarra. Muitas e criativas palavras de ordem contra a prefeita Micarla e a favor de sua deposição se ouviam. Assim que percebiam que já haviam parado o trânsito por tempo insuficiente, partiam pra outras vias. Dessa forma o protesto paralisou todas as ruas e avenidas do entorno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A seguir, a massa se deslocou para a BR 101, primeiro na via principal, em seguida também na marginal, no sentido Zona Sul. Jovens de bicicleta e skate andavam livremente pela principal avenida da cidade, toda livre de carros. Ao chegar ao Natal Shopping, a mobilização já havia dobrado seu contingente, com rebelados tardios e adesão de populares que circulavam na região. De lá partiram pro desfecho do ato até o Praia Shopping.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;O povo aplaudia&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Protesto durou cerca de 4 horas. As naturais manifestações de descontentamento daqueles que ficaram presos no trânsito se fez ouvir, mas bem baixo. O inesperado foi que mesmo aqueles que seriam os supostos prejudicados entraram pro coro. Motoristas buzinavam em apoio, populares aplaudiam de seus ônibus, das janelas e dentro dos carros. Assim que as vias eram liberadas, os motoristas que ficaram ao menos meia hora parados partiam saudando e acenando à manifestação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num retorno da Roberto Freire, fui falar com um motorista que ficou preso no meio da passeata. Sugeri que retornasse, pois não conseguiria passar. Ele, com uma filha pequena no banco do carona, me respondeu “Tranquilo, não tem problema. Estou curtindo tudo isso.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A reação da população foi um surpreendente manifesto da força desse movimento e do imenso desgaste da administração municipal.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Tentaram melar o protesto&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Já pela manhã do dia marcado para o protesto, jornalistas financiados pelo Governo do Estado anunciavam uma briga de torcidas marcada para acontecer durante a manifestação. Adianto que sequer presenciei briga de namorados durante todo o trajeto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro fato estranho é que manifestação durante as horas em que ocupou a BR 101 foi pacífica e contou com a colaboração e inteligência da Polícia Federal. Mas nos primeiros 5 minutos em que ela esteve numa via local, a Roberto Freire, ocorreu o primeiro incidente, protagonizado pela PM de Rosalba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Truculenta e desnecessariamente, soldados da Polícia Militar de Rosalba lançaram spray de pimenta em diversos manifestantes. O vice-presidente da UMES (União Metropolitana dos Estudantes Secundaristas), Pedro Henrique, foi a principal vítima. Quando eu saía do banheiro do Nordestão de Cidade Jardim, vi Pedro correndo em minha direção, seguido de um companheiro. Seu estava vermelho e inchado, olhos lacrimejando muito; estava aflito. Não soube dizer por que fora agredido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo os manifestantes pararam e sentaram-se na rua pra discutir o incidente. Foi nesse momento que o próprio Pedro, ao megafone, declarou a todos os presentes que repetiam suas palavras para os mais distantes "A PM jogou spray de pimenta, mas não vamos cair na provocação", num flagrante registrado pelo repórter Dinarte Assunção em seu &lt;a href="http://twitpic.com/55nh1s"&gt;Twitter&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;A manifestação seguiu tranquila e coesa até seu desfecho.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;O povo se mobiliza&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Nunca fui fã de movimentos espontâneos (sem direção). Não porque os rejeite como ideia; muito pelo contrário, se tudo pudesse funcionar sem direção (diretores), melhor seria. O grande problema é que em nossa realidade a falta de direção acaba por custar aos movimentos sua perenidade e consequência. Muitos movimentos espontâneos nascem e morrem sem atingir qualquer propósito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Feita esta observação, digo que estamos diante de uma exceção bastante educativa. O atual movimento que vem tomando as ruas de Natal não possui uma direção consolidada, apesar de já apresentar destaque a certas lideranças. Contudo, parece nesse nascedouro um movimento forte e promissor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As pessoas seguiam voluntariamente aquela que parecesse a melhor direção. Em certo momentos paravam e debatiam rapidamente sobre os próximos passos. Havia uma unidade de sentimento e ação. Era uma massa bastante ciente de seus propósitos e que acrescentava uma variedade criativa e renovadora, que surgia de onde menos se esperava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É fato – e positivo – que à medida que o movimento cresça organizações e lideranças tradicionais passem a compô-lo e fortalecê-lo; e por uma dinâmica própria da imprensa, que valoriza as personalidades, assumam certo destaque à frente dum movimento essencialmente plural. Mas também é significativo que nenhum parlamentar ou detentor de cargo público tenha participado do ato. Lá esteve do começo ao fim o presidente da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil), Moacir Soares, e alguns dirigentes de partidos de esquerda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;A onda crescerá&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Não sou de dar chute no escuro; nessas circunstâncias, prefiro prender a bola. Mas posso fazer uma previsão simples e segura sobre o movimento em debate: ele – ao menos nos próximos meses – não dará sinal de cansaço; ao contrário, se fortalecerá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À medida que a passeata seguia, populares aderiam ao protesto, que começando com cerca de mil participantes, chegou em seu ápice a contar com mais de 2 mil.&lt;br /&gt;Quando os ratos saem às ruas, é sinal de que sujeira é grande. Nos últimos meses tenho visto gabirus cada vez maiores saindo dos boeiros e andando livremente pelas ruas. O lixo acumulado pela cidade – cada vez mais suja, fedorenta e barulhenta – os convida para o jantar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Natal está entregue aos ratos. Essa é a grande explicação pra esse fenômeno de massas que muitos já comparam às ondas que emergiram mundo a fora, sobretudo no Egito, como afirmavam as camisetas da UJS (União da Juventude Socialista). Como no livro de Camus, os ratos simbolizam a peste que assola a cidade – em nosso caso, a peste da má governança – e indicam a chegada do momento em que os cidadãos tem que agir coletivamente pra enfrentar o cancro e suas mazelas. Como no livro, ao final contabilizaremos heróis e bandidos. Mas certamente sobreviveremos. É nessas horas que se constrói uma cidade melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foto de Dinarte Assunção&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outros Linques:&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.dzai.com.br/diariodenatal/blog/visaopolitica?tv_pos_id=84075"&gt;Visão Política&lt;/a&gt;, de Allan Darllyson &lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.nominuto.com/multimidia/fotos/jovens-ocupam-as-ruas-de-natal-pela-segunda-vez-contra-micarla/979/"&gt;No minuto&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=6659568764970523042&amp;amp;postID=126192857592518906"&gt; &lt;/a&gt;&lt;a href="http://www.dnonline.com.br/app/outros/videos/2011/06/02/capa_videos,54/manifesto-contra-a-prefeita-micarla-de-sousa-ganha-forca-em-natal.shtml"&gt;Diário de Natal&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://tribunadonorte.com.br/noticia/protesto-reune-milhares-de-jovens-e-fecha-br-101/183648"&gt;Tribuna &lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.blogdobg.com.br/2011/06/novas-fotos-do-foramicarla/"&gt;Blog do BG&lt;/a&gt;, mais &lt;a href="http://www.blogdobg.com.br/2011/06/nem-gang-nem-mafia-por-dentro-do-foramicarla/"&gt;aqui&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://www.blogdobg.com.br/2011/06/mais-fotos-do-protesto-foramicarla/"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.nossaportalegre.com/2011/06/jovens-natalenses-vao-as-ruas-no.html"&gt;Nossa Portalegre&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6659568764970523042-126192857592518906?l=www.angelogirotto.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.angelogirotto.com/feeds/126192857592518906/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2011/06/diario-das-ruas.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/126192857592518906'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/126192857592518906'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2011/06/diario-das-ruas.html' title='Diário das ruas'/><author><name>Girotto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00438584781970436915</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/TKD8r7vBmEI/AAAAAAAABSI/b_tWLMT9YVU/s200/Angelo+Girotto,+por+Humberto+Sales.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-ebMTM1uHwTw/TefpivPArmI/AAAAAAAABWM/JCIaU2bgX5k/s72-c/311824144.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6659568764970523042.post-1746133162323691425</id><published>2011-04-21T21:01:00.002-04:00</published><updated>2011-04-21T21:01:57.883-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='curto e grosso'/><title type='text'>Encontro dos Twittieros em Pau dos Ferros</title><content type='html'>Na cidade de Pau dos Ferros e em todo o Rio Grande do Norte, o crescimento e a popularidade do Twitter aumentam a cada dia. Por aqui, muitos são os usuários dessa ferramenta: políticos, jornalistas, empresários, artistas, estudantes e o público - de uma forma geral - utilizam a ferramenta, diariamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o objetivo de promover a interação dos twitteiros de Pau dos Ferros e região, os usuários @ClariinhaMelo, @ClistenesCarlos e @RomuloRG realizarão o I TwittEncontro do Alto Oeste potiguar, no dia 23 de abril, Sábado de Aleluia, a partir do meio dia, no Buxixo Bar &amp;amp; Petiscaria. Estão todos convidados!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que é o Twittencontro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O “TwittEncontro” será uma reunião, informal, entre os usuários do Twitter da cidade de Pau dos Ferros e da região do Alto-Oeste Potiguar com o objetivo de promover a integração social e discutir os assuntos que, freqüentemente, são abordados - através dessa ferramenta - que já virou mania nacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além disso, o encontro também vai proporcionar entretenimento e diversão para todos os que se fizerem presentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Clístenes  Carlos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Colunista do jornal O Mossoroense&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Blog: www.clistenescarlos.blogspot.com&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Twitter: www.twitter.com/clistenescarlos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fone: (84) 8822-7473 (Oi) e (84) 9664-4551 (Tim)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6659568764970523042-1746133162323691425?l=www.angelogirotto.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.angelogirotto.com/feeds/1746133162323691425/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2011/04/encontro-dos-twittieros-em-pau-dos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/1746133162323691425'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/1746133162323691425'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2011/04/encontro-dos-twittieros-em-pau-dos.html' title='Encontro dos Twittieros em Pau dos Ferros'/><author><name>Girotto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00438584781970436915</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/TKD8r7vBmEI/AAAAAAAABSI/b_tWLMT9YVU/s200/Angelo+Girotto,+por+Humberto+Sales.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6659568764970523042.post-6225121837175505789</id><published>2011-04-14T12:05:00.001-04:00</published><updated>2011-04-14T12:06:05.326-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='revista tá na cara'/><title type='text'>tá na cara lança 5ª edição e comemora ampliação da distribuição com novas parcerias e diretores comerciais</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-n8bIWP7ersQ/TacbAG7-LJI/AAAAAAAABWI/9C8QLhYwBXs/s1600/TaNaCara+5+-+capa+peq.png" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://3.bp.blogspot.com/-n8bIWP7ersQ/TacbAG7-LJI/AAAAAAAABWI/9C8QLhYwBXs/s400/TaNaCara+5+-+capa+peq.png" width="362" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;A revista tá na cara é a grande novidade do cenário cultural do RN. Voltada para a divulgação do trabalho dos artistas que atuam no estado, ela se traz ensaios, artigos, reportagens, perfis e muita crônica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 2011 a revista se revitalizou, ampliou sua distribuição, consolidou sua periodicidade trimestral e chegou com força pra fazer a diferença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre seus colaboradores permanentes estão o premiado ilustrador e artista plástico argentino Andrés Casciani e o escritor e filósofo Pablo Capistrano. Ainda, a cada edição traz novos nomes já afirmados no cenário artístico e outros promissores talentos de nossa cultura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Graças a parcerias com o setor público e privado, tá na cara já ultrapassou seu limite inicial da região metropolitana de Natal e agora se afirma como realidade no Alto Oeste Potiguar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Pau dos Ferros, a comunicadora Wagna Cavalcante assumiu a direção comercial da revista no município e região, com o compromisso de difundir e consolidar a presença da publicação. A cada semana novos parceiros se somam ao projeto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Portalegre, a direção comercial está sob a responsabilidade de Erasmo Oliveira e já possuímos parceria firmada com diversas empresas que se consorciaram para divulgar a cidade através da revista tá na cara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A revista é comercializada em Natal nas livrarias Siciliano e outros 30 pontos de venda, distribuídos por toda a região metropolitana. Na região Oeste são centenas de exemplares distribuídos gratuitamente, em parceria com anunciantes e colaboradores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tá na cara surgiu como alternativa de leitura de bom gosto e opiniões modernas e inovadoras. Sua presença em todo estado se consolida a cada semana. A cultura do Rio Grande do Norte merecia essa iniciativa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6659568764970523042-6225121837175505789?l=www.angelogirotto.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.angelogirotto.com/feeds/6225121837175505789/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2011/04/revista-ta-na-cara-e-grande-novidade-do.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/6225121837175505789'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/6225121837175505789'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2011/04/revista-ta-na-cara-e-grande-novidade-do.html' title='tá na cara lança 5ª edição e comemora ampliação da distribuição com novas parcerias e diretores comerciais'/><author><name>Girotto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00438584781970436915</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/TKD8r7vBmEI/AAAAAAAABSI/b_tWLMT9YVU/s200/Angelo+Girotto,+por+Humberto+Sales.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-n8bIWP7ersQ/TacbAG7-LJI/AAAAAAAABWI/9C8QLhYwBXs/s72-c/TaNaCara+5+-+capa+peq.png' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6659568764970523042.post-4205455822738465720</id><published>2011-04-02T20:41:00.001-04:00</published><updated>2011-04-02T20:42:29.733-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ronda crônica'/><title type='text'>ET, nosso irmão</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-WE8H48ULPio/TZfBlPOtH3I/AAAAAAAABWA/uZiilXfBTFs/s1600/ACasciani-UFO1.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="281" src="http://3.bp.blogspot.com/-WE8H48ULPio/TZfBlPOtH3I/AAAAAAAABWA/uZiilXfBTFs/s400/ACasciani-UFO1.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-OiBaN_As_fQ/TZfCFrFKeFI/AAAAAAAABWE/zpCSxH1Lfts/s1600/image2993.png" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;i&gt;Ilustrações de Andrés Casciani&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;A notícia que na véspera correu o mundo dava conta de que a NASA anunciaria a descoberta de vida extraterrestre no dia 2 de dezembro último.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A busca humana por seres vivos fora da esfera terrestre remete aos primórdios de nossa espécie, quando voltamos nossos primeiros olhares ao céu e atribuímos personalidade a fenômenos cosmológicos até então inexplicáveis – lavradores, reis, ursos era o que víamos nos aglomerados de estrelas. De lá pra cá não cessamos de buscá-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda hoje muitos alimentam as crenças de nossos antepassados em eras anteriores ao telescópio, à penicilina e ao método científico; deles temos a astrologia e toda sorte de superstições. Por mais que atualmente seja difícil acreditar que Marte se trate de um guerreiro perambulando pelos céus ou que a cauda de um cometa sejam as faíscas do atrito da corrente de um gigante com o chão, muitos ainda creem que o movimento dos astros – na data de seu nascimento, por exemplo – pode determinar eventos reais em seu cotidiano e mesmo na história. Por isso, todo fim de ano, jornalistas de pouca instrução ou nenhuma boa fé enchem os noticiários com astrólogos e demais adivinhos a vaticinar sobre como será o ano vindouro. Talvez eles não tenham conhecimento da recente invenção do telescópio no século XVII.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo, por mais ignorado que seja o telescópio, de fato ele foi inventado, e seu uso mudou radicalmente nossa forma de observar o cosmos e buscar vida em sua imensidão. E foi com um instrumento destes que Percival Lowell, em fins do século XIX, observou Marte e discerniu naquilo que viu claros sinais de vida marciana. Ele julgou ter descoberto extensos canais artificiais que distribuiriam a água dos polos de Marte pelo resto de sua superfície árida, uma demonstração inquestionável da existência de inteligência naquele planeta. Mas o que ele viu não eram canais, e se há vida em Marte ainda não pudemos avistá-la, mesmo de posse de ferramentas muito mais precisas que aquela utilizada por Lowell em suas pioneiras observações.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-OiBaN_As_fQ/TZfCFrFKeFI/AAAAAAAABWE/zpCSxH1Lfts/s1600/image2993.png" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://2.bp.blogspot.com/-OiBaN_As_fQ/TZfCFrFKeFI/AAAAAAAABWE/zpCSxH1Lfts/s400/image2993.png" width="400" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pra se ter uma ideia de como evoluíram os telescópios, tomemos o exemplo do sucessor do Hubble, o supertelescópio Webb, cujo orçamento já anda na casa dos 5 bilhões de dólares. Seus espelhos serão capazes de detectar ondas infravermelhas oriundas da origem do universo, há aproximadamente 13 bilhões de anos. Atualmente sondas terrestres já pousaram em solo marciano e vasculharam com grande detalhamento outros astros próximos à Terra, como Júpiter e Saturno, e seus satélites Europa e Titã. Quando a Agência Espacial Norte-americana declarou que anunciaria a descoberta de vida alienígena, muitos acreditamos que o achado fosse fruto destas expedições, mas não era; e nem foi desta vez que firmamos contato com nossos irmãos ET's.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que foi exposto ao mundo na conferência realizada pela NASA é, contudo, não menos surpreendente: encontrou-se num lago tóxico da Califórnia uma forma de vida cujo DNA possui arsênico no lugar do fósforo. Todas as formas de vida até então conhecidas na Terra tinham base em seis elementos químicos essenciais: carbono, hidrogênio, nitrogênio, oxigênio, fósforo e enxofre. Estes se combinam de formas complexas e dão origem desde bactérias a seres com pensamento abstrato, como nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A descoberta dos cientistas da NASA amplia estupidamente o conceito de vida que temos. O arsênico é tóxico para as espécies até então conhecidas, e sua presença no DNA de um ser vivo comprova que a vida pode surgir e sobreviver em condições extremamente adversas àquelas em que nossa espécie, por exemplo, se desenvolveu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nossa busca por vida no espaço longínquo ganha agora novo fôlego. Não se trata apenas de descobrir novas formas de vida, sondamos nossas origens e as origens de nosso universo. E nessa formidável e milenar jornada de autodescobrimento acabamos de ampliar irreversivelmente nossos horizontes. Quer a vida tenha surgido uma única vez na Terra e se desenvolvido até às formas que conhecemos, quer tenha surgido sob várias formas, hoje sabemos que ela é ainda mais imponderável do que julgávamos. Se estas perspectivas contrariam nossa vaidade de sermos únicos, alenta-nos saber que provavelmente não estamos sós na imensidão do cosmos, e no dia em que de fato conhecermos pela primeira nossos irmãos ET's já não nos surpreenderemos se eles forem seres ainda mais exóticos do que o imaginado pela ficção científica.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6659568764970523042-4205455822738465720?l=www.angelogirotto.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.angelogirotto.com/feeds/4205455822738465720/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2011/04/et-nosso-irmao.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/4205455822738465720'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/4205455822738465720'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2011/04/et-nosso-irmao.html' title='ET, nosso irmão'/><author><name>Girotto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00438584781970436915</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/TKD8r7vBmEI/AAAAAAAABSI/b_tWLMT9YVU/s200/Angelo+Girotto,+por+Humberto+Sales.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-WE8H48ULPio/TZfBlPOtH3I/AAAAAAAABWA/uZiilXfBTFs/s72-c/ACasciani-UFO1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6659568764970523042.post-2658539558140825658</id><published>2011-03-03T17:59:00.002-04:00</published><updated>2011-03-03T18:10:20.337-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto'/><title type='text'>Dissolução</title><content type='html'>Em gotas grossas, a chuva revolvia do chão a poeira que tantos anos atrás ele sorvia alegremente, perseguindo como um cachorro leal o carro do pai, que partia pra mais uma viagem. Que esforço agora lhe era necessário pra que conseguisse se levantar da cadeira e cair com a cabeça e o torso pra fora da varanda. Uma vez conseguindo, com grandes dores por todo corpo, sequer tentou melhor arranjo. Como estava, apanhou um punhado de terra, ainda seca debaixo de uma espessa camada já úmida, e o levou ao nariz e à boca. A chuva engrossou e rebentou cada vez mais forte sobre seu rosto. Ouvindo os estalos da torrente, seus olhos fechados agora enxergavam novamente as pazadas de terra estourarem sobre a tampa do caixão. Era a mesma poeira que o carro levantava, a poeira que subia da cova e agora virava lama por toda sua face.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele costumava levar uma cadeira como esta que agora tem próxima aos pés ainda secos até embaixo da janela. Subia nela e ficava, todas as sextas, assim que o sol se punha, esperando seu pai retornar de suas viagens semanais. De longe, acompanhava os faróis dos carros descendo a estrada sinuosa que dava no vilarejo onde moravam. Com o tempo, aprendeu a distinguir a quilômetros os faróis de carros dos de caminhões. Todo feixe de luz que surgia da primeira curva lhe fazia palpitar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O velho, quando chegava em casa, nem sempre tinha tempo de aplacar a carência dos moleques. Ia direto se inteirar dos negócios, tomar um banho e partir pros jogos de baralho. Então ele se deitava e ficava esperando até tarde que o barulho do motor anunciasse o retorno do pai; quase sempre dormia antes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse homem de mãos lisas, que nunca viram trabalho pesado, agora se via menino, chegando, ao braço de uma tia, na venda. Logo ao lado da porta, estava o corpo coberto por um lençol; a mancha de sangue viscosa e escura, juntando moscas. Ele não acreditava que fosse seu pai. Não, papai está viajando, pensou em voz alta. Então aquele homem muito alto, gordo, afastou o lençol com suas botas de couro amarelado e ele pode ver o rosto que toda sexta aguardava na janela, contando de um a cem, de um a cem até que chegasse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dono da mercearia lhe entregou um sorvete. A calda de morango em cima parecia a noda de sangue no lençol; ele não conseguia pô-lo na boca. Acharam que o menino não queria mais comer, triste. Mas na verdade ele ainda não acreditava que o pai estava morto. Estava impressionado com a mancha de sangue e o pé esquerdo sem sapato, tão inchado; mais impressionado que realmente triste. Procurou pelo sapato que faltava e tentou calçá-lo no morto, sem sucesso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;***&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;A filha chega e vê o homem caído, metade do corpo na lama do quintal. Ela se aborrece com o pai. Como ele pode aprontar essa; poucos minutos que ficou só, já estava nesta situação. Tentou levantá-lo sem se molhar, mas foi obrigada a passar pra fora pra recolher o velho. Já estava pronta pra sair e agora seu vestido recém-passado estava pura lama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O genro chegou pra pegar sua esposa pro jantar e mal teve tempo de cumprimentá-la, pôs o velho no carro e o levou ao hospital. Lá, souberam que ele adquirira pneumonia. Jamais sairia dali.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;***&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Está num apartamento do hospital já passa de uma semana. É o segundo dia que não recebe visita, pensa. Em todos os demais dias, a filha ou comparecia ou enviava alguém pra vê-lo. Mas nesses dois últimos dias ninguém veio visitá-lo. Ele começava a duvidar que fossem mesmo apenas dois. Não tinha mais a jovem memória que decorava trechos inteiros à primeira leitura. Parecia-lhe uma eternidade o tempo que passava sem ver ninguém. De tempo em tempo uma enfermeira passava, com aquele perfume, mas não falava com ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela usava o mesmo perfume quando a conheceu. Um rabicó amarrando os cabelos ruins. Aquela cinturinha com um lacinho e saia bem curta que poucas moças então usavam. Ele força a memória, mas só vê o rosto da enfermeira.&lt;br /&gt;Nos primeiros meses lhe fez um poema por dia, depois parou e nunca mais os escreveu. Ela perguntava se já não o inspirava, questionava o que mudara. O homem não sabia. Desgostara de poesia. Às vezes estrofes inteiras lhe viam à cabeça, mas antes mesmo de escrever a primeira linha ele desistia; nada lhe parecia interessante o bastante. Também deixou de ler. Aquelas pessoas não falavam com ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos poucos deixou de frequentar seus lugares prediletos. Alguns amigos morreram, outros foram esquecidos. Aquele homem tenta se lembrar de seus últimos anos. Concentra-se num momento. Os filhos, netos, levaram um bolo pro seu aniversário. Mas não lembra de mais nada. Quem mais estava lá.&lt;br /&gt;De repente uma mulher lhe sorri, ele sabe que é sua esposa, mas está tão diferente. Em nada se parece com a mulher que está a seu lado nas fotos do casamento, que agora lhe ocorrem. É sua segunda esposa, reconhece. Mas quando?&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;***&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Num hospital dessa grande cidade que não viu crescer, o homem agora agoniza. Tenta se lembrar de como foi parar na casa da primogênita, sustentado pelo genro. Vêm-lhe à memória o dia em conheceu a mãe da menina. Aquele rabicó no cabelo, há dias pensa nele; e na cinturinha fina, na saia curta. Como ela se chamava?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem sede. E chove tão forte na janela. O cheiro da enfermeira não sai do quarto. Ele queria ser moço, por as mãos em torno da cintura dela e puxá-la pra si. Não consegue sequer andar até a janela. Ninguém aparece pra que ele pergunte qual mesmo o nome daquela moça, a do cabelo ruim. Há dias que não pensa mais em morrer. Enquanto desejava se matar, tinha um propósito. Desistiu de alcançar a parafernália que lhe mantém vivo. Não tem mais força pra repetir a façanha e outra vez se jogar embaixo da chuva. Às canadas, do lado de fora, a água dissolve a pintura das paredes, dos bancos, naquela cidade que ele não reconhece. Já nada pretende. Desistiu de viver. Desistiu de morrer. Braços cruzados, ele ouve o barulho da chuva, e não fossem as lágrimas que lhe escorrem pelo rosto, diria que nem é mais um homem. Contudo está vivo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6659568764970523042-2658539558140825658?l=www.angelogirotto.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.angelogirotto.com/feeds/2658539558140825658/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2011/03/dissolucao.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/2658539558140825658'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/2658539558140825658'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2011/03/dissolucao.html' title='Dissolução'/><author><name>Girotto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00438584781970436915</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/TKD8r7vBmEI/AAAAAAAABSI/b_tWLMT9YVU/s200/Angelo+Girotto,+por+Humberto+Sales.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6659568764970523042.post-6909982705168884637</id><published>2011-02-23T00:27:00.002-04:00</published><updated>2011-02-23T00:27:39.621-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto'/><title type='text'>Cartão Postal</title><content type='html'>Quando o alarme soou – faltavam 15 minutos pras 8 horas – e ele apagou a luminária que adormeceu ligada e recolheu o livro caído ao chão, era o primeiro dia de seu vigésimo sétimo ano. Despertou eufórico, pensou em gritar como nos desenhos animados, cumprimentando o Sol, as plantas e outros entes inanimados, saudando-os  pelo belo dia que fazia. Que claridade era aquela que entrava no quarto pelas persianas e pelo jardim de inverno! Rodrigo conteve o grito alegre que ensaiava; olhou pro lado e viu sua atraente esposa, dormindo suave, o lençol sobre seu corpo delineando belas pernas, moldando o quadril e deixando ver a pele macia e cheirosa; não gritou, deixou-a dormir mais um tanto. Foi ao banho pensando em como seria recebido no trabalho. Esperava uma grande recepção e tinha motivos pra isso. Desde que chegara a sua nova agência, ele se empenhava em anotar os aniversários dos colegas, preparar-lhes festas inesperadas e criativas, mobilizando os demais pra comprar bons presentes; acabou convidado a organizar a comissão de eventos, ficando formalmente responsável pelas celebrações. Uma semana atrás, a fim de nada deixar ao acaso, entrou no assunto de seu interesse e comentou com uma colega que pretendia tirar um dia de folga na semana, pois queria aproveitar o aniversário pra visitar parentes no interior. Três dias depois, procurou a mesma colega e confessou que seus planos de visitar os parentes teriam de ser adiados, pois, com muito trabalho acumulado, trabalharia no dia de seu aniversário. Era a senha que ele dava pra que soubessem que podiam organizar os festejos e começar a procurar pelos presentes. Que grande alegria sentiu ao sair do banho e ver que sua mulher – que fingira dormir – já estava à mesa, especialmente decorada e farta; sorrindo, ela lhe esperava com um embrulho nas mãos. Mais feliz ainda ficou ao abri-lo e ver que ela se lembrou de um comentário remoto que fizera sobre a beleza da estatueta de Chaplin em aço que viram na loja de decoração, que tão bem lhe serviria no escritório pra dar mais vida à estante de livros e discos em vinil que ainda guardava. Comeram, conversaram, riram; a mulher se levantou, foi até seu homem, passou as pernas por cima dele e levantou a saia; sem roupas íntimas que a retardassem, sem pelos que lhe escondessem a pele macia e cheirosa, desabotoou-lhe camisa e calça e ali mesmo passaram o tempo tão juntos quanto se é possível. Foram ainda juntos – embora menos – ao banho. Ele se vestiu novamente e, sorridente como quem dissesse o princípio de manhã que teve, saiu pro trabalho. No trajeto de cerca de meia hora até o trabalho, aproveitou pra ouvir o cd de Charlie Parker que comprou na véspera, num surto de ansiedade pela data iminente. Antes de descer do carro, respirou fundo; não podia entrar demonstrando toda a euforia que sentia, pois estragaria a surpresa não demonstrar-se surpreso. A passos nervosamente calculados, entrou na agência; cumprimentou os vigilantes, clientes e colegas. Chegou a sua mesa já quase incontido. Nada acontecera ainda. Olhou pra colega com quem teve a conversa na semana anterior. Seu olhar pedia um sinal, uma dica de que algo aconteceria. Mas a mulher na mesa ao lado não era grande conhecedora de olhares e – jamais confessaria – havia se esquecido por algumas horas que era aniversário do colega; nada que não pudesse disfarçar como sendo parte da encenação necessária pra garantir o suspense. Rodrigo logo entendeu que ninguém ainda lhe dera os parabéns porque queriam exatamente que ele ficasse neste estado de ansiedade e portanto ocorria tudo como planejado. Mais tarde, a colega da mesa ao lado disse-lhe com mal executada dissimulação que queria sua ajuda no fim do expediente pra levar até o carro umas caixas que estavam na copa. Ele logo entendeu o que tinham planejado, e tendo esperado uma recepção calorosa e imediata ao chegar, logo se deu por entendido de que essa era a melhor forma de fazê-lo, ao fim do expediente, com tranquilidade, quando todos poderiam lhe demonstrar afeto com maior intensidade, longe da pressão do trabalho que por fim estragaria a festa. Então, como pelas próximas 4 horas nada aconteceria, pôs-se a planejar outro evento pelo qual ansiava desde que se casara, três anos atrás; viajaria com a mulher pra Chapada dos Guimarães, que conheceram através das fotografias de um amigo. Sabia que os colegas e chefes, sabendo tratar-se de seu aniversário, teriam certa tolerância com sua dispersão durante o expediente. Até mesmo esperava uma certa admiração por ter comparecido ao trabalho em data tão especial, em consideração ao trabalho que acumulara e do qual não queria que restasse peso a dividir com os colegas, ao menos assim o dissera. Começou a calcular os custos da viagem, passagens, hospedagem, a bem falada culinária regional, presentes pros parentes e amigos. Viu que com os financiamentos da casa, do carro e os empréstimos que fez pra pagar pequenas dívidas e mobília, não poderia fazer a tão esperada viagem ainda naquele ano; mas não querendo adiar indefinidamente os planos, pegou o calendário e definiu pra dali a 2 anos a data exata de sua viagem, no primeiro sábado de janeiro de 2001, quando teria acabado de pagar o empréstimo mais oneroso. Ao chegar em casa, comunicará à mulher sua decisão e juntos concluirão o planejamento e decidirão detalhes da viagem. Mais 24 meses ele terá de esperar, mas é melhor assim, sabe, viajará com calma e conforto financeiro; e, até lá, tem ainda muitas coisas em mente que lhe tomariam tempo. Planeja construir um novo quarto pro filho que planejam ter; o que teria esta finalidade virou seu escritório. Viu ainda que, como nunca faltava trabalho e não havia objeções nesse sentido, poderia fazer ao menos uma hora-extra diariamente, assim tornando possível poupar algum dinheiro pra viagem, além de manter as contas em dia. Enquanto calculava a média do que recebera por trabalho extra no último ano, o gerente veio falar-lhe. Recomendou-lhe que deixasse tais atividades pra depois do expediente, quando seriam mais apropriadas, não havendo clientes na agência. Como sabia que ambos sabiam que depois do expediente ele estaria na festa, julgou que a atitude do chefe fazia parte da encenação já esperada; riu complacente, como quem diz É, eu, sei, até porque hoje é um dia normal como qualquer outro. Por isso, quando o chefe se afastou, ele voltou a suas considerações. Com a grande necessidade de horas-extra na agência, poderia ainda trocar de carro, adquirindo um mais potente; apesar da cidade ter poucas ladeiras, poderia ganhar bastante tempo com um veículo mais eficiente. Entre empréstimos, venda de seguros e planos, passou-se o dia, chegou a tão esperada festa. De início, achou-a menos empolgante do que esperava; os presentes talvez fossem muito improvisados. Mas logo entendeu que criara excessiva expectativa e por isso, natural que se frustrasse um pouco. Tratou de se divertir e receber abraços e felicitações. Chegou em casa exausto. Jantou, ajudou a mulher a tirar a louça e enquanto a lavavam repetiram a união improvisada da manhã, agora na pia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;***&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Acordou cedo, pois ia com a mulher retirar o carro na concessionária. Passaram o último mês analisando qual a melhor escolha. Por fim, decidiram comprar um modelo novo, desses com motor flexível, apto tanto ao consumo de gasolina quanto de álcool, o que concordava com a preocupação ecológica do casal. E afinal, ele precisava de um bom transporte, pois passava mais tempo no trânsito que antes; porque o trânsito ficara mais lento e porque agora agora fazia um MBA em gestão de empresas à noite, do outro lado da cidade e com incentivo da empresa. Ainda, sendo honesto consigo, Rodrigo admitia que precisava de um carro que estivesse de acordo com sua nova envergadura social; aos 32 anos, era um bancário respeitado, já 2 vezes promovido, preparando-se para alçar novos voos na carreira – a especialização que o diga. Inauguram o carro indo até a loja de material de construção escolher um boa cerâmica pra revestir o terreno, pois como decidiram adiar a viagem que fariam pra conhecer a Chapada dos Guimarães, teriam alguma folga no orçamento este ano; ano que vem viajariam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;***&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;De noite, depois que comeram a refeição fornecida pelo motel, ele olhou pra mulher deitada a seu lado e disse que não deveriam mais se encontrar. De fato, há semanas ele se perguntava por que começara aquela aventura. E fazia contas. Entre motéis, almoços, presentes e outras tantas coisas, já gastara uma quantia bastante expressiva com sua amante. Ademais, não era justo com sua esposa. Com esse dinheiro poderiam ter ido conhecer a Chapada dos Guimarães, mas tiveram de adiar pro ano seguinte. Ele já beirava os 41 anos, não havia justificativa pra se comportar como um adolescente incontrolável. Na mesma semana se confessaria. Fazia tempo que não frequentava a igreja, dedicado demais ao trabalho, pensava, não cuidou da vida espiritual o suficiente. Mudaria isso. Havia um colega – gerente como ele e também com promissora carreira – que já o convidara mais de uma vez a frequentar sua paróquia. Diante de seu dilema, resolveu aceitar, mesmo porque seria uma boa forma de estabelecer novas relações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;***&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Enquanto almoçava com superiores, comemorando sua recente promoção, começou a se sentir mal. Tão logo aquela importante ocasião teve fim, dirigiu-se ao hospital, já bastante cansado pelo que tivera de suportar nas últimas 2 horas. No meio do caminho, não mais resistindo, Rodrigo abriu com dificuldade a janela de seu novo carro e gritou por ajuda, que logo veio. 10 minutos após ouvir os gritos de Rodrigo, o motociclista que correu em seu auxílio chegava ao pronto-socorro do hospital dirigindo o carro cujo dono já estava morto, aos 45 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;***&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Isabela ficou sabendo da morte do marido pelo motociclista. Recebeu um bom seguro de vida, a aposentadoria e um satisfatório complemento da previdência privada. Após honrar-lhe as dívidas, sobraria ainda dinheiro bastante pra realizar a viagem à Chapada dos Guimarães que com Rodrigo nunca chegou a fazer. Mas ela também não a fará, agora que está só. Na verdade, por toda vida que ainda lhe resta, Isabela virará a cara sempre que se defrontar com qualquer foto que traga a mais inocente imagem de uma cachoeira; pensa em doar o dinheiro à igreja.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6659568764970523042-6909982705168884637?l=www.angelogirotto.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.angelogirotto.com/feeds/6909982705168884637/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2011/02/cartao-postal.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/6909982705168884637'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/6909982705168884637'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2011/02/cartao-postal.html' title='Cartão Postal'/><author><name>Girotto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00438584781970436915</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/TKD8r7vBmEI/AAAAAAAABSI/b_tWLMT9YVU/s200/Angelo+Girotto,+por+Humberto+Sales.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6659568764970523042.post-1962199264440494840</id><published>2011-02-17T20:51:00.003-04:00</published><updated>2011-02-18T20:53:14.915-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto'/><title type='text'>De sexta pra sábado</title><content type='html'>&lt;span style="font-size: small;"&gt;Acordar a esta hora não é novidade pra ninguém. Foi-se o tempo em que tomar o café às 14 ou 15 horas era motivo de orgulho ao notívago. Nada de orgulho, nem mesmo a dor de cabeça horrenda; as coisas estão cada vez mais parecidas com aquilo que são, bobagens. E a dor de cabeça podia ter sido evitada. Assim como esta ansiedade que me faz tremer a colher dentro da xícara. Onde fui meter meu pau?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Quando saí do trabalho ontem estava com aquela sensação cada dia mais&lt;/span&gt; banal de que a vida passa e amanhã tem mais do mesmo. A gente se acostuma com cada coisa. Pensei em ligar pruns caras, ter uma conversa afetada sobre literatura e me sentir importante ou encher a cara e me sentir importante. Não liguei pra ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade liguei. Primeiro pra uma moça que conheci semanas atrás – peguei seu número e me senti importante, um Don Juan de pastelaria. Trabalharia no outro dia, hoje, deve estar lá agora, a vagabunda. Ainda liguei pra menina da lanchonete e pruma vizinha. Nada, nada. Fui encher a cara, sozinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou fraco demais com bebida e sendo honesto nem gosto. Depois de uns primeiros momentos de autoconfiança e entusiasmo fica tudo na mesma, exceto o raciocínio, ainda mais inútil. Contudo, bebo e torno a beber. Talvez não tenha nada melhor pra fazer. Tomei umas duas garrafas antes começar a perseguição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comecei de forma discreta. Olhava pra mesa dela, esperava que me notasse e virava o rosto dissimulando desinteresse. Onde aprendi a ser ridículo assim nem sei, mas quando começo vou longe. Não dava resultado e umas duas garrafas a mais eu já estava bem mais a vontade e confiante do que deve um semi-anão careca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A confiança surge em mim como uma percepção de que todos estão pensando, sentindo e desejando aquilo eu penso sinto e por aí vai. Por isso tive certeza que ela fingia me ignorar, mas desejava foder comigo. Com calculado descuido, joguei um dos braço por trás da cadeira e com a mão restante comecei a mexer no pau.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não mexia pra me saciar, apenas o suficiente pra que ela percebesse que eu estava pronto, que queria fodê-la. Levou pouco tempo pra que ela se levantasse, pagasse a conta e saísse pela rua. Gastei um tempo e fiz o mesmo. Mas mal pude vê-la dobrando a primeira esquina tive de parar porque me chamavam uns caras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Baixinho. Ei tarado duma figa, espera aí.” Já estava tão bêbado quanto aqueles caras, mas ainda pensava. Era óbvio que observaram a cena e julgaram que saí atrás de molestar a moça. O que não tive argúcia de perceber é que talvez ela tivesse pensado o mesmo e saído do bar pra fugir de mim. Será?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava começando a me preocupar seriamente com a possível rejeição quando o primeiro murro me impôs prioridades mais sérias. Corri desabalada carreira. Quando umas três quadras à frente, principiando cãibras e sem fôlego pra mais nada, resolvi me entregar à turba sanhenta, vi que não era mais seguido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora precisava encontrar outro bar, mas tive medo ficar nos da avenida principal. Os bons rapazes poderiam me ver quando estivessem voltando pra casa, ainda mais bêbados e heroicos. Entrei na rua adjacente mais movimentada que achei. Ali tentei ser mais discreto. Estava mesmo precisando meter o pau em qualquer buraco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pra meu alívio, ali se encontravam uma meia dúzia de mulheres feias mas comíveis àquela altura. Sentei-me na mesa mais próxima e observei discretamente a movimentação de machos pela mesa delas. Logo percebi que seria mais difícil comer uma daquelas bruacas que arrumar coisa melhor por aí. A escassez faz dessas com as feias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não me aguentava mais. Fui ao banheiro ver se batia uma bem rápido. O cheiro de bosta era insuportável e nem com muito esforço pude imaginar que fosse um cuzinho razoável, um pouco sujo, digamos. O cacete não queria mais ficar duro e pra melhorar a situação algum puto tentava abrir a porta. Não podia cagar outra hora?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saí frustrado. Sentei e tentei perceber em algum olhar irônico ou em comentários atravessados se repararam no que eu intentara. Mas é muito difícil ter certeza destas coisas, a menos que desejem que você tenha certeza, o que não era o caso. Melhor assim. Bebi o que restava. Paguei à porra garçom e caí fora de lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já passava da meia-noite. Resolvi vagar pela avenida principal, na aposta que aparecesse algo. Nunca havia visto tanta gente melindrosa e tanto viado juntos na vida. De trecho em trecho, um poste de iluminação quebrado dava aquele alívio quando deixado pra trás. E logo vinham outros tantos metro de penumbra. Olhar prum lado, pro outro, respirar fundo e meter a cara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No meio daquela sujeira, um anjo. Muito nova pra estar ali fazendo programa, pensei. Mas o que mais faria ali àquela hora? Fiquei com medo que fosse menor, chave de cadeia. Pra quem há pouco quase fora espancado como se fosse um estuprador, não seria bom negócio. Mas ela era muito linda, se fosse menor poderia comer por ali mesmo, numa daquelas ruas sujas. Pronto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aproximei-me com a discrição que pude, não queria assustá-la. Que perfume usava! Tão lindinha e cheirosa. Imaginei que bela buceta devia ter. Se estivesse raspadinha seria capaz de chupá-la. Uma voz delicada e macia, cedeu fácil à aproximação. Meti-lhe a língua na boca. Só pensava naquela bucetinha lisinha, safada. Enviei a mão pela saia. Caralho! A porra dum caralho maior que o meu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estuprador, tarado, vá lá. Agora, viado? Que porra era aquela. Era tão lindinha, o cara. Caí fora. Tava em vias de bater uma num daqueles becos e voltar pra casa. Uma mulher estragada parou um pouco de fumar sua pedra numa lata de Skol e perguntou se eu queria uma chupada. E eu queria, talvez nunca quisera tanto uma chupada na vida. E por cinco pilas? Chupa, querida, chupa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fomos pra trás de um caminhão na viela transversal próxima à linha do trem. Havia um poste de iluminação bem em cima da gente. Pude ver as feridas por todo seu corpo. A boca que ela me oferecia era pontilhada por uma substância branca indefinível. Como seria capaz de por meu pau ali? Quis me beijar. “Sejamos profissionais, querida.” Ela riu. “Olha, bata uma e lhe pago 10.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela tinha jeito com a coisa. Será que era a porra dum traveco punheteiro também? Não. Sem chance. Nunca vi traveco tão acabado assim. Era mulher mesmo. Batia com força e sacudia o corpo todo enquanto trabalhava. Era magra, magra. Tentou chupar, mas a segurei pelo cabelo. A coisa melhorava. Começou a esfregar o pau nas pernas. Afastou a calcinha e empurrei com força. Meus Deus!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como pude por meu pau naquilo? Serão semanas desgraçadas até passar a janela, fazer os exames, esperar os resultados. Aquelas feridas, ao menos não tive pesadelos com elas. Quero voltar a dormir. De preferência só acordar quando tiver esquecido. Devia ter ficado com o travequinho, tão lindo. Se escapar dessa, corto o pau fora. Meu Deus! Onde fui meter meu pau?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6659568764970523042-1962199264440494840?l=www.angelogirotto.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.angelogirotto.com/feeds/1962199264440494840/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2011/02/de-sexta-pra-sabado.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/1962199264440494840'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/1962199264440494840'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2011/02/de-sexta-pra-sabado.html' title='De sexta pra sábado'/><author><name>Girotto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00438584781970436915</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/TKD8r7vBmEI/AAAAAAAABSI/b_tWLMT9YVU/s200/Angelo+Girotto,+por+Humberto+Sales.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6659568764970523042.post-2050549468433107201</id><published>2011-02-10T20:22:00.002-04:00</published><updated>2011-02-10T20:26:26.636-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='revista tá na cara'/><title type='text'>tá na cara 4 pra baixar</title><content type='html'>&lt;span style="font-size: large;"&gt;Baixe agora mesmo a 4ª da revista tá na cara em PDF, clicando &lt;a href="http://www.angelogirotto.com/p/revista-ta-na-cara.html"&gt;aqui&lt;/a&gt;. É grátis, rápido e nem dói.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-XyXD2R-A9Hg/TVR_3KhGKFI/AAAAAAAABTw/-ooj_wwRMTw/s320/tanacara+4+%252820x22%2529-capa+2.png" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://2.bp.blogspot.com/-XyXD2R-A9Hg/TVR_3KhGKFI/AAAAAAAABTw/-ooj_wwRMTw/s400/tanacara+4+%252820x22%2529-capa+2.png" width="363" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6659568764970523042-2050549468433107201?l=www.angelogirotto.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.angelogirotto.com/feeds/2050549468433107201/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2011/02/ta-na-cara-4-pra-baixar.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/2050549468433107201'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/2050549468433107201'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2011/02/ta-na-cara-4-pra-baixar.html' title='tá na cara 4 pra baixar'/><author><name>Girotto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00438584781970436915</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/TKD8r7vBmEI/AAAAAAAABSI/b_tWLMT9YVU/s200/Angelo+Girotto,+por+Humberto+Sales.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-XyXD2R-A9Hg/TVR_3KhGKFI/AAAAAAAABTw/-ooj_wwRMTw/s72-c/tanacara+4+%252820x22%2529-capa+2.png' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6659568764970523042.post-1005485556215772350</id><published>2011-02-02T13:32:00.000-04:00</published><updated>2011-02-02T13:32:09.386-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='revista tá na cara'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='curto e grosso'/><title type='text'>tá na cara repercute no Oeste Potiguar</title><content type='html'>Em breve publicarei a prévia de meu diário de viagem à Portalegre RN, que realizei na última semana. Por hora, deixo o link dos blogues locais que além de darem grande destaque à revista tá na cara dão um show na divulgação dos temas de interesse da população local.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://www.equipedabeka.com/"&gt;&lt;img border="0" height="103" src="http://2.bp.blogspot.com/_mA1EOcjIG74/TULvZpbhwnI/AAAAAAAAAJ0/ARK38N1VpG0/s320/Logo+Blog.png" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://fanaticosporportalegre.blogspot.com/"&gt;&lt;img border="0" height="57" src="http://2.bp.blogspot.com/_mA1EOcjIG74/TULu8dVZqlI/AAAAAAAAAJc/Rg4Mw2BHF-c/s320/Fanticos+por+portalegre.png" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_mA1EOcjIG74/TULu_3GKb3I/AAAAAAAAAJg/d8TMqxqQE7U/s1600/jornal+de+portalegre.png" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://www.jornaldeportalegre.br21.com/"&gt;&lt;img border="0" height="35" src="http://2.bp.blogspot.com/_mA1EOcjIG74/TULu_3GKb3I/AAAAAAAAAJg/d8TMqxqQE7U/s320/jornal+de+portalegre.png" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://lavandoalouca.blogspot.com/"&gt;&lt;img border="0" height="91" src="http://2.bp.blogspot.com/_mA1EOcjIG74/TULu71ksCAI/AAAAAAAAAJY/jSY76zrebJM/s320/Blog+LL+nome+1.png" width="320" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://www.naserradeportalegre.blogspot.com/"&gt;&lt;img border="0" height="117" src="http://2.bp.blogspot.com/_mA1EOcjIG74/TULvEX0DFjI/AAAAAAAAAJk/1dwDFposWNE/s320/Na+serra+de+Portalegre.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://www.blogger.com/goog_190527490"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://nossaportalegre.blogspot.com/"&gt;&lt;img border="0" height="93" src="http://3.bp.blogspot.com/_mA1EOcjIG74/TULvIsOYyrI/AAAAAAAAAJo/FHzDctGNZ5g/s320/NOSSA+PORTALEGRE+OFICIAL.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://www.blogger.com/goog_190527497"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://www.portalegrenoticias.com/"&gt;&lt;img border="0" height="66" src="http://4.bp.blogspot.com/_mA1EOcjIG74/TULvJcT2DnI/AAAAAAAAAJs/OlrYkz9RFjg/s320/Portaleegre+noticias.png" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://rhayssadesign.blogspot.com/"&gt;&lt;img border="0" height="93" src="http://3.bp.blogspot.com/_mA1EOcjIG74/TULvUSONSfI/AAAAAAAAAJw/-BQnhXgtXd0/s320/RHAYSSA+DESIGNER+24+12+10.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://www.blogger.com/goog_190527517"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://www.portalegrern.com/" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="77" src="http://1.bp.blogspot.com/_mA1EOcjIG74/TULu62zqO0I/AAAAAAAAAJU/mFesbNpJLvk/s320/Voz+da+Serra.png" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6659568764970523042-1005485556215772350?l=www.angelogirotto.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.angelogirotto.com/feeds/1005485556215772350/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2011/02/ta-na-cara-repercute-no-oeste-potiguar.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/1005485556215772350'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/1005485556215772350'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2011/02/ta-na-cara-repercute-no-oeste-potiguar.html' title='tá na cara repercute no Oeste Potiguar'/><author><name>Girotto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00438584781970436915</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/TKD8r7vBmEI/AAAAAAAABSI/b_tWLMT9YVU/s200/Angelo+Girotto,+por+Humberto+Sales.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_mA1EOcjIG74/TULvZpbhwnI/AAAAAAAAAJ0/ARK38N1VpG0/s72-c/Logo+Blog.png' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6659568764970523042.post-6030304661739002490</id><published>2011-01-22T22:54:00.001-04:00</published><updated>2011-01-22T22:54:55.710-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ensaísmo infame'/><title type='text'>Acerca da paternidade</title><content type='html'>&lt;span style="font-size: large;"&gt;Alguém disse, algum dia, que antes de morrer todo homem deveria plantar uma árvore, escrever um livro e fazer um filho – e todos trataram de repeti-lo. Das duas primeiras obrigações vitais falaremos em outra oportunidade, ainda que sejam igualmente interessantes; agora, o que nos interessa é ter um filho, ou não tê-lo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A grande expectativa do macho viril ao procriar é trazer ao mundo um novo exemplar de si, melhorado, claro, por sua influência inspiradora; uma prova de quão longe seu sangue, sua raça, sua família ou seus genes podem ir. Portanto, um filho nasce – na cabeça do pai que o faz – não como um indivíduo, mas como um projeto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No livro de Jó, Deus lhe tira uma dúzia de filhos como teste a sua lealdade. Uma vez que Jó passa pela avaliação, Deus faz justiça lhe proporcionando outra dúzia de filhos saudáveis e aptos ao trabalho. Mas eram outros seres, os primeiros estavam irremediavelmente mortos – não sem antes sofrer dores e humilhação. Mesmo para o Pai, sábio dos sábios, os filhos não possuíam importância em si, por sua existência; seu valor se dava em função das necessidades do pai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A utilidade é o centro do desejo de paternidade; seja utilidade objetiva (força de trabalho, fortalecimento da família, pedofilia) ou subjetiva (companhia, amor incondicional, convites pra festinhas da alta sociedade e caríssimos bailes de debutante).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um pai sempre lhe dirá Você só diz isso porque não tem filho. E sempre estará certo. A paternidade afeta o discernimento e lhe compromete com uma gama de expectativas e valores sociais das quais jamais conseguirá liberdade. Tendo filho, você mesmo será parte da farsa do amor incondicional, do elo incorruptível que reveste a cultura da filiação; você se tornará parte da encenação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um pai provavelmente lhe dirá E quem estará ao seu lado na velhice, quem cuidará de você? É um raciocínio válido, ainda que utilitarista. Mas considerando que devemos admitir que da relação entre pai e filho surge um amor verdadeiro, uma ligação genuína, não me parece agradável a idéia de condicionar alguém que eu ame a tratar de minha velhice e de minhas mazelas; é de se esperar que um pai deixe o filho seguir a vida e buscar a própria felicidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essencialmente, o desejo de um pai é ter uma família em torno de si; o ideal patriarcal de nossa cultura cristã. O patriarca é presente em nosso imaginário e em nossa concepção de vida desde antes de Abraão, Ismael e Israel. Ser pai é percebido como a consolidação da vida adulta – o que torna hilária a quantidade cada vez maior de filhos criados pelos avôs, pois os pais não têm maturidade ou condições mínimas de criá-los (mas são incentivados a tê-los).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só pode ser considerada irresponsável a pessoa que aceita ter sob sua responsabilidade a vida de outra. E doentio é quem julga depender de si a continuidade da espécie, pois esta responsabilidade à espécie (leia à sociedade) cabe. A paternidade só pode ser entendida como a manifestação de uma patologia social milenar, do desespero e da irresponsabilidade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6659568764970523042-6030304661739002490?l=www.angelogirotto.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.angelogirotto.com/feeds/6030304661739002490/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2011/01/acerca-da-paternidade.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/6030304661739002490'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/6030304661739002490'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2011/01/acerca-da-paternidade.html' title='Acerca da paternidade'/><author><name>Girotto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00438584781970436915</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/TKD8r7vBmEI/AAAAAAAABSI/b_tWLMT9YVU/s200/Angelo+Girotto,+por+Humberto+Sales.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6659568764970523042.post-8555445350622516184</id><published>2011-01-18T19:41:00.001-04:00</published><updated>2011-01-18T19:43:09.008-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto'/><title type='text'>Tocando o terror</title><content type='html'>Estouram na tampa do caixão as pazadas de terra. Dentro, o pequeno corpo de Dudão se firma nas paredes por muito algodão e margaridas. Um sol desgraçado reflete nos muros caiados do cemitério, aumentando o calor e dificultando a leitura da inscrição na pequena cruz de madeira: *7/12/1988 - +26/10/2008.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carlos Eduardo fumava o segundo baseado de seu último dia de vida, um domingo quente feito o inferno. Na praça nem vizinhança nem polícia mexiam com eles, uns pintas-cocô de meia tigela; uns bostinhas de nada que passam o dia se chapando e falando besteira – se é que nomeamos fala isso que eles emitem, uns ruídos mal articulados e sem sentido, ordinária manifestação de suas presenças ordinárias; a mente livre, cara, viajando pra fora dos padrões – só.&lt;br /&gt;É dia de clássico na capital, eles vão tocar o terror.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De cima da passarela acertam com um paralelepípedo o para-brisa do carro que carrega bandeira do time rival, e disparam rumo ao estádio. Entram pulando a cerca, aproveitando o tumulto do outro lado. O fumo escondido dentro da cueca de dois dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Casa cheia. Chegam-se logo pro lado dos rapazes do bairro vizinho. Dudão vê a massa compacta, se sente anônimo em meio a multidão, corajoso que ele é; Dudão não saberia dizer o que significa anônimo – que diabos esse menino faz na escola que tá cada vez mais burro? Dudão só quer tocar o terror. Pega um sinalizador e acende. É o rei do mundo e tem uma missão: tocar o terror. Arremessa o sinalizador em direção à torcida adversária, mas o projétil mal chega às filas de baixo na arquibancada, ferindo o pessoal de sua própria torcida. A polícia chega batendo, debaixo de vaias e copos plásticos e latas de cerveja. Dudão e mais uma meia dúzia são postos pra fora. Agora é esperar o jogo acabar e ir à desforra com os putos da organizada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dudão vê no outro lado da avenida um rapaz de camiseta vermelha e pensa em tocar o terror; mede o rival dos pés à cabeça, um tanto maior que o maior de seu grupo; outros três dentro de um carro observam e veem do lado oposto da avenida Dudão e sua tropa encarando-os. Dudão olha ao lado e gesticulando com o queixo diz, só; no outro lado da rua o rapaz forte olha pra seus colegas dentro do carro e diz, só.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dudão tenta segurar o de casaco pra que seu colega lhe acerte a cara, mas recebe uma pedrada na cabeça; sai cambaio e nauseante; leva um chute nas costelas e arrasta a perna esquerda; camiseta branca agora vermelha, qual a do oponente. Foge pelas ruas adjacentes, deixando os colegas pra trás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os postes da iluminação não funcionam e a rua estreita obriga Dudão a sair do meio pra que a camionete passe, mas ela para e Dudão vê dentro do veículo quatro homens, eles saíram de casa pensando em tocar o terror. O da carabina pergunta, quem fez isso contigo, moleque, você tá todo lascado, e ouve Dudão responder, foi nada não, caí; parece desculpa de mulher quando apanha, pensa o da carabina. Deixa disso, moleque, diz o da direção, entra aí, vamos resolver esse rolo. O da carabina abre a porta e desce. Dudão sobe e parte entre dois homens; seu corpo é deixado no mangue, quis o acaso que menos de um quilômetro de sua casa. É um terror, dizem na rua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;A mãe&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, dentro do caixão, seus restos maltratados já apodrecem, lentamente, lamentados pela mãe que berra, a coitada, e faz que se joga na cova e não se joga, desmaia. Seu nome é Milurde, mas a chamaremos mesmo de mãe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando morreu o marido, a mãe não quis outro homem, razão pela qual não tem mais filho pra enterrar. Acorda não acorda, ela vê o monte de terra que já esconde o esquife, amparada pela irmã, que vê o lamentável estado da mãe de Dudão e conjetura como seria seu desempenho caso seu menino é que fosse o morto; teria saído com a mesma roupa?, pouco apropriado, é provável que causasse má impressão; repara melhor em seus trajes e por fim concorda que são suficiente sóbrios, dignos da ocasião. Achou que vinham as equipes da televisão – só veio aquele repórter de diário. Ele, o repórter, aguarda impaciente que o colega bata fotos, enquanto tenta desviar o nariz e a boca do hálito fedorento da vizinha que conta, o menino não prestava, o danado era como um filho, só trouxe sofrimento, a coitada da mãe, quase morre junto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mãe berra, meu menino, pobre do meu menino, os covardes que fizeram isso com ele, nunca fez mal a ninguém, ninguém faz nada?; entoa todo o repertório que lhe cabe. Desmaia novamente e é levada pra casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dias passam e a mãe continua sua rotina. No dia posterior à morte do marido, seu filho estranhou, pois à mesa estavam postos três pratos. Nada comentou, estranha delicadeza com a velha; achava que passaria. Nos dias seguintes foram apenas dois pratos na mesa, pois o filho caíra no mundo e voltava deus sabe quando. Referia-se ao falecido como se vivo fosse. As amigas começaram a se preocupar com sua saúde, mas por fim deixaram de lado, em tudo mais ela agia normalmente, até mesmo se recuperava da tristeza enorme que a abatera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mãe dá pouca ou nenhuma atenção aos assuntos das amigas. Quando ri, o faz sem jeito. Parece que desaprendeu a falar, sua voz vai do agudo ao grave e volta às vezes numa mesma palavra; a palavra mais simples ela pronuncia com a falta de jeito de quem enfeita, como quem use termos sobre os quais não tem segurança, aéreo na sua voz é nefelibata. Ri mais alto que deveria, fala mais alto que deveria, ri e fala de coisas insignificantes, dando-lhes grande importância. Parece que se criou numa caverna, entre bichos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às noites ela ainda prepara a janta como se o marido fosse chegar. Cuida e se arruma como se o marido fosse reparar. Mas gente, ela não vê que o marido morreu?, dizem, essa mulher está endoidando. Vai viver junto do marido, que ironia, escuta-se. As amigas acham que desta vez ela sucumbe, logo morre, a coitada. Mas a mãe vive. Agora terá também a companhia do filho – não parava em casa, o meu menino, feitinho o pai.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6659568764970523042-8555445350622516184?l=www.angelogirotto.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.angelogirotto.com/feeds/8555445350622516184/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2011/01/tocando-o-terror.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/8555445350622516184'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/8555445350622516184'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2011/01/tocando-o-terror.html' title='Tocando o terror'/><author><name>Girotto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00438584781970436915</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/TKD8r7vBmEI/AAAAAAAABSI/b_tWLMT9YVU/s200/Angelo+Girotto,+por+Humberto+Sales.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6659568764970523042.post-7218368111488318145</id><published>2010-12-13T14:27:00.000-04:00</published><updated>2010-12-13T14:27:02.684-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto'/><title type='text'>Braços fortes</title><content type='html'>É o quinto endereço de Dinha e do filho em menos de um ano. Do último foram expulsos pela prefeitura, mas normalmente são outros desabrigados que os põem pra fora. Ao menos dessa vez foi uma autoridade que nos escorraçou, não outros fudidos, mais fudidos, diz pro menino de nove anos. Dinha fora merendeira numa cidade próxima à capital, largou emprego pra cuidar de casa e ter menino; seu homem se roía só de pensar naqueles professores galanteadores ou nos alunos folgados apalpando sua mulher no colégio. (Também morre de ciúmes da atual esposa, catorze anos mais nova que Dinha.) Sequer tiveram dificuldades em viver com o novo orçamento; quem com pouco vivia, com pouco passou a viver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não foi tanto pelas surras que ela saiu de casa, muito menos pelos casos de seu homem, que eram muitos, ela sabia, e já há muito ignorava, seguindo uma das mais promissoras receitas de como perdurar num relacionamento. Nem tanto por ele ter posto uma delas dentro de sua casa, isso era de se esperar um dia. Mas lavar a roupa da desgraçada, lhe fazer comida e deixar na cama, aturar desaforo e agressão, não, não viera ao mundo pra tão obsceno papel, pensou lá com suas palavras e se foi. Levou o menino junto, certa de que assim ele corria atrás e implorava. Ainda espera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em seu novo domicílio tem espaço de sobra pra esticar o cobertor, que faz as vezes de colchão, e fazer um teto de papelão, por mais que nem precise, o próprio viaduto os protege da chuva. Frio maior não passará, uma das vantagens de ser desabrigado em terras quentes; isso e toda sorte de dermatites – mas quem disse que no frio não as há. Tantos mendigos e ladrões e toda sorte de gente se apinhando em sua última morada, ela acha estranho que aqui haja tanto espaço e que o deles seja apenas o segundo barraco a se erguer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O outro barraco – pioneiro ou restante de alguma ocupação maior? - é ocupado por Raimundo. Este nunca trabalhou, nunca teve família, nem nada. Desde que se lembra é da rua. Vive de restos dos trabalhadores e comerciantes da região.&lt;br /&gt;Ainda tem o posto policial, dois soldados de cada vez, em dois turnos diários, quatro duplas. Ou eles nos põem pra fora, ou ninguém nos pega no meio da noite, ao menos, pensa Dinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A noite foi tranquila no novo lar. Passa do meio-dia e Dinha sai com o menino pelo braço pedir alguma ajuda. Encontram uma escola bem próxima ao viaduto e lá se postam no portão. Após horas, não conseguem nada e voltam pro barraco. As poucas coisas coisas de mãe e filho estão todas remexidas; Raimundo olha de longe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi você, seu mendigo duma figa, além de fedorento, ladrão, berra Dinha. Ser chamado de ladrão não afeta Raimundo, de fato ele roubou o pouco que lhe servia dos novos vizinhos, mas fedorento não admite, se acha um homem limpo, que cheira como homem deve cheirar. Parte pra desforra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De mão aberta, acerta o ouvido de Dinha que cai levantando poeira e berrando, esperneando e puxando pra si o menino. Raimundo dá um soco no moleque que também cai, beiços inchados, sangrentos. Nisso as pessoas no passeio próximo, na parada de ônibus e os camelôs se incomodam em ver a criança envolvida no que até então era pra eles farra. Um polícia chega vagarosamente, alertado pelos berros, conversa com Raimundo, que sai de perto, vai pedir um trago no carrinho de espetinhos. Olha pra Dinha caída, calcinha a mostra, coxas nada desprezíveis, apesar do maltrato. Vê seu rosto, ela agora lhe sorri, tem quase todos os dentes e, fora umas manchas de furúnculos perto do pescoço, não é de assustar ninguém, conserva até certo encanto, uma vaga lembrança de que já foi jovem, mesmo tendo só trinta anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você e seu menino chegaram quando? Ontem, de noite, esse traste roubou nossa comida. Ela percebe que o soldado repara em suas pernas e ajeita a saia, bem devagarinho. Raimundo nunca cria problemas, espero que vocês também não, e já falei com ele, não quero quiproquó aqui, entendeu? Quió, como é? Quiproquó, é um termo, você não conhece, quer dizer confusão, não aprontem por aqui que fica tudo bem. Obrigado, senhor, meu nome é Lourdes, mas chamam Dinha. Sou Soares. Soares saiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anoiteceu. O parceiro de Soares vai dormir no posto, Dinha se aproxima. Conversam, sem beijos, viu, e repara que ninguém observa. Dinha agradecida agrada Soares na entrada do posto. Enquanto ela se esforça pra agradá-lo, a mão direita dele no pescoço dela quase completa a volta; um homem tão forte, pensa Dinha, esses vagabundos vão ver no que dá mexer comigo, e olha pra cima e vê o homenzarrão satisfeito, enche a boca, acho que gosto dele, ainda pensa. Continua, diz Soares, continua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje as coisas melhoraram um pouco. Conseguiram umas moedas e meio pacote de biscoitos. Mas voltam mais cedo, Dinha quer retribuir novamente a Soares por ter-lhe salvo daquele monstro, que não mexeu mais com eles. Soares agora só no 2º turno de amanhã, diz o soldado, com um risinho que deixa Dinha confusa e feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O barraquinho já tem as quatro paredes, teto, piso de cobertor e papelão e até uma cortina rasgada; Dinha está feliz como há anos não sentia. Pena Soares não vir, trocou turno com outro, só daqui mais dois dias, risinho de lá, risinho de cá – ela gosta de retribuir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quinto dia de casa nova. Dinha acordou feliz. Nem sai pra pedinchar, o que ganhara nos últimos dias e guardara dará pelo menos pra hoje e mais um dia. Sai atrás duma torneira onde possa se lavar, aproveita e lava também o menino. Hoje Soares vem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À noite, se aproxima do posto policial. Aqui, não, vou lá no seu barraco ver como ficou, me espera, diz Soares. Ela volta sem questionar. Mais tarde, no barraco: agora não, o menino tá acordado, diz Dinha. Melhor assim, ele aprende também, diz Soares que segura firme o pescoço da mãe enquanto com a mão esquerda puxa o menino, que não reage, vamos logo, acha que estou pedindo, experimenta não fazer. Um homem tão forte, Dinha pega a mão do menino e a conduz, Soares diz, tudo, faça tudo. Ela obedece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelos próximos dias, Dinha não procurará mais Soares, que a olha do posto às noites e dá um risinho; ela abaixa a cabeça e entra no barraco, olha o menino com desprezo; toda noite pensa em partir pela manhã e deixá-lo lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;***&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Já fazem semanas que Dinha e o filho moram nesse barraco embaixo do viaduto, próximo ao posto policial. Quando a esmola é pouca, ela recorre a eventuais serviços noturnos, também rouba algum otário mais exposto, normalmente mulheres. Voltou a agradar Soares, grata por ter proteção dos vizinhos e olhar o menino enquanto ela trabalha à noite. Já são oito, os barracos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela chega ao viaduto já passa de meia noite. O lábio inferior, no lado esquerdo, está aberto; uma ferida inchada, pouco maior que a largura de um dedo, algum sangue escorrendo e coagulando; uma boca feridenta. Conta pra Soares que se machucou com o anel dum puto, que empurrava com força pela goela e acertou-lhe a mãozada numa das estocadas. Hoje Soares pede pra ela chupar só com o outro lado da boca; isso passa, boneca, arrume um troço pra por em cima. Voltando pro barraco, pensa em quanto tempo faz que não se sentia tão alegre, talvez nunca sua vida fora tão boa, está apaixonada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando conheceu seu marido, Dinha também julgou que morria de amores, mas já nos primeiros dias de casada, menino já quase andando, viu-lhe a verdadeira face, um beberrão, preguiçoso, aprontava das suas e vinha se esconder em casa. Diga que não estou, dizia quando iam atrás dele na casa em que moravam, diga que fui pra casa dum irmão no interior. Dívida de bebida, não pagava; marido de amante, não encarava; briga de bar, não concluía. Dinha perdera a fé em seu homem. Só era macho mesmo quando chegava da rua corrido e lhe dava uma surra; ali, só ele, ela e o menino na rede, ele era valente; arrebentava com ela, que ficava com vontade de entregá-lo, mas não fazia. Mas com Soares é diferente. Poucas vezes o viu chegar bêbado e mesmo assim sempre sabendo se portar. Também sabe impor sua autoridade. Basta que fale uma vez, todos sabem que devem obedecer. Dinha gosta disso. Está apaixonada, mas não tem coragem de contar-lhe; nessa ansiedade, rememora a adolescência faceira, rejuvenesce Dinha pelo amor. Sabe que Soares não casaria com ela, mas as coisas que ele diz, certa vez disse que ela era bonita, apesar de estragada. Soares vai dobrar o turno, assim talvez ela possa falar com ele, ver o que acontece, ele até gosta do menino, às vezes acha que gosta mais do menino que dela. Daria um pai, ensinaria o moleque a ser um homem. Vai dormir pensando no dia de amanhã, amanhã ela conta, amanhã saberá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dinha sonha com Soares e roupa nova. Toma, minha nega, uns cremes de madame, agora você é a minha. Dormindo, ela procura o menino e o abraça. Acorda cedo, mal são dez horas, e sai à cata de uns trocados e algo pra comer. Quer voltar logo pra se lavar na torneira, por algo na boca e falar com Soares, desta vez à luz do dia. Passa pelo posto e dá um sorrisinho, o colega de Soares retribui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Soares e seu colega almoçam no posto policial. Dinha já se lavou, arruma-se no barraco, com pedaço de espelho quebrado. Clarice chega ao posto pra fazer uma queixa. O colega de Soares escuta; por trás dela, Soares escuta. Clarice é uma morena de pernas finas, bunda bem arrebitada e pequena, duas covinhas logo acima da cintura e uns pelinhos claros descendo pra dentro da calça justa. Foi roubada, uma moça assim e assado meteu a mão em sua bolsa, só sentiu falta do batom, mas sabe, não teve tempo de conferir tudo. O colega olha pra Soares e dá um risinho. Soares se levanta, toca leve as costas da desconhecida, diz que vai resolver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da barraca, Dinha vê Soares se aproximando, com um riso satisfeito na cara, de bom humor. Quando Soares está a poucos metros, ela lhe sorri com a boca estourando de vermelho, uma chama na tarde clara. Mal chega, Soares acerta-lhe logo o braço com o cassetete, Dinha caída ainda leva uma estocada de cassetete no rosto; quebra-lhe um dente. Não fiz nada, senhor, juro. Soares nem palavra, apenas mais um chute e um soco na boca vermelha forte, agora ainda mais vermelha, seu punho sujo de batom e sangue. Volta pro posto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Clarice está assustada, chorando diz, não precisava bater na coitada, que coisa horrível, como pode? Ele a envolve em seus braços, aperta-a contra o peito e diz, eu precisava sim, um dia ela podia fazer algo grave a você – agora estará segura. A morena soluça nos braços fortes do soldado, ele a aperta. Sua cabeça está no peito daquele homem forte, que ao mesmo tempo a abraça com tanta ternura, ela pensa, com ele estou segura. Acha que gosta dele.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6659568764970523042-7218368111488318145?l=www.angelogirotto.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.angelogirotto.com/feeds/7218368111488318145/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2010/12/bracos-fortes.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/7218368111488318145'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/7218368111488318145'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2010/12/bracos-fortes.html' title='Braços fortes'/><author><name>Girotto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00438584781970436915</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/TKD8r7vBmEI/AAAAAAAABSI/b_tWLMT9YVU/s200/Angelo+Girotto,+por+Humberto+Sales.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6659568764970523042.post-2520861957422432066</id><published>2010-09-29T17:52:00.002-04:00</published><updated>2010-09-30T13:35:48.424-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='lendas urbanas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ronda crônica'/><title type='text'>Viúva Machado</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/TKO0r6vYZgI/AAAAAAAABSk/6k4RdmQa4q0/s1600/Leyenda2.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://2.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/TKO0r6vYZgI/AAAAAAAABSk/6k4RdmQa4q0/s320/Leyenda2.jpg" width="263" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #444444; text-align: right;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="background-color: white;"&gt;ilustração de Andrés Casciani&lt;/span&gt;&lt;/i&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="color: #444444;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Manuel Machado era provavelmente o homem mais rico de Natal quando conheceu seu amor num hotel da antiga Ruas das Virgens (atual Câmara Cascudo, na Ribeira). A filha do dono, mulher de meia idade, austera e de discreta beleza, o cativou imediatamente; pouco tempo depois, estavam casados. Foram 31 anos de uma vida conjugal feliz, que não deixou rebentos. Em 1934, Manuel morreu. Foi nesse ano que sem o amado, sem filhos e já doente, Amélia Duarte – que fora feliz e amada – começou a desaparecer, para em seu lugar surgir a Viúva Machado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Manuel deixou pra sua amada esposa uma fortuna que incluía a Dispensa da Cidade e vastos terrenos; contam que uma de suas propriedades se estendia de Salinas a Macaíba. Subitamente transformada numa das pessoas mais ricas de seu tempo, Amélia – que não possuía o tino pros negócios de seu marido – viu sua riqueza lentamente encolher; lento o suficiente pra que não ameaçasse sua posição, porém. Viu ainda crescer em seus concidadãos o desconforto com seu ascendente poder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A provinciana capital do estado teve dificuldades em aceitar tamanho poder nas mãos de uma mulher, sobretudo uma mulher que não tinha suas origens nas tradicionais famílias. Amélia recebia poucas visitas e também pouco saía, por conta de sua frágil saúde. Não tinha filhos que lhe cuidassem dos negócios. E pra piorar, caíra na boca do povo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela padecia de uma doença desconhecida, que seria responsável por fazer crescerem suas orelhas, dando-lhe um aspecto estranho. As pessoas começaram a especular acerca de motivações e decorrências de seu mal. Logo surgiam boatos de que seria castigo por seus pecados obscuros, mas não se dizia ao certo que pecados eram esses; que seria pactuante de acordo demoníaco, em troca de poder e riqueza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amélia gostava muito de crianças, e não as tendo de sua prole pra mimar, supria suas carências maternais com filhos alheios. Adorava ficar com crianças de amigos e parentes. A maledicência logo tratou de se apropriar deste fato. &lt;br /&gt;Espalhava-se pela cidade que ela comia fígado de crianças pra controlar sua doença. Pelas ruas – nas poucas vezes que saía – era alvo da chacota e do medo da molecada. Sua casa – adjacente à Igreja do Rosário, na Cidade Alta – virou um local assombrado, evitado pelas crianças da região. Ressentida dos sussurros maldosos que sua presença despertava, passou a evitar completamente o convívio externo. Era cada vez mais raro quem deixasse com ela seus filhos, ou filhos que com que ela se deixassem ficar. Amélia vivia cada vez mais só.&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Viveu ainda 27 anos, apontada nas ruas e mal-falada nas casas. Sem ver nem ser vista, Amélia foi definhando em lenta e solitária agonia. Não tinha mais o tão desejado convívio com crianças. Sua riqueza, não tinha a quem deixar. Pouca vida social e pouca saúde a desfrutar. Muito antes de morrer fisicamente numa quente noite de 1961, Amélia Duarte desaparecera, encerrada em si mesma. Em seu lugar surgiu a Viúva Machado, papafigo, espectro de uma mulher assustada – que fora feliz e amada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6659568764970523042-2520861957422432066?l=www.angelogirotto.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.angelogirotto.com/feeds/2520861957422432066/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2010/09/viuva-machado.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/2520861957422432066'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/2520861957422432066'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2010/09/viuva-machado.html' title='Viúva Machado'/><author><name>Girotto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00438584781970436915</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/TKD8r7vBmEI/AAAAAAAABSI/b_tWLMT9YVU/s200/Angelo+Girotto,+por+Humberto+Sales.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/TKO0r6vYZgI/AAAAAAAABSk/6k4RdmQa4q0/s72-c/Leyenda2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6659568764970523042.post-3665137075475473506</id><published>2010-09-16T14:06:00.002-04:00</published><updated>2010-09-30T13:29:11.449-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ronda crônica'/><title type='text'>Como numa canção de roque</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/TKO2H3IAfdI/AAAAAAAABSo/P_8tudrl8lw/s1600/Punk+predicador.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://1.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/TKO2H3IAfdI/AAAAAAAABSo/P_8tudrl8lw/s320/Punk+predicador.jpg" width="226" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;i&gt;publicada originalmente em tá na cara! 4,&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;i&gt;já a venda na Livraria Siciliano do Midway Mall&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="background-color: white;"&gt;ilustração de Andrés Casciani&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;i&gt; &lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;O cara era um sujeito muito radical, na acepção mais simples da palavra. Em muitos outros aspectos era igualmente simples. Com ele era preto no branco. Era a velha e suja capa preta na pele muito branca; pele branca que ele dizia conter alma 100% negra, na rasgada camiseta preta com letras brancas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Andava sempre com meia dúzia de colegas punk's e uma ou outra moça, limpa e cheirosa. Alguns deles carregavam mochilas minuciosamente desleixadas, de marca e caras, recheadas de aparelhinhos eletrônicos de última geração, livros cheirando a novo e com bela encadernação (Bakunin, Kropotkin, Tolstói, Proudhon, Trótsky e até Marx lá estavam). Mas nosso personagem era diferente, uma espécie de franciscano do movimento punk, ele não ostentava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua atitude perante os demais era de certa condescendência. Não recriminava abertamente seu comportamento, mas não o reforçava. Falava sempre com certa tolerância, que lhe projetava charmosa superioridade moral sobre seu meio. E apesar dessa postura tranquila no debate, era contundente na hora da ação, sempre entre os primeiros na hora do vamos-ver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi assim que liderou a rebelião anarco-punk da ETFRN quando outro grupo de adolescentes desfraldou a bandeira de sua entidade estudantil dentro da escola. “É um ataque à liberdade de cada um de nós, os stalinistas querem tanger os estudantes como gado”, foi o que disse aos colegas. A bandeira foi alvejada com fétidos ovos, após longa semana de preparação. Ele passava os dias na praça da ETFRN debatendo, combatendo os pensamentos autoritários e pregando a liberdade de pensamento, de comportamento – a “liberdade incondicional”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na época – cheio de espinhas e com tantas certezas quanto nosso personagem – pouco me interessava por ele ou suas ideais. Também jamais apreciaria – como apreciei recentemente – a sugestão de um querido professor que me levou a ouvir uma banda chamada Jethro Tull. Mas com o tempo e o tédio, passei a alimentar certa simpatia por sua atitude desafiadora e seu descaramento, e também por roque. Cheguei a ter certa admiração por ele. E adorei conhecer a banda inglesa e pesquisar suas músicas no You Tube.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de anos, fiquei surpreso ao reencontrá-lo. Sua pele continua branca, mas agora bem lavada. O terno que veste é todo preto; a camisa branca, ensacada; em baixo do braço, onde desfilara Kropotkin, uma bíblia com capa de couro (ou seria agenda comercial?); riscos de suor escorrem por onde houve – há tempos – uma respeitável costeleta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Propus entrevistá-lo, mas estava com pressa e não podia falar – ou não quis. Sai em busca de informações sobre ele junto aos remanescentes de sua tribo juvenil. Mas não sabia seu nome e ninguém lembrou-se dele pela descrição que forneci. Soube de outros que entraram pra igreja e agora depõe sobre como eram escravos do diabo, promíscuos e viciados; ou agora possuem filhos, esposas e trabalho; ou  enlouqueceram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não pude ter certeza sobre qual fim foi o seu. Fiquei apenas com aquela imagem na cabeça: um homem de meia-idade, andando sofridamente sob um sol muito forte, vestindo roupas formais que só aumentavam o calor que sentia. Talvez o velho rebelde estivesse ali; havia um mal-estar em seu olhar, mas podia ser apenas o calor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto à banda (minha outra descoberta), sua melhor canção fala de um homem “velho demais para o Rock'n Roll, jovem pra morrer”. Não parei mais de pensar nela.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6659568764970523042-3665137075475473506?l=www.angelogirotto.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.angelogirotto.com/feeds/3665137075475473506/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2010/09/como-numa-cancao-de-roque.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/3665137075475473506'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/3665137075475473506'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2010/09/como-numa-cancao-de-roque.html' title='Como numa canção de roque'/><author><name>Girotto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00438584781970436915</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/TKD8r7vBmEI/AAAAAAAABSI/b_tWLMT9YVU/s200/Angelo+Girotto,+por+Humberto+Sales.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/TKO2H3IAfdI/AAAAAAAABSo/P_8tudrl8lw/s72-c/Punk+predicador.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6659568764970523042.post-8161903425651920909</id><published>2010-09-03T19:59:00.000-04:00</published><updated>2010-09-03T19:59:39.621-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto'/><title type='text'>O Patriarca</title><content type='html'>&lt;div style="color: #444444;"&gt;O amigo Otoniel Morais inaugura sua nova atividade de editor lançando a coleção &lt;b&gt;&lt;i&gt;Textos Sórdidos em Papel Sórdido&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;, da qual tenho a felicidade de ser, ao lado do colega Leon K. Nunes, o primeiro autor publicado. São 7 contos inéditos que publico neste primeiro título da série que se chama &lt;b&gt;&lt;i&gt;Contos Selecionados&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;. Na edição, acabou-se cortando da seleção o contos abaixo, que seria publicado com os demais. Assim, além de divulgar o livro com lançamento previsto pro mês que vem, deixo à mão um conto meu, inaugurando a seção respectiva neste blogue.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;b&gt;O Patriarca&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até bem pouco tempo atrás, Natal era mais semelhante a uma grande chácara que à ideia que se faz de uma capital. Pelas fotos antigas de seus principais bairros e ruas vemos a cidade pacata, provinciana e adormecida de que falam os melhores dentre seus escritores e poetas. O provincianismo tão comumente citado dessa localidade obviamente está muito mais no espírito coletivo de seus cidadãos que na arquitetura inexpressiva e enfadonha que ostenta. Pelas fotos, o máximo que podemos perceber é a tola tentativa de sofisticar o que não carece de sofisticação. Nos enfeites e decoração do comércio, nas fachadas dos prédios residenciais, na pompa mal acabada dos prédios públicos – lá se vê frações desse espírito, mas pra entendê-lo há de se ler o que escrevem aqueles a quem chamam de artistas da terra, ainda que nada saibam do ferruginoso ofício das minhocas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como muitas outras cidades de médio porte, cresceu consideravelmente nos anos do regime de exceção, sobretudo durante o chamado milagre brasileiro. Por todo país se abriam estradas e se fechavam jornais, gerava-se energia e se negava luz. Nesse período a cidade de Natal – ou do Natal, como alguns querem – cresceu, à medida em que crescia a riqueza de Everaldo de Siqueira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua primeira casa ele construiu quando do asfaltamento da rua onde herdara vasto terreno. Everaldo se mostrou muito prestativo aos trabalhadores da obra. Estacionava sua camioneta no terreno vazio e começava a desempacotar sua carga. Trazia consigo água gelada, café, eventualmente biscoitos e bolos caseiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia em que um operário teve suas pernas esmagadas por uma placa de concreto da galeria de esgoto, ele estava lá pra ajudar a resgatar o pobre coitado. Foi em sua camioneta que o acidentado chegou ao posto de atendimento médico; ainda não havia o Pronto-Socorro, que seria inaugurado apenas anos depois, quando o operário já estaria morto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em sua camioneta, ele levava o inválido pras suas muitas consultas, e utilizava dos contatos familiares pra obter rápido atendimento e exames que normalmente levava meses pra se conseguir pelas vias oficiais. Assistindo ao acidentado, tornou-se íntimo de sua família; namorou, emprenhou, casou e viu parir a primogênita do operário em menos de um ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os demais operários por todo tempo foram solidários com o colega. Visitavam-no frequentemente, quase sempre de carona com Everaldo. Durante os fins de ano em que ele esteve vivo, sempre compareciam com uma feira próximo ao Natal.&lt;br /&gt;Nesse período em que o sogro permaneceu com eles, Everaldo concluiu a primeira peça de seu império. Juntara todo dinheiro da família, repartira o terreno em dois e construíra num deles sua primeira casa. Pretendia com o dinheiro da venda desta construir a segunda e comprar um novo terreno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os bons contatos que fizera junto aos trabalhadores da empreiteira, contratada pelo estado pra realizar as obras de asfaltamento e esgoto da região, proporcionaram-lhe a multiplicação mágica de recursos sem a qual não conseguiria concluir seu projeto. Dera ainda a sorte da mesma empresa vencer a licitação pruma creche a poucas quadras dali. As pedras que iam abaixo do piche na estrada, eram as mesmas que sustinham a fundação de sua casa. Concreto, areia, brita e até fios elétricos saíam pra ele a preços muito, muito inferiores aos de mercado. À medida em que avançava o asfalto, subiam as paredes no seu terreno; cidade e patrimônio cresciam juntos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Everaldo encontrava o caminho que tornaria possível a edificação de seu império familiar. Logo começou a obter informações privilegiadas sobre o roteiro das obras públicas, comprando a preços irrisórios terrenos que teriam rápida e vertiginosa valorização assim que os planos se tornassem públicos. Alguns dos que o acompanhavam desde o princípio perceberam o estratagema, e passaram também a investir seus poucos recursos nas regiões onde Everaldo comprava seus terrenos. A simples demonstração de interesse por parte do patriarca em algum terreno – com o passar do tempo – se tornaria o suficiente pra iniciar uma escalada nos preços de imóveis de toda região. Os comentários já eram tão notórios, que teve de começar a investir através de terceiros, a fim de evitar concorrência e driblar a ganância dos proprietários que já eram aconselhados a não lhe vender barato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi a conselho de um operário – que virou seu primeiro mestre-de-obras – que resolveu fundar sua própria empreiteira, tornando-se independente dos muitos empresários cuja relação tinha que administrar e que tentavam constantemente lhe extorquir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por vários anos não perdeu o costume de estar sempre próximo aos peões, mesmo quando já era volumosa sua riqueza. Fazia questão de efetuar pessoalmente as contratações e pagamentos. Visitava a família sempre que um de seus empregados morria ou sofria acidente grave. Dava generosas bonificações de fim de ano e gratificações ao fim de cada serviço. Era amado por seus subalternos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegava pelo almoço ao canteiro de obras, em sua picape importada. Sentado nas pilhas de sacos de cimento comia da comida dos peões e entabulava longas conversas. Interessava-se por tudo, a vida do cara, sua mulher e amantes, o tempo que fazia e como os novos tijolos que encomendara estavam se saindo, se descascavam ou esfarelavam quando chovia. Chegava a carregar umas vigas junto com os empregados assim que acabava de fazer a digestão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais tarde já estava em outra obra. Ainda não chegara os tempos em que as repartições e reuniões e almoços e jantares lhe impediriam completamente de ver sua riqueza crescendo tijolo a tijolo, pazada a pazada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contava-se que tinha muito gosto em presentear as moças da copa, as meninas da limpeza e cortejar as filhas que os peões lhe apresentavam. Como todo bom varão desde os tempos dos coronéis, creditava-se-lhe uma invejável descendência de bastardos espalhados por todo estado e além. Ele – longe de negar qualquer insinuação – chegava a exibir certo riso orgulhoso quando brincavam a respeito de sua suposta prole.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde houvesse colégio a se construir, estrada a se abrir, cadeia a se erguer lá estava Everaldo, revisitando amigos e assinando contratos. Até mesmo nomeara uma rua com o nome de seu falecido pai, rua que sua empreiteira construiu, Rua Sr. Clóvis de Siqueira Sobrinho, no Alto de Candelária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu distanciamento definitivo da peãozada se deu apenas meses após a morte de sua primeira esposa. Everaldo se casou com a filha viúva de um político cujas campanhas financiava, mãe de dois filhos, Cláudio Augusto e Rodrigo Carlos de Campos, este último o mais novo. A partir daí sua carreira de empresário se diversificou ainda mais. Seu enteado mais velho, no ano em que alcançaria a maioridade, saiu candidato a deputado; foi eleito. O mais novo, quando também atingiu a maioridade, anos depois, começou a fumar maconha e andar com uns tipos esquisitos. A família preferiu lhe dar uma boa mesada e permitir que saísse de casa pra morar numa espécie de república.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A essa altura a cidade já estava toda cheia de asfalto, arranha-céus já se impunham; escondidos por trás de morros e bairros elegantes, embriões de grandes favelas cresciam; e Everaldo já era um dos homens mais ricos de seu tempo. Era o começo da década de 90, era de muito ricos e muitos pobres.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6659568764970523042-8161903425651920909?l=www.angelogirotto.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.angelogirotto.com/feeds/8161903425651920909/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2010/09/o-patriarca.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/8161903425651920909'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/8161903425651920909'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2010/09/o-patriarca.html' title='O Patriarca'/><author><name>Girotto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00438584781970436915</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/TKD8r7vBmEI/AAAAAAAABSI/b_tWLMT9YVU/s200/Angelo+Girotto,+por+Humberto+Sales.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6659568764970523042.post-2279552907857064548</id><published>2010-08-16T13:09:00.001-04:00</published><updated>2010-08-16T13:10:40.666-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='revista tá na cara'/><title type='text'>Lançamento da revista Tá na Cara!</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/TGlvalGOyJI/AAAAAAAABQ0/Kmv77XcSbq4/s1600/tanacara+4+%2820x22%29-capa+2.png" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Dia 2 de setembro, às 17h30, na livraria Siciliano do Midway Mall. Não perca! Até lá, vai curtindo esta capa feita pelo impressionante ilustrador &lt;a href="http://andrescasciani.blogspot.com/"&gt;Andrés Casciani&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/TGlvalGOyJI/AAAAAAAABQ0/Kmv77XcSbq4/s1600/tanacara+4+%2820x22%29-capa+2.png" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/TGlvalGOyJI/AAAAAAAABQ0/Kmv77XcSbq4/s400/tanacara+4+%2820x22%29-capa+2.png" width="363" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6659568764970523042-2279552907857064548?l=www.angelogirotto.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.angelogirotto.com/feeds/2279552907857064548/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2010/08/lancamento-da-revista-ta-na-cara-dia-2.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/2279552907857064548'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/2279552907857064548'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2010/08/lancamento-da-revista-ta-na-cara-dia-2.html' title='Lançamento da revista Tá na Cara!'/><author><name>Girotto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00438584781970436915</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/TKD8r7vBmEI/AAAAAAAABSI/b_tWLMT9YVU/s200/Angelo+Girotto,+por+Humberto+Sales.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/TGlvalGOyJI/AAAAAAAABQ0/Kmv77XcSbq4/s72-c/tanacara+4+%2820x22%29-capa+2.png' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6659568764970523042.post-7830764712308253900</id><published>2010-08-10T19:02:00.000-04:00</published><updated>2010-08-10T19:02:31.636-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='revista tá na cara'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='curto e grosso'/><title type='text'>Relançada revista Tá na Cara!</title><content type='html'>A &lt;a href="http://angelogirotto.blogspot.com/p/revista-ta-na-cara.html"&gt;revista Tá na Cara!&lt;/a&gt; passou meses hibernando; com graves problemas financeiros, mais parecia a ex-promissora Dubai. Agora, com uma parceria com o sítio &lt;a href="http://marcelosouzarn.com.br/"&gt;Marcelo Souza RN&lt;/a&gt;, ela volta com tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E volta com novidades. Pra começar, novo formato. Superada uma fase inicial inicial onde Tá na Cara! se destinava a um público quase exclusivamente jovem, a revista amadureceu e ampliou seus horizontes - sua cara tinha que transparecer esta mudança de atitude.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto tempo durará a nova fase, não sabemos. Esperamos que muito, com certeza. Pra dar continuidade a esse projeto inovador, você pode fazer a sua parte. Agende-se pro lançamento no dia 2 de setembro, provavelmente na Livraria Siciliano do Midway Mall.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É isso aí, estamos de volta e com gosto de gás!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6659568764970523042-7830764712308253900?l=www.angelogirotto.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.angelogirotto.com/feeds/7830764712308253900/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2010/08/relancada-revista-ta-na-cara.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/7830764712308253900'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/7830764712308253900'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2010/08/relancada-revista-ta-na-cara.html' title='Relançada revista Tá na Cara!'/><author><name>Girotto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00438584781970436915</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/TKD8r7vBmEI/AAAAAAAABSI/b_tWLMT9YVU/s200/Angelo+Girotto,+por+Humberto+Sales.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6659568764970523042.post-3005120200852036733</id><published>2010-08-07T22:55:00.000-04:00</published><updated>2010-08-07T22:55:57.647-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ronda crônica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='confissões'/><title type='text'>Confissões 1 - Eu, tão blasé</title><content type='html'>Acontece que na literatura tudo pode. Por isso reservo um tempo aqui pra dizer coisas que me dão prazer em falar, mas que deixariam muitos amigos magoadinhos. Esse é o propósito da recém inaugurada série Confissões. Mas se lembrem, isso é apenas literatura!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre quis esclarecer um aspecto de minha personalidade que é muito mal interpretado: minha suposta arrogância. Ora, pra começar, não conheço um único humilde honesto; talvez o Toni, provavelmente não. Todos os humildes que conheço são dissimulados - a humildade é a prova de sua superioridade. É uma receita até bem simples: você finge uma exagerada modéstia, os outros pensam que, além de você ser o cara, é sábio. As pessoas são previsíveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, me julgam arrogante pelos raros momentos em que não sou - aqueles em que discuto as coisas com, digamos, muita "intensidade". Se elevo o tom, sou irônico e agressivo na tentativa de persuadir é porque me importo com aquilo que meu interlocutor pensa. Isso é a maior das considerações. Mas não agrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As pessoas preferem quando eu concordo. "Você está mais humilde hoje, aceitando as opiniões alheias." Ora, eu sempre aceito, apenas raramente concordo; é outra coisa. Mas de fato às vezes eu concordo com tudo que escuto porque estou pensando comigo "Idiota, nem vale discutir." As pessoas entendem isso como humildade. Assim sendo, talvez seja, no fim das contas, o maior dos humildes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6659568764970523042-3005120200852036733?l=www.angelogirotto.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.angelogirotto.com/feeds/3005120200852036733/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2010/08/confissoes-1-eu-tao-blase.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/3005120200852036733'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/3005120200852036733'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2010/08/confissoes-1-eu-tao-blase.html' title='Confissões 1 - Eu, tão blasé'/><author><name>Girotto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00438584781970436915</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/TKD8r7vBmEI/AAAAAAAABSI/b_tWLMT9YVU/s200/Angelo+Girotto,+por+Humberto+Sales.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6659568764970523042.post-8071211915429526194</id><published>2010-08-02T16:03:00.003-04:00</published><updated>2010-08-02T16:13:44.742-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='convidados'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ensaísmo infame'/><title type='text'>Comentários sobre a liberdade religiosa</title><content type='html'>Posto abaixo o comentário de &lt;a href="http://chantinon.blogspot.com/"&gt;Chantinon&lt;/a&gt; na postagem Acerca da liberdade religiosa, que você pode ler &lt;a href="http://angelogirotto.blogspot.com/2010/06/acerca-da-liberdade-religiosa.html#comments"&gt;aqui&lt;/a&gt; e aproveitar pra conferir os comentários de Anderson, Edenílson, &lt;a href="http://votznews.blogspot.com/"&gt;Ariston&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://votznews.blogspot.com/"&gt;Érik&lt;/a&gt;. Julguei interessante pro debate a preocupação dele em discorrer sobre o assunto, trazendo sua valiosa opinião. Na sequência, vão minhas considerações sobre o que o amigo disse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Girotto,&lt;br /&gt;Já fui ateu, e o mais curioso é que me tornei ateu na minha primeira comunhão, aos 7 anos.&lt;br /&gt;De lá pra cá a minha cabeça mudou, ainda bem :D&lt;br /&gt;Hoje eu tenho amigos evangélicos, católicos, gays, enrustidos, negros, workaholics, pedreiros, mecânicos, mega-executivos, etc...&lt;br /&gt;Particularmente eu não gosto de religiões, nenhuma até hoje me atraiu, mas gosto de aprender sobre elas.&lt;br /&gt;Acho uma grande perda de tempo discutir sobre ateísmo, já que acredito ser algo como discutir cor de pele. No fundo, eu acho ateus seres tão chatos quanto evangélicos, e eles gostam de pregar sua "fé" e isso é um saco. Mesmo assim, tenho amigos desses dois lados :D&lt;br /&gt;Sempre acreditei que a religião era um atraso no mundo. Que as pessoas viviam alienadas por seguirem regras que alguém colocou em um papel.&lt;br /&gt;Mas hoje penso bem diferente.&lt;br /&gt;Fé é algo que engrandece as pessoas. Torna o mais rico e o mais pobre iguais, e tirando a morte é a única hora que isso ocorre.&lt;br /&gt;Existe um grande movimento mundial para o ateísmo, e vem crescendo. Paradoxalmente cresce também o Islamismo. Esse movimento se você ainda não percebeu, é provocado e não natural. Do mesmo modo que a Igreja dominou o mundo, outras hordas seguem lutando para criar seus seguidores, mesmo que ateus.&lt;br /&gt;Existe um grande dilema para as pessoas inteligentes aceitar a história de adão e eva. De acreditar em milagres, e vejo isso com certa nauralidade, já que quanto mais inteligente uma pessoa é, mais arrogante torna-se.&lt;br /&gt;Me tornei favorável ao aborto depois que li Freakonomics, mas isso não quer dizer que acredito que mulheres devem engravidar e ir ali na esquina "sacar" aquilo de dentro dela. O correto seria ter responsabilidade.&lt;br /&gt;Eis a questão, a grande massa, seguidores, nunca deixarão de ser só isso, seguidores.&lt;br /&gt;Então, cabe aqueles que são referências para o rebanho tomar cuidado com o que pode espelhar.&lt;br /&gt;A Fé em algo pode soar como ridículo, e você pode interpretar o filme "Contato" e toda a obra do Carl Sagan como bem entender, mas no fundo ele gostava da dúvida, da incerteza, e acho humildemente que estamos aqui para viver nessa incerteza, já que mesmo a ciência moderna sempre se contradiz.&lt;br /&gt;O que me preocupa em pesquisas, é saber que pessoas inteligentes usam elas para manipular a massa. E provavelmente, muitos dos que estão no poder abraçados com seus relicários, não acreditam em nada há não ser o poder.&lt;br /&gt;Tem nada pior do que seguidores de Lady Gaga? Prefiro os alienados de crucifixos aos liniistas mirins de 15 anos de idade que descobriram que ler resumos de livros os tornam "sábios".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para apimentar o debate:&lt;br /&gt;http://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20071223143912AAHtvGW&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Caro Chantinon,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;seu comentário é um grande estímulo ao debate, merece reconhecimento. Creio que existe uma diferença fundamental entre a fé religiosa e a "fé ateia". O ateísmo não é o auge de um sistema de pensamento, é uma simples decorrência dele. O pensamento científico - por motivos maravilhosamente expostos em Deus, um delírio, de Richard Dawkins - demonstra a extrema improvabilidade de existir uma consciência criadora do universo, que intervira ou não em seu funcionamento cotidiano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto à chatice da catequização, concordo. Contudo, o debate de ideias muitas vezes necessita de certas doses de aborrecimento - é o preço mínimo por uma mínima democracia, outros ainda mais caros nos são cobrados. Perdi um pouco o entusiasmo em tentar tornar as pessoas ateias, confesso, mas não deixo de acreditar que lhes prestaria um grande favor. (É claro que um religioso também crê me ajudar quando tenta me vender sua divindade.) É um debate cansativo, mas tem de ser feito, o que não impede que reconheçamos que há coisas mais importantes a ser discutidas - uma outra vantagem da ciência, que não põe a fé no centro do palco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Felicidades, meu velho!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6659568764970523042-8071211915429526194?l=www.angelogirotto.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.angelogirotto.com/feeds/8071211915429526194/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2010/08/posto-abaixo-o-comentario-de-chantinon.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/8071211915429526194'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/8071211915429526194'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2010/08/posto-abaixo-o-comentario-de-chantinon.html' title='Comentários sobre a liberdade religiosa'/><author><name>Girotto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00438584781970436915</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/TKD8r7vBmEI/AAAAAAAABSI/b_tWLMT9YVU/s200/Angelo+Girotto,+por+Humberto+Sales.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6659568764970523042.post-7976447817631231731</id><published>2010-07-25T22:45:00.001-04:00</published><updated>2010-07-25T22:47:59.706-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ronda crônica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='reportagem'/><title type='text'>Porca miséria</title><content type='html'>&lt;b&gt;Se você vive de bicos,&lt;/b&gt; trabalha no dia e hora em que a oportunidade surge, ganha mal, não tem carteira assinada e não costuma roubar bolsas de turistas, você é um subempregado; e não está sozinho. 1 em cada 15 trabalhadores brasileiros é subocupado, o que – ao contrário da primeira impressão – não quer dizer que trabalhe menos.&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_HT-8tJkpjL4/R_wWDPNfL_I/AAAAAAAAABk/vKuPBn283q8/s1600/IMAG0003.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" src="http://bp1.blogger.com/_HT-8tJkpjL4/R_wWDPNfL_I/AAAAAAAAABk/vKuPBn283q8/s320/IMAG0003.JPG" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Estudos do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) apontam que os subempregados – além de receberem menos que os trabalhadores formais – trabalham bem mais. Para aproximar sua renda ao salário mínimo, precisam superar em muito a jornada semanal de 44 horas (sem previdência, plano de saúde ou quaisquer benefícios).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A população de subempregados oscila como humor de bipolar. Quando do estouro da crise financeira da vez, foram 88 mil novos membros, alistados à força entre outubro de 2008 e janeiro de 2009, contando apenas as 6 maiores regiões metropolitanas do país. Ela é consequência direta do desemprego e da desregulamentação dos direitos trabalhistas, que ao engendrarem seu exército de mão-de-obra reserva põem o trabalhador em condições desvantajosas para negociar com o patrão. Numa linguagem mais eficiente: não quer, tem quem queira. São aproximados 7,5 milhões de brasileiros nessa situação de pegar ou largar. Ao menos 5 deles moram na Zona Norte de Natal e vivem da castanha do caju.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;O caju é um fruto deveras importante&lt;/b&gt; na vida potiguar, além de ser um dos escassos casos de plantas nativas realmente nativas do Brasil. Donos exclusivos do maior pé do fruto existente em todo mundo – um dos grandes orgulhos de nosso povo -, somos um estado marcado por sua abundância. É ainda um ente muito peculiar; exige conhecido pra ser entendido. O fruto, a despeito da primeira impressão, é exatamente sua castanha, sendo aquela parte borrachuda, às vezes doce e normalmente azeda e muito adstringente, que muitos julgam o legítimo fruto, nada mais que seu “pedúnculo floral” ou pseudofruto. O pedúnculo de nada serve ao tema que tratamos; deixemo-lo pro suco, pois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A castanha do caju possui como grande atrativo a capacidade de ser assada em latões ou equipamentos mais modernos e rachar, nisso liberando o miolo que comemos na rua, com sal ou açucarado. Seu preparo começa ainda pelo fim da tarde. Dona Raimunda prepara o fogo, pra que seu marido Francisco e seu filho Ridyfran possam por as castanhas coletadas pra assar. Vê-se em sua mãos as rachaduras características do ofício, resultado da interação entre uruxiol (famosa toxina da casca da castanha) e pele humana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes do sol raiar pleno, os homens de Francisca já partem com seus instrumentos de trabalho: chinelo de dedo gasto e a tradicional armação de arame que comporta quase um centena de pacotinhos de castanha. Será um longo dia de trabalho. A 2 reais o pacote pequeno e 3 o gordinho, essa família precisa vender pelo menos 400 pacotes por mês pra – deduzidos gastos do fabrico e transporte – obter um salário mínimo a cada 30 dias. Além dos 3 membros economicamente ativos, a família possui dois ociosos de 7 e 8 anos, que frequentam a escola, Lucas e Gabriel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em toda cidade de Natal, a qualquer hora que você deseje comer castanhas de caju, é muito provável que consiga, desde que carregue consigo ao menos 2 reais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;A renda doméstica&lt;/b&gt; é incrementada pelo auxílio Bolsa-Família, concedido pelo Governo Federal àquelas famílias cujos filhos em idade escolar frequentem regularmente a escola. Sem o auxílio, Francisca e agregados teriam dificuldade em garantir a satisfação das suas necessidades mais básicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_a-A9_BxY6_c/SUqFsU_X9fI/AAAAAAAAAWA/bemVL8Yr7QY/s1600/Mis%C3%A9ria%2B-%2Bsub-emprego.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://1.bp.blogspot.com/_a-A9_BxY6_c/SUqFsU_X9fI/AAAAAAAAAWA/bemVL8Yr7QY/s320/Mis%C3%A9ria%2B-%2Bsub-emprego.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Todo o trabalho e sacrifício diário desses trabalhadores é insuficiente para seu sustento, quiçá para garantir sua dignidade. É uma jornada de trabalho de mais de 60 horas semanais, que no final do mês rende menos que o necessário para a alimentação e vestimenta; adoecer, custa muito caro. E existem pelo menos algumas dezenas de famílias que vivem da venda de castanha de caju em toda cidade; uns com produção rudimentar, outros com algum incremento tecnológico e outros ainda apenas repassando o que adquirem de quem pode produzi-las industrialmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A maioria desses trabalhadores não possui amparo da Previdência Social, portanto sequer têm o direito de adoecer. A  aposentadoria só pode ser sonhada após os 65 anos pra homens e 60 pra mulheres; caso não não remarquem em breve a idade mínima pra aposentadoria. Os filhos dos vendedores de castanha de caju frequentam a escola pública e sequer almejam conhecer teatros, cinemas ou museus; exceto pra vender castanhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles acordam antes da 5 horas da manhã, só voltando pra casa à noite. Não têm nenhuma garantia sobre seu sustento pras próximas semanas. Uma doença, um acidente – qualquer imprevisto – pode impedir-lhes de ganhar o pão de cada dia. Ainda assim, acordam. Tomam um café forte com pão dormido. Abraçam-se e se despedem da mãe e esposa, dos filhos e irmãos, que ficam com suas atividades. Eles e milhões passarão o dia de hoje e muitos, ainda muitos outros, trabalhando sob sol forte e sob chuva (hoje chove). Eles carregam e carregarão este país nas costas, mantendo o elevado padrão de consumo a baixo custo de nossa classe média. Não comem a sua fatia do bolo. E são felizes – eles se abraçam, se beijam e vão pro trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;A população de subempregados &lt;/b&gt;é bastante rotativa, apesar de muitos não conseguirem repassar sua vaga adiante. Ela cresce sempre que as coisas vão mal pra quem possui as grandes fortunas; pros acionistas das grandes corporações, banqueiros e magnatas de toda sorte, que promovem férias coletivas e demissões em massa, garantindo o iate da 5ª geração de seus herdeiros, pelo menos. Está de portas abertas pra quase todos, apesar de ter preferência por alguns; o subemprego tende a selecionar tons de pele mais escuros, mentes menos escolarizadas e corpos com útero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando ouvir novamente notícias sobre crises no mercado financeiro, quebra de bolsas-de-valores ou reestruturação produtiva, saiba que está em suas mãos a tarefa de superar essa calamidade. Basta trabalhar umas horinhas a mais na semana; ampliar sua área de atuação, desenvolvendo habilidades em áreas de ampla aceitação como comércio informal, limpeza de quintais e transporte de compras; equilibrar o orçamento, cortando gastos; livrar-se da excessiva burocracia (começando pela carteira de trabalho, que você pode jogar no mato); assim, você fará sua parte pra que as coisas voltem a seu lugar. Mas pode ser que, a exemplo desses turistas que resolvem viver na praia, você acabe estendendo sua estadia no subemprego e construa uma casinha branca, no pé dum morro, na Zona Norte de Natal, que será a herança dos seus até a 5ª geração, pelo menos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6659568764970523042-7976447817631231731?l=www.angelogirotto.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.angelogirotto.com/feeds/7976447817631231731/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2010/07/se-voce-vive-de-bicos-trabalha-no-dia-e.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/7976447817631231731'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/7976447817631231731'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2010/07/se-voce-vive-de-bicos-trabalha-no-dia-e.html' title='Porca miséria'/><author><name>Girotto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00438584781970436915</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/TKD8r7vBmEI/AAAAAAAABSI/b_tWLMT9YVU/s200/Angelo+Girotto,+por+Humberto+Sales.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_HT-8tJkpjL4/R_wWDPNfL_I/AAAAAAAAABk/vKuPBn283q8/s72-c/IMAG0003.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6659568764970523042.post-790133846223700489</id><published>2010-07-17T21:57:00.006-04:00</published><updated>2010-07-25T12:27:57.118-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sobre política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ciência'/><title type='text'>Atraso, eterno candidato</title><content type='html'>Das entrevistas que li nos últimos meses da “radical” Marina Silva, agora no PV, dois aspectos de seu pensamento saltaram aos olhos, por serem praticamente um a confirmação do outro. Refiro-me a sua postura religiosamente contrária à produção de alimentos transgênicos e a sua defesa do ensino do criacionismo como alternativa à evolução das espécies nas escolas públicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_nKVhh0gq8ug/TCimMq_NaII/AAAAAAAAAf8/6EdZc5hHTb0/s1600/dna-blue-large.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" src="http://2.bp.blogspot.com/_nKVhh0gq8ug/TCimMq_NaII/AAAAAAAAAf8/6EdZc5hHTb0/s320/dna-blue-large.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Muitas pessoas – até mesmo de boa índole e ideias progressistas – caem no primarismo de rejeitar o desconhecido e opor dúvidas insuperáveis a organismos geneticamente modificados. Sabemos muito bem – e não precisamos de que a igreja nos dissesse – que grandes riscos estão envolvidos na manipulação em nível molecular de plantas e animais destinados ao consumo humano. Sabemos que o controle e análise desses processos devem ser rigorosos e que ainda este controle não deve ficar nas mãos de empresas gananciosas dispostas às mais violentas fraudes em busca do lucro máximo. Mas uma coisa é sabermos dos riscos e das medidas que devemos tomar para evitá-los, outra diferente é prescindirmos de uma tecnologia que tem potencial pra sanar problemas graves da sociedade contemporânea em nome da absurda ideia de que a natureza é intocável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em termos práticos, a transgenia pode nos ajudar a lidar com problemas antigos que causam muito incômodo e sofrimento. De tempos em tempos, o abastecimento de alimentos sofre, por exemplo, com variações climáticas que comprometem a colheita de todo um ano. Por que não utilizarmos de tecnologia que proteja a produção de geadas? Não é possível produzirmos carne mais saudável, comida em maior quantidade e sem riscos? É, e já está sendo feito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou daqueles que acreditam que o chipanzé tornou-se humano pelo engenho produtivo, através de suas habilidades em manipular a natureza, produzindo através dela seu meio; em outras palavras, do trabalho forjou-se o homem. Nosso desenvolvimento enquanto espécie é indissociável de nossa atitude transformadora ante a natureza, transgênicos e energia nuclear são apenas passos recentes de nossa caminhada rumo algo bem maior, talvez ainda incompreensível pra nossa geração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ciência – pra estremecimento dos moralistas de plantão – quebrou um de nossos mais sólidos tabus ao “recriar vida” em laboratório. Não apenas a equipe de J. Craig Venter foi capaz de decodificar um genoma completo (o que hoje já não é grande mistério), como utilizando cerca de 4 litros de substâncias conseguiu sintetizá-los recriando o código genético da bactéria M. mycoides, dando-lhe vida!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Está super-na-moda a crença de que o-homem-não-deve-mexer-naquilo-que-deus(ou a natureza)-criou. Mas para além da superstição e irracionalidade, emerge do pensamento científico a mentalidade capaz não só de desnudar deus, como superá-lo. Sem magia, sem apelar à ignorância (“não se pode conhecer os desígnios divinos”), o homem alcança patamares inimagináveis de conhecimento. Pouco importa que deus não exista, não precisamos mais dele.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6659568764970523042-790133846223700489?l=www.angelogirotto.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.angelogirotto.com/feeds/790133846223700489/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2010/07/o-dominio-absoluto-da-ciencia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/790133846223700489'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/790133846223700489'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2010/07/o-dominio-absoluto-da-ciencia.html' title='Atraso, eterno candidato'/><author><name>Girotto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00438584781970436915</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/TKD8r7vBmEI/AAAAAAAABSI/b_tWLMT9YVU/s200/Angelo+Girotto,+por+Humberto+Sales.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_nKVhh0gq8ug/TCimMq_NaII/AAAAAAAAAf8/6EdZc5hHTb0/s72-c/dna-blue-large.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6659568764970523042.post-4040448733109865273</id><published>2010-06-21T12:44:00.004-04:00</published><updated>2010-07-25T14:14:28.068-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ronda crônica'/><title type='text'>Sobe, espírito mentiroso</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://lh4.ggpht.com/_lhj_Ug-IWAI/SgxHHdTmwPI/AAAAAAAAA_c/4qwa-a2cBu4/s1600/untitled.bmp" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="189" src="http://lh4.ggpht.com/_lhj_Ug-IWAI/SgxHHdTmwPI/AAAAAAAAA_c/4qwa-a2cBu4/s200/untitled.bmp" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Éramos uns vinte, ou mais, não contei, e nem me lembro de todos, pra ser-lhes sincero. Nenhum tinha já 30 anos. Arrumamos um ônibus velho, poltronas sem estofado, duro como eram uns duros os passageiros. A casa tinha uma piscina enorme, julgávamos enorme, mas ficou pequena quando em uso; pertencia a um político da cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passamos todo fim de semana numa espécie de acampamento hippie, dormindo em redes, colchonetes e mesmo toalhas; o mais espertos já haviam reservado as camas e passado a chave nos quartos. Um de nossos amigos levou suas duas namoradas, uma delas passava o dia entre o quarto do térreo, a cozinha e a piscina; à outra cabiam o quarto do primeiro andar, a sala da TV (sem TV) e a piscina sempre que a do térreo estivesse no quarto. Ainda hoje, mal sabendo como se administra uma mulher, fico admirado com a habilidade, com o incrível engenho de que fui testemunha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com uns 13 anos, meio litro de cana já me embebedava, e creio que bebi bem mais que isso naquele primeiro dia. Dormi pesado e acordei com bruta dor de cabeça, mas logo vi que nem minha bebedeira nem minha dor eram as maiores. Um rapaz alegre, que ou tinha menor resistência a álcool ou havia bebido mais que eu, vomitava umas lombrigas de 12 polegadas, em profundo coma alcoólico (as lombrigas, não o rapaz). Foi então que deu-se o sinistro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pombajira, entidade famosa e deveras safada, baixou no rapaz, deu show e declarou a todos “Vou matar ele afogado na piscina.” O barraco tava armado, sem vela, mas com muito choro de duas novas espíritas. E o rapaz alegre, pilotado pela entidade, jogava os braços pra cima e jogava pra baixo e sacolejava pra todo lado. Fez menção de correr em direção à piscina, mas foi contido pelos rapazes menos alegres que assistiam a cena. Foi quando chamaram Zé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zé tinha muito mais juízo que cabelo, era certo, e também era homem resolvedor, quase nada alegre. Mandou logo que trouxessem sal grosso e quantas folhas de Espada-de-são-jorge estivessem disponíveis. Enfim munido, começou a salgar o possuído. Salgou ali, salgou acolá e deu início à desgraceira – com a Espada-de-são-jorge em mãos, chicoteou o rapaz com força.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mal começaram as chicotadas, houve o primeiro protesto das almas mais sensíveis, achavam aquilo uma barbaridade, mas Zé, douto no assunto, acalmou a todos dizendo ser este o único jeito de tirar o espírito do corpo possesso. Já no segundo golpe o rapaz gritava em aparente desespero “Foi embora, foi embora, sou eu, ó, sou eu. Pode parar, já foi embora.” Mas Zé, como sempre um passo à frente, preveniu todos “Isso é artimanha da alma penada. Ela que nos enganar.” E batia com mais força gritando “Vai espírito-de-porco, querendo me enganar. Volta pra donde veio." Ao que o receptáculo retorquia "Sou eu, juro, sou eu, ele já foi embora." E Zé gritava de novo "Sobre, espírito mentiroso. Sei que você ainda taí."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como o espírito alegava já ter deixado o corpo e Zé já com os braços cansados não encontrava quem lhe rendesse no difícil ofício, deram-lhe descanso pra ver o que aconteceria. Deitado no vômito, o rapaz da pombajira começou a se retorcer e resmungar e berrar xingando a plateia. Tamanha má criação levantou em alguns a suspeita de que ainda havia ali uma alma penada. Analisando bem a situação, logo viram que houvera um grave erro de procedimento; levaram o rapaz pro pátio, a céu aberto, e recomeçaram o exorcismo, afinal, como poderia o espírito subir se o teto da área era lajeado?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6659568764970523042-4040448733109865273?l=www.angelogirotto.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.angelogirotto.com/feeds/4040448733109865273/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2010/06/sobe-espirito-mentiroso.html#comment-form' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/4040448733109865273'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/4040448733109865273'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2010/06/sobe-espirito-mentiroso.html' title='Sobe, espírito mentiroso'/><author><name>Girotto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00438584781970436915</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/TKD8r7vBmEI/AAAAAAAABSI/b_tWLMT9YVU/s200/Angelo+Girotto,+por+Humberto+Sales.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh4.ggpht.com/_lhj_Ug-IWAI/SgxHHdTmwPI/AAAAAAAAA_c/4qwa-a2cBu4/s72-c/untitled.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6659568764970523042.post-3655001457343412869</id><published>2010-06-10T15:52:00.003-04:00</published><updated>2011-01-22T22:55:55.472-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ensaísmo infame'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ateísmo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='religião'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ciência'/><title type='text'>Acerca da liberdade religiosa</title><content type='html'>Nós não temos liberdade religiosa, e sim liberdade de religião.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como a frase não é técnica e nem possui sentido inquestionavelmente claro, e como gostei dela a ponto de usá-la mesmo conhecendo suas limitações, darei maiores detalhes daquilo que pretendo dizer: nós podemos ter o direito de escolher a religião que quisermos (em teoria), mas não podemos escolher não ter uma (nem em teoria).&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://psycholoco.files.wordpress.com/2009/02/ateu.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="211" src="http://psycholoco.files.wordpress.com/2009/02/ateu.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;É inegável que ao longo das décadas, dos séculos, tivemos grandes avanços na liberdade do indivíduo em praticar a religião que lhe convier. Hoje existem leis e consensos que ditam o necessário respeito àqueles que professam fés distintas. Ainda que persistam ranços e intolerâncias – características inerentes ao pensamento religioso – hoje é muito mais seguro sair à rua com uma quipá ou trajando burca, quem sabe uma barbinha demodê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O instituto Gallup realizou em 1999, nos EUA, uma pesquisa onde perguntava a aceitação do eleitor em votar em membros de diversos segmentos sociais, e como não conheço outra mais próxima ou recente, usarei os números desta pra demonstrar o que pretendo dizer. Considerando candidatos com a mesma qualificação, 95% votariam num candidato que fosse mulher; 92% votariam no candidato caso fosse judeu; 92% votariam num negro; 79% deles aceitariam votar num candidato que fosse homossexual ou mórmon; e num ateu, apenas 49% se dispunham a votar. Mesmo que todos os “tolerantes” com ateus votassem no mesmo candidato, ele jamais seria eleito (caso se “assumisse”) presidente ou prefeito de cidade com mais de 100 mil eleitores no Brasil, onde precisaria de maioria absoluta nestes casos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sei, nós sabemos, que nem a pesquisa é tão recente (mas não é tão remota, também) e que não foi realizada em nosso país, mas temos bons motivos pra crer que o mesmo acontece em todo mundo, salvo alguma honrada exceção que não me ocorre. Quantos políticos admitem publicamente o ateísmo? Eu conheço diversas personas públicas que desde longínqua juventude não acreditam em nada paranormal, sobrenatural ou divino. Várias mesmo, detentoras de mandato e algumas verdadeiras campeãs de votos, em muitos estados. E nenhuma que tenha assumido publicamente seu ateísmo (desculpe-me quem possa ser vítima imerecida desta generalização, mas não lembro de tê-lo ouvido dizer Sou ateu). Mas já vi muitas delas criarem ridículos subterfúgios pra não ter de responder a uma pergunta que, num ambiente saudável, exige por resposta apenas sim ou não: Você acredita em Deus? Não. Ponto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A incapacidade das pessoas em aceitar um ateu é tão grande que poderia ser usada como antidoto à intolerância com religiões diferentes, pois diante de um autoafirmado ateu, podemos até ver crente de bíblia de suvaco defender xangozeiro batedor de tambor. (É teoria da curvatura da vara, daquele russo danado e ateu.) Pois foi o que aconteceu comigo semana passada, enquanto conversava sobre religião com desconhecidos, num destes bancos da vida. Um de meus interlocutores não admitia que eu não acreditasse em nada. Quando percebi que ele era crente, resolvi perturbá-lo um pouco e disse que pensava em começar a frequentar uns terreiros e bater tambor – Viu, você já começa a acreditar em algo, isso é bom, ele me respondeu. Irritado com minha ineficiência disse Mas o que eu gosto é dos rituais satanistas que fazemos na casa dum amigo – Se você acredita em Satã, acredita em Deus, que coisa boa, Deus seja Louvado, ele disse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada poderia irritar mais aquele crente que alguém que não acreditasse em nada. Ele até celebrou meu suposto satanismo. Quando fui me matricular numa escola municipal de Natal, a supervisora queria que eu respondesse no formulário qual era minha religião. Não respondi porque não tinha lá minha opção, eu não tinha uma. Ela então sugeriu que eu me declarasse católico – Todos são. Pensei em anotar ateu, mas já sabia que isso é tudo, menos religião. Recusei e disse que deixasse em branco. A mulher ficou confusa, não sabia o que fazer. Não me deixou riscar o campo que devia ser preenchido. Saí de lá e até hoje não sei se ela guardou a ficha como estava ou se – num ato de piedade cristã não requisitada – anotou lá: católico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato que podemos sentir nas mesas de almoço domingal das famílias, nos ônibus ou onde quer que haja gente, é que nada pode ser pior que não acreditar. E talvez não seja aversão exclusiva dos religiosos. Com a Copa iniciada, começo a farejar o novo pecado capital: não torcer pela canarinho. Já vejo esses caras que entram nos ônibus pedir dinheiro (Eu podia tá roubando, podia tá matando, mas tô aqui pedindo uma ajuda, pelo amor de Deus) descobrindo isso. Seu discurso, armas em punho, ficaria mais ou menos assim: Eu sei que tô roubando, sei que tô matando, mas eu podia ser ateu ou torcer pela Argentina. Todos aplaudiriam e esvaziariam a carteira, nem seria preciso roubá-los (isso não lembra um culto?).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6659568764970523042-3655001457343412869?l=www.angelogirotto.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.angelogirotto.com/feeds/3655001457343412869/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2010/06/acerca-da-liberdade-religiosa.html#comment-form' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/3655001457343412869'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/3655001457343412869'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2010/06/acerca-da-liberdade-religiosa.html' title='Acerca da liberdade religiosa'/><author><name>Girotto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00438584781970436915</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/TKD8r7vBmEI/AAAAAAAABSI/b_tWLMT9YVU/s200/Angelo+Girotto,+por+Humberto+Sales.JPG'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6659568764970523042.post-6563025755478655338</id><published>2010-06-03T19:23:00.001-04:00</published><updated>2010-07-25T12:28:38.134-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mariana Ximenes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cinema'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sobre livros'/><title type='text'>Quincas Berro D'Água (Brasil, 2010)</title><content type='html'>Dirigido por Sérgio Machado &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com Paulo José (Quincas Berro D'Água), Marieta Severo (Manuela), Mariana Ximenes (Vanda), Vladimir Brichta (Leonardo), Flávio Bauraqui (Pastinha), Irandhir Santos (Cabo Martim), Luís Miranda (Pé de Vento), Frank Menezes (Curió), Othon Bastos (Alonso), Walderez de Barros (Tia Marisa), Mílton Gonçalves (Delegado Morais), Carla Ribas (Otacília), Germano Haiuti (Tio Eduardo), Eurico Brás (Agenor), Angelo Flávio (Zico) e Maria Menezes (Lolita)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://www.culturadebolso.org/wp-content/uploads/Quincas-Berro-D%E2%80%99%C3%81gua.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="265" src="http://www.culturadebolso.org/wp-content/uploads/Quincas-Berro-D%E2%80%99%C3%81gua.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Por um desses acasos instrutivos, assisti Quincas Berro D'água no mesmo fim de semana em que li O Falecido Mattia Pascal, do siciliano Pirandello. Tanto o Quincas de Amado quanto Mattia afirmam no princípio de suas narrativas em primeira pessoa, repletas de monólogos, que morreram duas vezes. Mas o que une seus temas, contudo, é que tiveram duas vidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quincas, servidor público aborrecido e oprimido por seu ambiente, larga família e círculo social, dedicando-se à boemia soteropolitana; Mattia, tido como morto, segue nova vida por diversos destinos da Europa vitoriana. Ambos percorrerão um longo caminho pra alcançarem lugares distintos, cada qual reconstruindo o significado das relações humanas e da própria existência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Li o livro de Jorge Amado em que se baseia o roteiro do filme – A morte e a morte de Quincas Berro D'Água, de 1958 – há tempo suficiente pra que muita cosia me escape. Mas o principal pôde ser resgatado pelo filme de Sérgio Machado (Cidade Baixa e Onde a Terra Acaba). Lá estão os numerosos personagens de Jorge Amado, ricamente compostos, ainda que superficiais e caricatos; a linguagem debochada e sem pruridos; a incrível sensibilidade para o hilário, cercado pela miséria e amargura. Nesse último ponto, o filme possui grande mérito pela fotografia sombria e bela que contrasta com a constante comicidade do enredo, preservando – sem perder o riso – a gravidade que contém o texto e seu significado último.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de num primeiro plano ser uma grande festa, Quincas aborda com vigor o tema mais produtivo da grande literatura: a existência e suas realidades. Nosso protagonista abandona a segura e cômoda vida de funcionário por um cotidiano desregrado e temeroso. Nesta escolha, faz sua crítica ao mundo da filha, que confrontada pela realidade em que vivia o pai terá de lidar com sua herança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filme possui uma série de atuações notáveis, destacadamente Paulo José (um morto roubando a cena) e Mariana Ximenes no papel de Vanda, a filha. Muito se tem dito sobre os inegáveis talentos de Paulo José, esse formidável ator. Por isso mesmo quero dar atenção especial a Ximenes. Desde O Invasor, a jovem atriz chama atenção pela qualidade de suas atuações. Consegue ser intensa e eloquente sem os maneirismos recorrentes do cinema nacional, com uma forma de interpretar própria que só vemos nos grandes talentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quincas, o filme, faz justiça a Quincas, o livro. E mais: lhe presta um favor. Sem atender à sedução de rebuscar ou encher de pompa e “eruditismo” o texto cru – e por vezes mesmo limitado – de Jorge Amado, o filme traz o autor em sua melhor forma, nos limites de seu alcance e com dignidade. Ano após ano, vemos péssimas adaptações virem a público, acumulando um grande lixo cinematográfico. Felizmente, temos neste filme uma notável exceção. Quincas e Mattia partem de um mesmo sentimento de clausura para chegar a pontos distintos em sua trajetória. A aceitação debochada do próprio fim não deixa de ser um desesperado cinismo de Quincas, e o filme é feliz em deixar esta noção transparecer. Por isso e muito mais, Quincas não só vale ser visto como é provavelmente a melhor adaptação do cinema nacional desde Vidas Secas, lado a lado com Lavoura Arcaica.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6659568764970523042-6563025755478655338?l=www.angelogirotto.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.angelogirotto.com/feeds/6563025755478655338/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2010/06/quincas-berro-dagua-brasil-2010.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/6563025755478655338'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/6563025755478655338'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2010/06/quincas-berro-dagua-brasil-2010.html' title='Quincas Berro D&apos;Água (Brasil, 2010)'/><author><name>Girotto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00438584781970436915</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/TKD8r7vBmEI/AAAAAAAABSI/b_tWLMT9YVU/s200/Angelo+Girotto,+por+Humberto+Sales.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6659568764970523042.post-7074679157936040361</id><published>2010-05-24T22:52:00.002-04:00</published><updated>2010-07-25T12:28:48.830-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='fotografia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='revista tá na cara'/><title type='text'>Clube do Bang-Bang</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/S_s4P7JkziI/AAAAAAAABNU/WGGgkAAKLRE/s1600/Kevin+Carter+-+garota+sudanesa+1994.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="257" src="http://1.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/S_s4P7JkziI/AAAAAAAABNU/WGGgkAAKLRE/s400/Kevin+Carter+-+garota+sudanesa+1994.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Em 26 de março de 1993 a foto de um abutre espreitando uma menina debilitada pela fome estampava a capa do The New York Times. Ela fora tirada dias antes no Sudão, próximo ao centro de alimentação da ONU, pelo fotógrafo sul-africano Kevin Carter.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carter chegara ao Sudão para documentar os movimentos guerrilheiros locais. Contudo, a emigração de centenas e milhares de pessoas em busca de alimentação acabou atraindo sua câmera. Ele contou que quando viu a cena ainda aguardou 20 minutos na expectativa de que a  ave abrisse as asas; como nada aconteceu, tirou as fotos, espantou o abutre e partiu; não se teve mais notícias da garota.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://digitalfilmmaker.net/Bang/images/BopExecution.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="266" src="http://digitalfilmmaker.net/Bang/images/BopExecution.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Junto a seus amigos Greg Marinovich, Ken Oosterbroeck e João Silva, Carter pertencia a uma geração de fotógrafos apelidada de Clube do Bangue-Bangue. O Clube ganhou fama e nome pela cobertura dos conflitos políticos e da violência do apartheid nos primeiros anos da década de 90, na África do Sul. De forma objetiva e contundente, eles apresentaram o horror de sua época, trabalhando em meio a conflitos e expostos a graves riscos - como na foto acima, na qual Carter mostra o resultado de um ataque contra a vida de líder político da extrema direita sul-africana, em 1994.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ken Oosterbroeck, dias após bater esta foto e ganhar o Pulitzer por fotografia: "quero um trabalho de impacto. Algo que faça subir a adrenalina, que inunde o cérebro com a possibilidade e o potencial de fazer fotos poderosas. Sou um fotógrafo. Me dêem liberdade."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://sientateyobserva.files.wordpress.com/2010/04/kenoostshot.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="277" src="http://sientateyobserva.files.wordpress.com/2010/04/kenoostshot.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Em 18 de abril de 1994, Ken foi morto ao ser atingido por uma bala disparada pelas forças de manutenção da paz, no suburbio de Tokhoza. Quem tirou a foto foi João Silva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://www.boingboing.net/2009/08/20/bbclub.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="227" src="http://www.boingboing.net/2009/08/20/bbclub.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Homem é esquartejado por rivais políticos em 1992 - lá estava João Silva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://www.matiasdominguez.com/images/stories/trabajos/Kevin_Carter/kevin_carter_image015.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="260" src="http://www.matiasdominguez.com/images/stories/trabajos/Kevin_Carter/kevin_carter_image015.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Numa sequência de instantâneas, Greg Marinovich captura o momento em que um suspeito de ser colaborador do Inkhata é atingido na cabeça, após ter seu corpo incendiado por militantes opositores, na África do Sul de 1990.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://n.i.uol.com.br/ultnot/0905/14africa1200.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="250" src="http://n.i.uol.com.br/ultnot/0905/14africa1200.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Greg também presenciou o explosivo congresso do Partido Comunista sul-africano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A miséria é uma constante na cobertura do Culbe do Bangue-Bangue; esta imagem chocante foi capturada por Greg Marinovich, na Somália.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com sua foto mais famosa (pág. 21), Carter ganhou um Prêmio Pulitzer, um contrato com uma das mais prestigiadas agências fotográficas dos anos 90 e se tornou centro de grande controvérsia. Pessoas que na quase totalidade nunca foram à África ou apertaram a mão de um mendigo começaram a questionar a atitude de Carter, que se limitando a tirar a foto e espantar a ave, não teria ajudado a criança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://www.viaes.com.br/system/images/5354/medium/20091223_-_Kevin_Carter.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="248" src="http://www.viaes.com.br/system/images/5354/medium/20091223_-_Kevin_Carter.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Em 27 de julho de 1994, ele ligou o escapamento de sua picape ao interior da cabine usando uma mangueira. Horas depois, à beira do rio onde Carter brincava quando criança, a polícia encontrou seu corpo no banco dianteiro da picape – morreu pela inalação de monóxido de carbono; no banco traseiro, um bilhete que continha o seguinte trecho: “Eu estou depressivo…sem telefone…dinheiro para o aluguel…dinheiro para o sustento das crianças…dinheiro para as dívidas…dinheiro! Eu estou sendo perseguido pela viva memória de matanças, cadáveres, cólera e dor…pelas crianças famintas ou feridas…pelos homens loucos com o dedo no gatilho, mesmo policiais, executivos assassinos…” A opinião pública, a hipocrisia e o remorso que se sentimos diante de nossa vergonhosa impotência – esses abutres – enfim tinham seu cadáver; alimentaram-se da carniça, daquilo que fora Kevin Carter, o homem que mirou os olhos da miséria humana.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6659568764970523042-7074679157936040361?l=www.angelogirotto.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.angelogirotto.com/feeds/7074679157936040361/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2010/05/clube-do-bang-bang.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/7074679157936040361'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/7074679157936040361'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2010/05/clube-do-bang-bang.html' title='Clube do Bang-Bang'/><author><name>Girotto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00438584781970436915</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/TKD8r7vBmEI/AAAAAAAABSI/b_tWLMT9YVU/s200/Angelo+Girotto,+por+Humberto+Sales.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/S_s4P7JkziI/AAAAAAAABNU/WGGgkAAKLRE/s72-c/Kevin+Carter+-+garota+sudanesa+1994.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6659568764970523042.post-7815495202630922001</id><published>2010-05-14T15:33:00.002-04:00</published><updated>2010-07-25T12:32:59.425-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='futebol'/><title type='text'>Saco cheio de meninos da vila</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://esportes.r7.com/blogs/cosme-rimoli/files/2010/03/neymar.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="191" src="http://esportes.r7.com/blogs/cosme-rimoli/files/2010/03/neymar.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Entendam, não quero dizer que a cada excursão onanista extermino seleções suficientes pra vencer todas as copas vindouras. Nada disso. Estou apenas de saco cheio, cansado, abusado de tanto ouvir falar em meninos da vila.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pior não é a insistência em si. Um bom assunto, se bem trabalhado, rende muito. Mas a criatividade das pessoas anda falha, os textos que vejo nos portais, fóruns, blogues; que recebo por e-mail, twitter, orkut... todos iguais. &lt;i&gt;Os meninos da vila e seu futebol moleque... Trouxeram de volta a alegria pro futebol... Irreverente e alegre... Isso e aquilo...&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gente, enche o saco!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt; &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;Quer elogiar os caras, elogie. Mas arrume algo novo, minimamente original pra falar. Vejam as entrevistas do noticiário esportivo: Fernandão, do São Paulo, teve que responder o que achava da ausência de Ganso; o técnico do Grêmio, idem; só falta irem atrás de Diego Souza e antes de perguntar sobre sua relação com o Palmeiras soltar o velho E os meninos da vila, com seu futebol moleque e irreverente que trouxe de volta a alegria para os campos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chega! Adiante, só leio sobre o Santos um texto que não trouxer na mesma frase meninos da vila + futebol moleque + de volta a alegria do futebol. Nem que o conteúdo seja o mesmo, ao menos quero ler com palavras diferentes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6659568764970523042-7815495202630922001?l=www.angelogirotto.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.angelogirotto.com/feeds/7815495202630922001/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2010/05/saco-cheio-de-meninos-da-vila.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/7815495202630922001'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/7815495202630922001'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2010/05/saco-cheio-de-meninos-da-vila.html' title='Saco cheio de meninos da vila'/><author><name>Girotto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00438584781970436915</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/TKD8r7vBmEI/AAAAAAAABSI/b_tWLMT9YVU/s200/Angelo+Girotto,+por+Humberto+Sales.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6659568764970523042.post-2103998716196950448</id><published>2010-05-10T19:04:00.005-04:00</published><updated>2010-07-25T12:33:03.629-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ronda crônica'/><title type='text'>Camisinha, não</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/RkKDSaOq3TI/AAAAAAAAAVY/_MiuviicE50/s1600-h/camisinha.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5062753283419594034" src="http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/RkKDSaOq3TI/AAAAAAAAAVY/_MiuviicE50/s320/camisinha.jpg" style="cursor: pointer; float: right; margin: 0pt 0pt 10px 10px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/RkKC06Oq3RI/AAAAAAAAAVI/gPHevqGZ7cI/s1600-h/papa-Bento-XVI.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5062752776613453074" src="http://2.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/RkKC06Oq3RI/AAAAAAAAAVI/gPHevqGZ7cI/s320/papa-Bento-XVI.jpg" style="cursor: pointer; float: right; margin: 0pt 0pt 10px 10px;" /&gt;&lt;/a&gt;Quando chegou a seu trabalho no miolo da Zona Norte de Natal, Mariana Ribeiro sabia que faria a diferença. Passou a juventude – como militante do movimento estudantil – lutando por qualidade na educação e melhores salários pros professores “tão desvalorizados pelo governo”; continua atuando no mesmo cenário, mas mudou de papel – agora Mariana é professora. Pra ela, lecionar é a realização de um sonho, de um compromisso ético firmado ao longo de toda vida, sempre defendendo que a educação é o caminho pra edificação de um mundo melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em sua primeira semana de aula, foi confrontada pela realidade que conhecia por pesquisas, palestras e discursos. Dentre suas alunas adolescentes, viu muitas que estavam grávidas e ouviu sobre muitas que abandonaram a escola já tendo parido ou ainda muitos casos de jovens que adquiriram bem cedo DST's diversas (a própria Mariana se tornou mãe ainda muito jovem). Viu aí sua chance de intervir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na primeira oportunidade que teve, aproveitou pra expor ao corpo docente (aquele que possui o saber) sua preocupação. De antemão, se ofereceu pra trazer especialistas e militantes de diversas áreas que poderiam realizar palestras de orientação sexual, dando – por exemplo – dicas de como revestir adequadamente o pênis com uma camisinha e praticar sexo anal seguro aos discentes (que não possuem saber).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pra seu horror, sua ideia foi muito mal recebida por seus pares, que julgaram indecente tratar de tais assuntos na escola. Ela ainda argumentou, alegando que o sexo faz parte da vida e coisa e tal, mas seus colegas acreditavam que incentivar o uso de camisinha contraria os desígnios divinos e que o problema reside – de fato – na imoralidade dos jovens, que não namoram mais, ficam; que levam vidas sexuais promíscuas e escandalosas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A professora não conseguiu acreditar no que ouvia. Nunca imaginou tamanho atraso em pleno século XXI, justamente entre aqueles nos quais reside sua esperança de mudar o mundo. É que dentre as muitas pesquisas e análises que Mariana leu, deixou escapar um levantamento do INEP publicado recentemente e que avalia o nível de preconceito nos diversos segmentos escolares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando o assunto é homossexualismo, diferenças religiosas, étnicas, socioeconômicas ou culturais, o preconceito dentre os professores é disparado o maior dentro da escola, seguido pelos pais de alunos e em último – os menos preconceituosos – os discentes. E essa não foi a única decepção de nossa personagem. Com o contracheque, ela descobriu que toda aquela luta por melhores salários pros professores de nada lhe serviria, particularmente. Sendo professora substituta, Mariana não faz jus ao piso recém conquistado de R$ 950,00, ela recebe mesmo é remuneração de estagiário.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6659568764970523042-2103998716196950448?l=www.angelogirotto.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.angelogirotto.com/feeds/2103998716196950448/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2010/05/camisinha-nao.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/2103998716196950448'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/2103998716196950448'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2010/05/camisinha-nao.html' title='Camisinha, não'/><author><name>Girotto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00438584781970436915</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/TKD8r7vBmEI/AAAAAAAABSI/b_tWLMT9YVU/s200/Angelo+Girotto,+por+Humberto+Sales.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/RkKDSaOq3TI/AAAAAAAAAVY/_MiuviicE50/s72-c/camisinha.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6659568764970523042.post-1357643050023113863</id><published>2010-01-27T15:12:00.008-04:00</published><updated>2010-09-30T13:40:23.455-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='lendas urbanas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ronda crônica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='revista tá na cara'/><title type='text'>Santo à moda antiga</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/S2CPcDDpZYI/AAAAAAAAA2U/n1R9i1Y6i9A/s1600-h/casa+en+orden.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="277" src="http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/S2CPcDDpZYI/AAAAAAAAA2U/n1R9i1Y6i9A/s320/casa+en+orden.jpg" width="207" /&gt;&lt;/a&gt;João Rodrigues Baracho, está escrito no túmulo mais visitado do Cemitério do Bom Pastor neste Dia de Finados. Membros e órgãos em gesso e dos mais variados, coroas de flores, fotos, velas e ex-votos muitos ocupam todo o espaço reservado ao jazigo e mais; transbordam pelas adjacências; dominam completamente o cenário. &lt;span id="fullpost"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pernambucano radicado em Natal no crepúsculo da década de 50, Baracho fez morada na comunidade do Carrasco, tornando-se vizinho de trabalhadores mal remunerados e desempregados em geral. O forasteiro chegou com sua esposa Josefa Valentin e contava então com 30 anos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span id="fullpost"&gt;&lt;br /&gt;“Aqueles foram tempos de populismo (&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span id="fullpost"&gt;quando não foi?), e com a eleição do candidato do PSD a governador Aluízio Alves esse fenômeno se exacerbou” nos relata o acadêmico Claudio Wágner, da UERN. O sentimento de mudança e esperança que na política tinha sua manifestação mais avançada na campanha pelas reformas de base, no imaginário popular – segundo o acadêmico - deu fôlego a algumas das mais interessantes lendas urbanas de nossas plagas. Foi por essa época que ganharam força as histórias da papafigo Viúva Machado (ver mais na próxima edição) e do senador João Câmara, que teria pactuado com o Diabo pela sua vitória eleitoral. Baracho logo faria parte desse panteão.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span id="fullpost"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos seus primeiros anos em Natal, Baracho sobreviveu de bicos pelo Alecrim, Ribeira e Cidade Alta. Farrista notório, sua fama de mulherengo e libertino foi o primeiro indício do potencial folclórico latente de sua figura – as carolas da comunidade enrubesciam ao pronunciar seu nome. Em suas andanças, acabou conhecendo um novo amor, Maria Lúcia, com quem passou a viver. Foi por essa época que, cansado de fazer bicos, operou outra importante mudança em sua vida: entrou pro comércio de baseados na comunidade do Carrasco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A venda de cigarros de maconha aparentemente se mostrou bem mais rentativa que sua antiga ocupação. Os que ainda entre nós viveram aquele período relatam que rapidamente Baracho construiu um admirável patrimônio que ia de casas comerciais a granjas. Mas como o movimento das bocas parecia obviamente insuficiente para justificar seu progresso econômico em muito superior ao milagre brasileiro, logo surgiram murmúrios que davam conta de um pacto celebrado entre João Baracho e o Tinhoso de muitos nomes; a alma pelo dinheiro, diziam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tempos depois, o próspero protegido da Estrela da Manhã foi flagrado num arrombamento no bairro das Quintas, quando todos passaram a saber que era ele o autor dos sucessivos roubos de que o comércio natalense fora vítima. Esse flagrante bem poderia ter servido à desmitificação de Baracho, uma vez que agora se sabia que ele abastecia seus estabelecimentos comerciais com os produtos de arrombamentos que realizava com o apoio de um bando, daí fazendo sua fortuna. Mas não foi o que ocorreu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/S2CQnyTBVFI/AAAAAAAAA2c/0WDj7OszPkU/s1600-h/pie.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://3.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/S2CQnyTBVFI/AAAAAAAAA2c/0WDj7OszPkU/s320/pie.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;João Rodrigues Baracho passou uns poucos dias na delegacia da Ribeira, após sua captura. A fuga – ao que se contava inexplicável – do pernambucano acabou por lhe render ainda maior notoriedade. Agora ele era a personalidade popular mais comentada da cidade; seu nome circulava Natal à boca miúda. Grande parte da população o temia vigorosamente, sobretudo após ganharem o conhecimento geral as suspeitas de que seria ele o autor da série de assassinatos de taxistas que horrorizava a capital; suspeitas que a polícia confirmaria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas se grande parte da cidade tremia ao o som de seu nome, na comunidade do Carrasco onde fincou raízes e noutras com as quais mantinha vínculos ele era reverenciado. “Mão aberta”, como contam, atribuem-lhe uma gama de atos generosos e desprendidos em favor dos mais carentes que lhe renderam nessas comunidades a fama de Robin Hood natalense; alguns diziam que ele era um enviado de deus à terra pra cuidar dos mais pobres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A essa altura, Baracho era citado pela cidade como “o incapturável”, “o homem que se invulta” (o tráfico nas comunidades, ele deixará há algum tempo sob os cuidados de suas muitas amantes). Natal era palco de uma intensa caça ao homem que todos acreditavam ser impossível pegar. De tempos em tempos surgiam novas histórias sobre fugas recentes e façanhas de Baracho em sua peleja com a polícia; assim crescia sua fama. Num dia de muito sol, após horas de espera numa emboscada, as forças policiais alvejaram o incapturável que fugiu buscando se esconder no morro dos Guarapes. Acuado e ferido, foi lá que morreu a balas João Rodrigues Baracho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O corpo do homem que já não mais se invultava foi exibido por toda cidade em cima de um jipe, numa demonstração da força policial. A clássica e boa cena de faroeste chocou a população do Carrasco, que comovida lotou o cemitério do Bom Pastor em seu enterro. Cinco anos após sua morte violenta, Baracho operava nova façanha: um milagre. Uma senhora que alegava ter-lhe feito promessa comemorava a cura de sua filha paralítica. Depois dessa estreia, diversos outros milagres foram atribuídos a promessas feitas a Baracho. A igreja católica nem faz menção de reconhecer sua santidade, talvez por alguma recente cautela ao associar sua imagem a de pessoas com histórico de crimes e violência. Contudo, o povo continua a peregrinar para seu túmulo em busca de graças impossíveis. Baracho é um santo à moda antiga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="color: #444444; text-align: right;"&gt;&lt;span id="fullpost"&gt;&lt;i&gt;publicada originalmente na revista &lt;b&gt;tá na cara!&lt;/b&gt; nº 3&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #444444; text-align: right;"&gt;&lt;span id="fullpost"&gt;&lt;i&gt;ilustrações de Andrés Casciani&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span id="fullpost"&gt;&lt;i style="color: #444444;"&gt;colaborou José Gilderlei&amp;nbsp;&lt;/i&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span id="fullpost"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6659568764970523042-1357643050023113863?l=www.angelogirotto.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.angelogirotto.com/feeds/1357643050023113863/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2010/01/santo-moda-antiga.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/1357643050023113863'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/1357643050023113863'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2010/01/santo-moda-antiga.html' title='Santo à moda antiga'/><author><name>Girotto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00438584781970436915</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/TKD8r7vBmEI/AAAAAAAABSI/b_tWLMT9YVU/s200/Angelo+Girotto,+por+Humberto+Sales.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/S2CPcDDpZYI/AAAAAAAAA2U/n1R9i1Y6i9A/s72-c/casa+en+orden.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6659568764970523042.post-3923868354149678583</id><published>2009-12-19T14:21:00.004-04:00</published><updated>2010-07-25T12:33:19.315-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sobre política'/><title type='text'>Repórter para o mundo</title><content type='html'>As faculdades de jornalismo adotaram o lide como panaceia do texto contemporâneo, uma espécie de salvação do ramo profissional. Elas acreditam que o bom jornalismo está em crise, que a profissão não vive seu melhor momento. Pra superar esse mau momento, formam compositores de lides pouco criativos e profundidade, formam jornalistas. É por isso que prefiro o termo repórter, apesar de ser – essencialmente – uma distinção meramente emocional, pois um repórter é – tecnicamente – um jornalista. Mas sigamos com o repórter.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tive a oportunidade de fazer uma reportagem sobre a vida de trabalhadores subempregados na cidade de Natal pra disciplina do professor Emanoel Barreto. Mais que uma boa reportagem (foi mesmo uma boa pauta, tanto que o texto sairá publicado com destaque na 4ª edição da revista tá na cara!, que sai em janeiro – não deixem de comprar), aprendi sobre o porquê de gostar tanto desta atividade. &lt;span id="fullpost"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito jornalistas se renderam a essa nova realidade de superinformação. São tantos dados, tantas coisas que sabemos cada vez mais rápido que sequer temos tempo de pensar a respeito. E os jornalistas do corriqueiro seguem derrubando mais e mais informação em cima do leitor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas esse é o único caminho do jornalismo. Na reportagem, podemos superar a enorme limitação do excesso de informação inútil e transformá-lo em conteúdo. Existe um mundo vasto e dinâmico, onde forças gigantescas se confrontam cotidianamente; um mundo longe das faculdades de jornalismo. Interpretá-lo, trazer à tona seus aspectos mais sutis e determinantes, desnudá-lo é papel do repórter.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, acredito no grande papel que o repórter pode desempenha se tiver compromisso com a realidade social de seu povo, sensibilidade para os problemas de sua época, dedicação e honestidade para com seus concidadãos. Tudo isso faz do repórter mais que um produtor em série de lide, torna-lhe um agente ativo da compreensão de nosso mundo, que talvez instrumentalize àqueles que pretendem transformá-lo. É claro que um texto prazeroso e fluido ajuda, afinal, seria bom que no processo de entendermos o mundo não morramos de tédio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É isso, lenta e preguiçosamente, estamos a voltar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Felicidades a todos e bom fim de ano.  &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6659568764970523042-3923868354149678583?l=www.angelogirotto.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.angelogirotto.com/feeds/3923868354149678583/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2009/12/reporter-para-o-mundo.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/3923868354149678583'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/3923868354149678583'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2009/12/reporter-para-o-mundo.html' title='Repórter para o mundo'/><author><name>Girotto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00438584781970436915</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/TKD8r7vBmEI/AAAAAAAABSI/b_tWLMT9YVU/s200/Angelo+Girotto,+por+Humberto+Sales.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6659568764970523042.post-9157960526556374602</id><published>2009-11-21T12:43:00.005-04:00</published><updated>2010-07-25T12:33:27.352-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='futebol'/><title type='text'>Carta Aberta a Luiz Gonzaga Belluzzo</title><content type='html'>Caro Belluzzo,&lt;br /&gt;o futebol é fantástico pela imponderabilidade que torna possível a um time em momento difícil ver um de seus jogadores marcar um dificílimo gol de cabeça ao recuar para alcançar a bola, agarrado pela marcação adversária; imponderabilidade que torna possível uma mudança de postura, a posse de auto-confiança e a inauguração de uma fase vitoriosa a partir desse gol – um gol que pode valer um título, eis a mágica do futebol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nosso time – sob seu comando – enfrentou grandes dificuldades, a partir da decisão de disputar os jogos dentro de campo. Bem sabemos de como é possível ao juiz conduzir um jogo e ditar seu ritmo. E há ainda instrumentos mais sórdidos. Mas não só na arbitragem se corrompe o futebol, muitos outros interesses obscuros entram em campo antes dos jogadores, antes até da marcação da tabela. Verdades que todos conhecemos, mas que careciam de um porta-voz à altura. Estou orgulhoso que este seja um palmeirense.&lt;span id="fullpost"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito se ativeram os apaziguadores aos alegados exageros de sua reação. Dizem que esta destoou de sua biografia. Bem pelo contrário, a paixão – e mesmo a fúria – com que você reagiu, mostram que persiste um homem digno, esperançoso e – portanto – ainda capaz de se indignar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua atitude foi um grande serviço ao futebol brasileiro, não apenas ao Palmeiras. Os milhões que gastam o dinheiro que lhes falta para o cinema, teatro e outras necessidades, comprando camiseta oficial e ingresso para assistir a seus times, esses milhões enfim são respeitados por um cartola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca estive tão orgulhoso de meu time. Mais que o título, nesse ano ganhei confiança no meu clube, a certeza de que nossas vitórias são frutos da garra e do talento; que estamos nos preparando para grandes conquistas. Sou hoje muito orgulhoso de ser palmeirense, e ando com a cabeça erguida. Por isso quero lhe agradecer, Belluzzo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Angelo Girotto&lt;br /&gt;Brasileiro e palmeirense &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6659568764970523042-9157960526556374602?l=www.angelogirotto.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.angelogirotto.com/feeds/9157960526556374602/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2009/11/carta-aberta-luiz-gonzaga-belluzzo.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/9157960526556374602'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/9157960526556374602'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2009/11/carta-aberta-luiz-gonzaga-belluzzo.html' title='Carta Aberta a Luiz Gonzaga Belluzzo'/><author><name>Girotto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00438584781970436915</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/TKD8r7vBmEI/AAAAAAAABSI/b_tWLMT9YVU/s200/Angelo+Girotto,+por+Humberto+Sales.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6659568764970523042.post-1555873225193981984</id><published>2009-10-18T20:44:00.005-04:00</published><updated>2011-01-22T22:55:30.167-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='reportagem'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='revista tá na cara'/><title type='text'>Juliano</title><content type='html'>A revista Tá na Cara! publica na sua próxima edição o perfil que resultou de uma longa e produtiva entrevista de 10 horas com o líder comunista Juliano Siqueira. Aqui, você lê com exclusividade a introdução do texto que estará nas bancas em setembro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Naquela noite de 7 de setembro, meia dúzia de oradores já haviam se revezado em suas análises conjunturais e palavras de ordem, em cima de um pequeno trio elétrico, na rua lateral à Igreja Matriz de Macaíba. Era 1998, os movimentos sociais de todo país estavam mobilizados em seus estados para denunciar os efeitos da política neoliberal do governo de Fernando Henrique Cardoso e alertar à população sobre a necessidade de conduzir Lula e Brizola ao 2º turno das eleições presidenciais; menos de 1 mês depois, Fernando Henrique seria reeleito já no 1º turno. &lt;span id="fullpost"&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/__0jElg94hxA/So2SYNdf7kI/AAAAAAAAAAM/lsnSaYuBDk0/s1600-h/juliano+2.png" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5372110875150773826" src="http://3.bp.blogspot.com/__0jElg94hxA/So2SYNdf7kI/AAAAAAAAAAM/lsnSaYuBDk0/s320/juliano+2.png" style="cursor: pointer; float: left; height: 118px; margin: 0pt 10px 10px 0pt; width: 320px;" /&gt;&lt;/a&gt;A militância de partidos de esquerda, entidades estudantis e sindicatos agitava suas bandeiras e entoava palavras-de-ordem nem sempre convergentes. Na calçada – entre os manifestantes e a igreja – uma banda local testava os instrumentos para a apresentação que faria assim que os discursos se calassem. Em meio a essa algazarra, sequer pudemos ouvir quando o locutor anunciou o 7º orador da noite, que logo começou seu discurso: “Companheiros e companheiras, amigos e amigas”; depois destas poucas palavras fez uma breve pausa. Nos segundos entre a saudação de Juliano Siqueira e a continuação de seu discurso, uma onda súbita de silêncio teve início diante dos autofalantes e se estendeu até o último dos manifestantes, fazendo com que bandeiras baixassem por todo caminho como uma ola no estádio; a banda parou imediatamente sua inconveniente preparação e todos se calaram. Olhei para o amigo Anderson a meu lado; a nossa bandeira era a única ainda em pé – tratamos de baixá-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Juliano Homem de Siqueira Cavalcanti – então vereador em Natal e dirigente do PCdoB (Partido Comunista do Brasil) – prosseguiu sua intervenção que durou ainda 20 minutos, sem uma única interrupção. Falou do difícil momento que os país atravessava, da força que possuía o governo, nosso inimigo, e da necessidade de mantermos a esquerda unida, porque a batalha do outubro que se anunciava teria repercussão em nossas vidas por muito tempo além daquele ano de 1998; que era mister derrotarmos o projeto neoliberal e, ainda, que pra isso era necessário acumular forças, fazer alianças e persistir – com sua voz grave que calara a multidão, falou sem ser interrompido. 4 anos depois, Lula era eleito presidente da república com 52 milhões de votos. Na Avenida Paulista, poucos minutos após o fim da apuração e acompanhado por centenas de milhares de pessoas, eu aguardava a chegada de Lula para seu 1º discurso como presidente eleito do Brasil e lembrei das palavras de Juliano Siqueira 4 anos atrás e sorri um riso que ninguém reparou – naquele mesmo momento, todos sorriam, afinal.&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6659568764970523042-1555873225193981984?l=www.angelogirotto.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.angelogirotto.com/feeds/1555873225193981984/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2009/10/juliano.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/1555873225193981984'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/1555873225193981984'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2009/10/juliano.html' title='Juliano'/><author><name>Girotto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00438584781970436915</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/TKD8r7vBmEI/AAAAAAAABSI/b_tWLMT9YVU/s200/Angelo+Girotto,+por+Humberto+Sales.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/__0jElg94hxA/So2SYNdf7kI/AAAAAAAAAAM/lsnSaYuBDk0/s72-c/juliano+2.png' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6659568764970523042.post-8003677390479258687</id><published>2009-09-30T20:48:00.004-04:00</published><updated>2010-07-25T12:47:19.132-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ronda crônica'/><title type='text'>Crucificado Jesus Cristo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Como trabalho na universidade tive de escrever uma matéria sobre a crucificação de Jesus. Tinha que ser objetiva e imparcial, sem análise ou literatura. Talvez por isso tenha ficado de um jeito que um cristão possa ler sem ficar muito enojado. Infelizmente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jesus Cristo, autoproclamado Rei dos Judeus, foi crucificado na tarde de ontem pelas forças do Império Romano, no monte Calvário, na região de Jerusalém. Ele foi acusado e condenado por blasfêmia ao se proclamar o Messias (enviado de Deus, segundo as tradições judaicas, que uniria o mundo numa comunidade universal e com seu sacrifício pagaria pelos pecados humanos). Até a zero hora local, dezenove horas pelo fuso-horário de Brasília, nenhum parecer médico oficial sobre seu estado foi publicado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caso não morra até o amanhecer, previsto para as cinco horas e quarenta e dois minutos em Jerusalém, em decorrência dos ferimentos e traumas psicológicos sofridos, Cristo será executado com a introdução de uma lança na região abdominal, que deverá perpassar pulmão e coração levando-o à morte, conforme a lei romana que dita que os condenados não podem viver até o nascer do sol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt; Via Crucis&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Em Jerusalém os relógios indicavam a chegada do meio-dia quando teve início o procissão dos três condenados que seriam crucificados em breve nos arredores da cidades, entre eles Jesus Cristo, suposto Rei dos Judeus, o Messias das profecias do Antigo Testamento da tradição judaica. Do Pretório de Pôncio Pilatos partiram em direção ao monte Clavário, onde seria realizada a crucificação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma grande multidão se fez presente em todo trajeto. A grande maioria expressava seu contentamento pela condenação daquele que é considerado oficialmente um herege. Oficias das forças militares romanas garantiam o controle da situação e executavam os castigos físicos dos quais os três condenados eram vítimas. Eles ainda tiveram que carregam as cruzes nas quais seriam finalmente executados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O trajeto, permeado por muitas paradas devido ao deplorável estado físico dos condenados, durou três horas, até todos, condenados, soldados e populares, chegaram ao local da crucificação. Eram quinze horas quando os três homem foram deitados em suas respectivas cruzes e tiveram seus punhos e tornozelos pregados na madeira. Então, os soldados responsáveis pela execução da condenação, eriçaram as peças de madeira e fincaram-nas em buracos previamente cavados no solo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Dor e agonia&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Dos três condenados que foram enforcados, Cristo foi o único que ainda teve o alento de vozes solidárias. Poucos indivíduos dentre a multidão se dispuseram a manifestar solidariedade ao hebreu que se dizia Messias. Na opinião de um desses que manifestaram seu apoio, as pessoas “têm medo de serem presas e perseguidas pelo romanos” caso demonstrem simpatia por Jesus Cristo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa exortação pública à obediência, os soldados chicotearam insistentemente Jesus Cristo enquanto ele arquejava exaurido pelo peso que era obrigado a carregar. A menos de um terço do trajeto Jesus sucumbiu ao chão, impossibilitado de prosseguir. Um popular que tentou ajudá-lo a se levantar foi impedido e ele teve de se reerguer sozinho, estimulado pelo soldado que voltava a chicoteá-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desidratado e perdendo muito sangue, Jesus parecia não ter mais condições de prosseguir seu trajeto. Por isso permitiram que lhe fosse oferecido água, misturada com vinagre, que segundo a tradição local potencializa a reidratação do corpo. Os outros dois seguiram ignorados pela multidão, mas também apanhando muito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;O menino&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Jesus Cristo nasceu na cidade de Belém da Judeia, território pertencente ao vasto Império Romano. Conta hoje, provável dia de sua morte, com trinta e três anos. Filho de um carpinteiro conhecido por José e sua esposa Maria, Jesus e seus seguidores sempre acreditaram que ele fora concebido por ação milagrosa do Espírito do Deus da religião hebréia. Seu própria teria declarado, pelo que reza a tradição oral, que seu advento não requisitou cópula, não sendo portanto fruto de nenhum evento natural previsto até seus dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mãe de Jesus disse ter recebido de um anjo a mensagem de que gestaria e traria ao mundo o Filho de Deus. E foi com essa grande responsabilidade que o menino Jesus cresceu. Sua infância foi vivida quase toda em Nazaré, grande centro da província romana da Judeia. Por isso, ele é conhecido por muitos como Jesus de Nazaré, ou simplesmente o nazareno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mateus, um dos seguidores de Cristo (ou cristão como se tem chamado), disse que recenseamento realizado a pedido do imperador Otávio Augusto levou José, da cidade de Belém, a conduzir Maria até esta cidade. Lá teria nascido nascido Jesus, numa pobre manjedoura.&lt;br /&gt;Contam os cristãos que três sábios reis teriam chegado à manjedoura guiados por uma estrela que se lhes apresentou por todo caminho. O trio real vindo da Pérsia teria ofertado em homenagem ao menino Deus uma grande riqueza em material aromático e ouro. Apesar disso, ao que se sabe, Jesus teve um infância humilde, sem grandes regalias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pouco conseguimos aferir sobre sua educação. Apenas sabemos que passou um longo período de sua adolescência no deserto, em companhia de tutores, onde acreditasse tenha sido instruído sobre as coisas do mundo ao qual se propôs salvar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;O homem&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Acredita-se que Jesus morrerá virgem – é isso que defendem seus seguidores – mas há grande desconfiança sobre a natureza de suas relações com uma seguidora de nome Maria Madalena, notória prostituta a quem salvou de um apedrejamento utilizando-se de potente oratória, pela qual é admirado mesmo por seus inimigos. Jesus não casou, oficialmente não tem filhos e nem deixa herdeiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jesus também não fez riqueza que pudesse desejar repassar. Levou uma vida de peregrinação e pregação. Seus dotes retóricos são famosos em toda região da Judéia, e apesar de ser pouco conhecido fora de seu território, ele tem mobilizado uma gama cada vez maior de seguidores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;O mito&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Pregando a paz, Jesus fez da oratória sua grande arma. Pregando em toda região construiu sólida reputação entre uma expressiva parcela dos hebreus, que são o maior povo da região. Como a região está há muito tempo sob o domínio do Império Romano, sua liderança passou a ser a esperança de libertação de libertação de muitos judeus que se opunham ao domínio romano em seu território.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas Jesus não se propunha a ser o libertador político de seu povo. Num famoso episódio que percorre a regia através da transmissão oral, Jesus teria expulsado comerciantes de um templo e disse, na ocasião a célebre frase “Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus”, declarando então que pretendia entrar no campo da política ou economia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jesus disse que era um líder espiritual, e nesse campo, seus seguidores lhe atribuem uma vasta quantidade de feitos notáveis – os milagres de Jesus. Segundo os cristãos, seu Messias teria curado um homem da lepra, transformado água em vinho e pedra em pão na festa de casamente de um parente, feito ressuscitar um homem entre outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt; O julgamento&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;A pena de morte foi solicitada pelos líderes religiosos do próprio povo de Jesus, que veem nele uma ameaça à integridade da fé de seu povo e também uma ameaça à sua liderança. O prefeito da Judeia, Pôncio Pilatos, foi quem chefiou julgamento. Pilatos declarou que via motivos para a condenação de Jesus, homem que julgou inofensivo na breve entrevista que nos concedeu (íntegra da entrevista segue na página 12).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No momento crucial do julgamento de Jesus, Pilatos apelou a uma suposta tradição judaica e declarou ao volumoso contingente de hebreus abaixo de seu púlpito "Tendes o costume de que eu vos livre um homem por ocasião da páscoa." Com isso, conforme nos disse na entrevista, Pilatos pretendia que o povo de Jesus o libertasse. Então foi oferecido à população que libertasse Jesus ou Barrabás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Barrabás é o líder dos ilotas – uma das tribos da Judeia – e fora condenado à morte por ser líder da resistência judia contra o domínio romano. Ao contrário de Jesus, Barrabás defende o uso da força para conquistar seus objetivos. Entre os dois, a população preferiu libertar o guerreiro, condenando o pacifista à morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa cena dramática, Pôncio Pilatos lavou as mãos e disse que fazia o mesmo em relação ao destino de Jesus. Em três horas ele era crucificado após grande sofrimento e humilhação. Seus seguidores se espalharam por toda região numa tentativa de escapar à prisão. Jesus nunca mais verá o sol.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6659568764970523042-8003677390479258687?l=www.angelogirotto.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.angelogirotto.com/feeds/8003677390479258687/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2009/09/crucificado-jesus-cristo.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/8003677390479258687'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/8003677390479258687'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2009/09/crucificado-jesus-cristo.html' title='Crucificado Jesus Cristo'/><author><name>Girotto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00438584781970436915</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/TKD8r7vBmEI/AAAAAAAABSI/b_tWLMT9YVU/s200/Angelo+Girotto,+por+Humberto+Sales.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6659568764970523042.post-3146982930149508977</id><published>2008-12-09T22:38:00.000-04:00</published><updated>2010-05-09T20:20:45.848-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sobre política'/><title type='text'>Transparência e liberdade de informação</title><content type='html'>A existência da liberdade de imprensa é um dos grandes mitos de nossa era. Fala-se no papel da internet como veículo incensurável e livre, transmissor irreprimível de informações e idéias. Nesse contexto, uma suposta transparência acerca da gestão do bem público, bem como do processo político, é alimento da propaganda oficial e do proselitismo das correntes oposicionistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Supostamente, pela rede mundial de computadores todas as informações nos chegam indiscriminadamente, tornando públicas as verdades mais escamoteadas, negligenciadas e escondidas. Portais de fiscalização do gasto público, blogues e até rede de e-mails surgem aos milhares com o discurso da efetivação democrática, da defesa da transparência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo, a própria multiplicidade de fontes de informação acaba por fortalecer uma tendência da imprensa tradicional que se reafirma na internet: a concentração da informação. Grandes portais promovem os blogues mais acessados; blogues independentes se cooperam e estabelecem parcerias com grandes portais, agindo cada vez mais profissionalmente e com o profissionalismo assumindo toda sorte de compromissos mercadológicos, de limites e novas necessidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O caso da Operação Impacto é exemplar na análise da ausência de transparência e liberdade de imprensa. A grande imprensa natalense pouco disse, apesar da extensa cobertura. Os blogues mais lidos se limitaram às fofocas e à “imparcialidade” e os poucos e pequenos veículos que ousaram falar algo a mais demonstraram a completa ineficiência de suas fontes, a incapacidade de apurar e falta de credibilidade que caracterizam sua ação amadora e independente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, os movimentos que reivindicam novas formas de mobilização e novas bandeiras e que fazem da ética e da transparência suas bandeiras de ordem – apesar de estarem em voga – limitam-se a casuísmos e ações de impacto midiático. O que parece acontecer é que a transparência virou bandeira de interesses obscuros e a liberdade de imprensa permanece o que sempre foi: sonho de uns, ilusão de outros e estelionato em larga escala.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6659568764970523042-3146982930149508977?l=www.angelogirotto.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.angelogirotto.com/feeds/3146982930149508977/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2008/12/transparncia-e-liberdade-de-informao.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/3146982930149508977'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/3146982930149508977'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2008/12/transparncia-e-liberdade-de-informao.html' title='Transparência e liberdade de informação'/><author><name>Girotto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00438584781970436915</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/TKD8r7vBmEI/AAAAAAAABSI/b_tWLMT9YVU/s200/Angelo+Girotto,+por+Humberto+Sales.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6659568764970523042.post-986616700221917768</id><published>2008-11-27T19:04:00.005-04:00</published><updated>2010-05-09T20:41:12.976-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='reportagem'/><title type='text'>Cidade Aberta</title><content type='html'>Meus queridos,&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;faz tempo que desejo retornar às atividades deste blogue, contudo, sempre frustrado. Creio que minha coluna enfim se adaptou razoavelmente à vida de trabalhador com horários e essas coisas. O blogue permanece dedicado a crônicas, mas abrirei espaço para publicar outras coisas que tenho escrito e que desejo muito que possam ser lidas pela dúzia de frequentadores deste blogues - dúzia que pude perceber a grande importância de sua atenção e de seus comentários nessa minha longa e cansativa ausência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A reportagem que segue foi publicada na segunda edição da &lt;span style="color: red; font-weight: bold;"&gt;Revista Tá na Cara!&lt;/span&gt;, que está nas bancas - comprem! Como acabei não percebendo alguns erros na finalização do arquivo para impressão, a reportagem saiu com falhas relevantes (trechos cortados), assim vai aqui uma chance de alguém lê-la e comentá-la. Ela é muita grande , mas alguém haverá de criar a coragem necessária para encará-lo. Até logo; estou feliz - ou algo parecido - em voltar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="color: #cc6600; font-size: 130%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Cidade Aberta&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;"Aquele foi o melhor dos tempos, foi o pior dos tempos; aquela foi a idade da sabedoria, foi a idade da insensatez, foi a época da convicção, foi a época da descrença, foi a estação da Luz, a estação das Trevas, a primavera da esperança, o inverno do desespero; tínhamos tudo diante de nós, não tínhamos nada diante de nós, íamos todos direto ao Paraíso, íamos todos direto no sentido contrário." &lt;/span&gt;(Charles Dickens)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/SS8zaDs1YQI/AAAAAAAAAd0/GruQDe5lxBA/s1600-h/Muro+final.png" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5273490211437109506" src="http://3.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/SS8zaDs1YQI/AAAAAAAAAd0/GruQDe5lxBA/s400/Muro+final.png" style="cursor: pointer; display: block; height: 190px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 400px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Dos muitos caminhos que levam a Natal, quase todos passam pela entrada Sul, nos limites com o município de Parnamirim, via BR 101. Duas vias amplas, separadas por verdes canteiros carinhosamente regados; as margens adornadas por extenso tecido igualmente verdejante, flores e arbustos alegres e gentis dão as boas vindas aos felizes visitantes da Cidade do Sol, Cidade Presépio – a Cidade dos Reis Magos. Inclusive estes se apresentam, abraçando os recém-chegados e lhes apontando o melhor caminho com a mesma estrela que há tempos os guiava em outra viagem, em terra natal de outros messias.&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No encontro da BR 101 com a 304, um vistoso viaduto em meio ao nada sinaliza a todos que a entrada larga, larga permanecerá por ainda muito tempo. O oposto se pode supor da paisagem. Obra tão ostensiva antecipa a leva de prédios – condomínios residenciais, supermercados etc – que aguardam seu momento de buscar os céus, juntar-se ao viaduto e aos milenares peregrinos. Na chegada, sabemos que estamos numa cidade que anseia pelo progresso – uma cidade aberta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Isso é Natal&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;A cidade aberta tem muitos caminhos, após adentrada. É possível – no entanto – percorrendo apenas um deles se conhecer o que de mais apto ao desfrute ela oferece. Pelas largas vias da BR 101 se tem acesso à Estrada de Ponta Negra, que leva à praia homônima e ao ilustre Morro do Careca. Daí, através da Via Costeira ou da Rota do Sol, o visitante pode chegar aos extremos geográficos da zona turística de Natal. O cajueiro, que tamanho orgulho nos dá; a Barreira do Inferno, berço da política aeroespacial brasileira!; as belas praias do Litoral Sul e a zona livre de Pipa, nacionalmente festejada. Os hotéis de múltiplas estrelas à beiramar, o forte que não mais vigia, Ponta do Morcego e Praia do Meio, Litoral Norte, suas dunas e praias. Todos os cartões postais interligados e – graças à Ponte Newton Navarro, por meses a maior do país, dentre as estaiadas – a poucos minutos de viagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Natal, o melhor da culinária também está nas belas vias. Paladares do mundo procuram os sabores de nossa biodiversidade marinha, da criatividade de nossos chefes, dos aromas de nossos matos e da quentura de nossos caldeirões. Sofisticados menus engendram uma experiência parlativa única através do incremento de técnicas da nouvelle cuisine enriquecidas por ingredientes nativos. Onde mais se pode comer um risoto de camarão e castanhas de caju, com o típico gosto do bem adaptado coentro e pitadas de regionalismo aqui e acolá? A Noiva do Sol também muito agrada por seus preços – melhores em euro que em dólar, devido às intempéries cambiais. Um prato regional nos padrões da cozinha internacional pode sair por R$ 50, servindo a duas pessoas com fartura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A beleza e receptividade de nossas mulheres encantam os cidadãos do mundo que se aventuram pelo fascínio dos trópicos, onde o continente faz a curva para prolongar tão belo litoral. Flanam nossas belas concidadãs pelas ruas ilustres da cidade aparentemente sem noção do efeito lírico de suas presenças. Às noites, encontramo-las – em grande número e graça – nas agitadas casas noturnas da Orla de Ponta Negra, exibindo todo potencial e alegria de viver que anunciamos ao mundo em comerciais ensolarados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na Via Costeira, um parque hoteleiro – moderno e dinâmico – oferece o que de melhor dispõe o setor, reservando aos hóspedes faixas de areia e mar praticamente exclusivas, que contam – além do policiamento da guarda pública – com guarida especial, mantida pelos estabelecimentos de capital internacional que fomentam o progresso na região.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Italianos, portugueses, espanhóis, escandinavos e outros tantos já fazem de Natal uma das cidades com maior população estrangeira de todo país. Praticante de um cosmopolitismo muito original e único, a eterna Nova Amsterdã não sai do pensamento de seus filhos que – em viagens recorrentes ao velho mundo e ao centro nervoso da Terra – propagandeiam as maravilhas e o orgulho deste lugar com ares de Europa perdida nos trópicos, saudosa de quando ambas foram Rodínia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem conhece Natal através de suas principais vias – seu corredor turístico – sabe porquê da fama de cidade amena e aconchegante, segundo lar de tantos que já foram apenas visitantes. Toda a tranquilidade da pequena cidade com as opções da metrópole. Luxo, requinte, sofisticação e alma rústica conferem a Natal personalidade que por uns pode ser descrita como um tanto kitsch, por outros muito cool, mas que melhor se traduz nas palavras de um certo Pedro quando diz que isso é Natal e aqui ninguém se dá muito mal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666; font-weight: bold;"&gt;É manhã, estamos em agosto e faz sol&lt;/span&gt;. Por três dias a cidade mais ensolarada do Brasil esteve sob forte chuva. Foram três dias sem grandes aparições solares; praias vazias e ruas abarrotadas de guarda-chuvas e capas nos mais variados tons. Neste dia, faz sol. O céu limpo promete boa-aventurança. Turistas saem cedo para o café da manhã, alguns mal comem, na expectativa de conferir enfim as promessas que lhes trouxeram a estas terras: sol, praia e felicidade – que assim juntos até parecem redundantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As barracas a beiramar reforçam seus estoques de caranguejo, camarão, água de coco e cerveja. A cidade se prepara para a grande festa do mergulho e do bronzeado; a grande festa que esteve contida pelos dias de chuva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mal abriram-se os guarda-sóis, porém, nuvens persistentes ressurgem no céu, esvaziando as praias e abarrotando novamente as ruas de toda sorte de aparatos. Quem se planejara para um dia de praia, logo descobre que nossa cidade tem ainda muito mais a oferecer – sem contar com outras atrações turísticas potiguares, como os festivais gastronômicos que se oportunam de nosso “inverno” para trazer à tona hábitos pouco comuns na região, como o fundi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já chove há horas. O casal mineiro em lua-de-mel enfim desiste de esperar pelo sumiço das nuvens e resolve retornar ao hotel. Antes, comeram uma porção de camarão ao alho e óleo, outra de carne-de-sol – sem macaxeira – e duas ostras o amado, uma a amada; saíram satisfeitos. O noticiário alarma: até as ruas do centro e vias importantes da cidade – como a Prudente de Morais – estão alagadas; as águas invadem teatros, atolam carros, atrasavam trânsito. Mas daqui a poucas horas - passado o auge da torrente,  - o trânsito voltará a fluir; estudantes universitários, profissionais liberais e funcionários públicos retomarão posse de seus ambientes de lazer e erudição; a Cidade Bela escoará suas mazelas, as belas vias estarão secas e o porvir será uma estrada ampla terminando numa praia ensolarada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Que é isso?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Vindos da praia de Jenipabu, dois amantes terão o prazer de vislumbrar no caminho quase toda a cidade, vista do alto da ponte Forte-Redinha. As belezas de nosso litoral norte – por muito tempo – estiveram distantes dos turistas por um inconveniente flagrante: as precárias condições do trânsito na Ponte do Igapó. Com a novíssima Ponte de Todos, todos – sobretudo os visitantes – agora têm acesso privilegiado às praias pós Potengi sem ter que passar pelo emaranhado de bairros populares que constitui a Zona Norte de Natal. É por isso que, no meio do caminho, os simpáticos amantes perderam a oportunidade de conhecer o Loteamento José Sarney, situado a poucos minutos de seu trajeto, mas separado dele por incontáveis barreiras, a começar pela largura de suas vias. No loteamento José Sarney também chove há três dias; lá, como nas vizinhanças litorâneas e num certo quarto 220 de hotel na Via Costeira, comemorou-se muito o dia de céu limpo que a manhã anunciara. Alegria que – por seus peculiares motivos – era ainda maior que a de comerciantes e turistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os moradores do Loteamento José Sarney comemoravam a possibilidade de ver a água lamacenta desocupar os cômodos de suas casas, invadidas pelas lagoas que se formam sempre que chove em Natal – sobretudo nos bairros populares com precária infra-estrutura. Lá – apenas na região mais atingida – moram cerca de 2 mil pessoas. Vemos desde casas de alvenaria bem acabadas até barracos deteriorados e insalubres, sem qualquer acabamento e cheios de infiltrações – uma visão trágica de castelos de cartas, sempre prestes a ruir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o ex-presidente e artista de gosto duvidoso não é o único político homenageado nas periferias de nossa capital.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Km 6 – além de trecho de rodovia – também designa uma certa região da cidade. Lá não se vê quaisquer atrações turísticas e se não fosse por ligar parte da cidade à Rodoviária Interestadual talvez jamais tivesse conhecido um turista, mesmo desses que chegam de ônibus. O Km 6 é uma das regiões mais pobres e violentas de Natal. Escondida pelo muro de uma escola municipal, nas proximidades de um cemitério e de um depósito de lixo, é lá que encontramos a favela Prefeita Vilma Maia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inicialmente constituída de uns poucos barracos de lona e construções edificadas por materiais das mais diversas origens, a favela foi batizada em agradecimento às promessas de urbanização e construção de moradias decentes e hoje conta com centenas de moradores – alguns nem sabem quem é Vilma Maia. Aqui, as condições de moradia são ainda piores que no loteamento do presidente bigodudo autor de textos que enaltecem a sensualidade brejeira e o vigor ensolarado da terra e do povo brasileiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As fortes chuvas do mês de agosto fizeram pouco caso da autoridade constituída e também penalizaram a Favela Prefeita Vilma Maia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As frágeis edificações onde surpreendentemente há gente abrigada formam uma imagem desagradável, que em vez de saltar aos olhos exige mesmo certo empenho para ser vista. Ocorre que em Natal as favelas, os amontoados de gente vivendo em condições deploráveis – a grande vergonha de nossa espécie: a miséria, o abandono – se escondem atrás de muros, condomínios de luxo e parques vistosos; em vez de a miséria subir os morros e ser vista por todos – como ocorre em outras cidades brasileiras –, em Natal a pobreza está escondida atrás dos morros ou está ruas e vielas adentro, exigindo que saiamos das belas vias para podermos vê-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666; font-weight: bold;"&gt;Quando construída a Ponte de Todos,&lt;/span&gt; completou-se a interligação da cidade pelas belas vias. De quebra, livramo-nos da desagradável vista dos bairros pobres da zona norte: os pobres que ainda não foram transferidos para mais longe. (As comunidades da beira do Rio Potengi estão muito longe da imagem romântica que a literatura local pinta com seus pescadores viris, suas mulheres sensuais e sua infância ingênua; no lugar em que deveríamos ver redes malemolentes cortando o pôr-do-sol e atingindo as quentes águas com respingos prateados, reluzentes de esperança e encanto, o que se vê é fome, lombriga e bicho-de-pé.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não apenas com a sorte conta nossa amada cidade; há engenho na beleza que conservamos aos olhos desatentos – fato contundentemente provado pelo caso do bairro Brasília Teimosa.&lt;br /&gt;Muitos meses antes da inauguração da ponte Forte-Redinha, algum membro de nossa inteligência – ou talvez tenha sido uma obra coletiva – percebeu que nas margens da agora bela Avenida Café Filho – principal via de acesso à nova ponte – havia elementos destoantes, sem nenhuma interlocução com a nova paisagem de progresso e harmonia. O elemento destoante, o borrão na obra da nova cidade que construímos se chamava Brasília Teimosa, um bairro que teve o mau gosto de abrigar casebres pobres e pobres. Mas a solução que estabeleceria o visagismo necessário logo surgiria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em reuniões com moradores do bairro, autoridades em nome de autoridades apresentaram uma idéia que poria fim ao inconveniente. Tratava-se da construção de um extenso muro que taparia a vista dos casebres para os que chegassem à Praia do Forte rumo ao Litoral Norte. Esse não seria apenas um muro - como aqui foi simploriamente apresentado -; seria um muro estilizado, colorido e alegre, onde cada residência teria seu portão exclusivo, como se fosse de sua casa – dezenas de portas de casas, sem casas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por motivos que os mais sensíveis dentre nós compreenderão, a população nativa recusou a proposta, alguns outros membros de nossa inteligência a acharam indecente e o muro apenas pode existir na cidade dos sonhos de seus idealizadores. Contudo, nem tudo está perdido. A especulação imobiliária está fazendo – com mais silêncio e eficácia – aquilo que os partidários do muro fracassaram em fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Isso é Natal&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Contando com a Prefeita Vilma Maia, existem pelo menos 70 favelas em Natal. A quase totalidade delas quase totalmente desconhecida pelos moradores de nossos Planos e Altos, Palumbus e Candelárias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na Cidade Presépio, o visitante que trouxer pouco ouro na algibeira não encontrará mais que uma estrebaria. As belas vias mostram uma cidade que existe e vive de uma outra, que não vemos. Uma cidade inteira muitas vezes a poucos metros – a um dobrar de esquina – do luxo e da ostentação. Uma cidade que nós omitimos não apenas dos visitantes, mas sobretudo de nós mesmos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Natal, arbustos floridos originários da Sicília são vistos nos canteiros de nossas avenidas. Em Natal, convivendo harmonicamente com as plantas européias, encontramos um espécime da fauna intercontinental que também se adaptou formidavelmente a nosso habitat: o mosquito &lt;span style="font-style: italic;"&gt;aedes egypti&lt;/span&gt;. Em Natal, é possível passar toda uma vida conhecendo tudo que há de melhor na cidade sem ter a vista agredida por uma favela, nunca; é possível chegar à adolescência, com sorte passar dela e envelhecer numa favela a poucos quilômetros do mar sem tê-lo visto, nunca. Em meio a tudo isso, em Natal, há um povo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São dezenas, centenas de milhares de pessoas marginalizadas e invisíveis. Algumas delas servem garrafas com 290 mililitros de cerveja que custam 5 reais; outras, vendem livros que custam entre 15% e 25% de seus salários; algumas limpam nossas praias do coco que deixamos na areia, nossas ruas do lixo de nosso consumo diário, nossos banheiros de nosso cocô; estão em toda parte, confundido-se na paisagem. Essas pessoas usam uniformes que tornam sua presença em meio ao luxo menos agressiva; vestem suas melhores roupas e saem pra trabalhar. Quando acaba o expediente, elas entram em suas lotações apinhadas de gente e desaparecem por ruas e becos que não ousamos ver; perdem-se no emaranhado de esquinas que esconde a Cidade Feia, a Noiva da Miséria – voltam pra suas vidas e pra dos seus. Mas é claro que isso não nos interessa.  Temos uma fama a preservar. Somos uma cidade amena. Aqui ninguém se dá muito mal. Noiva do Sol! Cidade Presépio! Terra de poetas e baobás! (Não devemos dobrar na esquina errada.)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6659568764970523042-986616700221917768?l=www.angelogirotto.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.angelogirotto.com/feeds/986616700221917768/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2008/11/cidade-aberta.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/986616700221917768'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/986616700221917768'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2008/11/cidade-aberta.html' title='Cidade Aberta'/><author><name>Girotto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00438584781970436915</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/TKD8r7vBmEI/AAAAAAAABSI/b_tWLMT9YVU/s200/Angelo+Girotto,+por+Humberto+Sales.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/SS8zaDs1YQI/AAAAAAAAAd0/GruQDe5lxBA/s72-c/Muro+final.png' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6659568764970523042.post-5242815959822216334</id><published>2008-06-05T13:26:00.002-04:00</published><updated>2010-05-09T20:21:12.217-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ronda crônica'/><title type='text'>Defenestrado</title><content type='html'>Uma menina defenestrada e sua família pop star são protagonistas da novela de maior audiência do ano. Além de tornar célebres seus personagens,alavancar a audiência dos telejornais, dar à polícia oportunidade de usar seus aparelhinhos caros e escassos, proporcionar minutos de fama a psicólogos, psiquiatras, advogados, palpiteiros, mães de santo e psicóticos em geral; além de promover o turismo dos romeiros que visitam o local onde ainda existe a janela na qual o verbo foi conjugado (defenestrai-vos) e mobilizar centenas de mães que deixaram seus filhos trancados para ir às ruas exigir justiça; além disso tudo – como se já não fossem contribuições de sobra para um único roteiro -, a novela da hora ressuscitou o nunca morto debate acerca do papel da imprensa, que dia sim outro sim enche de entusiasmo nossos universitários ciosos de sua “responsabilidade para com a sociedade” e imbuídos do mais genuíno espírito auto-crítico. A pergunta mais sintética, exemplar dessa necessidade de auto-descobrimento é se seria o jornalista Deus?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seria? Pergunta humilde, que contudo esconde um raciocínio muito sensato. Nós, da imprensa, ou aspirantes a da imprensa, temos grande responsabilidade “para com” os demais e devemos, portanto, esclarecer nossas relações com o divino. O caminho mais óbvio seria analisarmos o que constitui um jornalista, comparando seus elementos constituintes aos divinos e, por fim, pela analogia direta concluirmos se jornalista é de fato Deus. Mas é na obviedade que se esconde o perigo. Como faríamos essa análise? Questionar os métodos e o trabalho da imprensa pode ser compreendido como ato de censura. Ninguém regula a imprensa! Portanto, vamos pelo caminho mais aceito; analisaremos Deus e veremos o que há, Nele, de virtudes e defeitos jornalísticos, assinalando aquilo que for compatível ou incompatível com o exercício da profissão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;1º - Deus escreve certo por linhas tortas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Incompatível&lt;br /&gt;Justificativa: segundo critérios do jornalismo objetivo oriundo da escola norte-americana contemporânea criadora do “lide”, se por linhas tortas escreves, errado estás a escrever.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;2º - Deus se comunica através de sinais&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Incompatível&lt;br /&gt;Justificativa: que sinais são esses? Eu nunca vi um. Dizem que você tem que prestar atenção, acreditar, procurar e decifrar os sinais divinos em tudo. Se eu tenho que fazer isso tudo é porque o emissor é incompetente em chamar e prender a atenção alheia, incapaz de ser convincente por seus próprios argumentos e não se comunica com clareza – outro pré-requisito da noticiabilidade. E, principalmente, se Deus fala numa linguagem que eu – ovelha desgarrada e segundo os documentos oficiais público prioritário das pregações – sou incapaz de entender, vê-se claramente sua inaptidão para o ofício jornalístico, uma vez que não consegue estabelecer uma comunicação eficiente; de fato, muitos acreditam que se eu não compreendi o que Ele disse, é porque não houve comunicação. Deus não se comunica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;3º - Deus deve ser amado sobre todas as coisas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Compatível&lt;br /&gt;Justificativa: como todos sabemos, jornalistas também querem ser amados sobre todas as coisas. Afinal, o que pode ser mais importante, útil e necessário que um jornalista?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;4º - Deus se acha Deus&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Compatível&lt;br /&gt;Justificativa: como diz o professor Luciano, a maioria dos jornalistas também acha que é Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;5º - Deus é o único caminho para a salvação&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Incompatível&lt;br /&gt;Justificativa: um jornalista alinhado ao jornalismo objetivo – em cumprimento aos principais critérios de noticiabilidade – jamais pode excluir completamente a perspectiva de um outro ponto de vista ter validade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Conclusão: ao contrário do que a maioria dos jornalistas pensa, jornalista não é Deus. Mesmo Tendo alguns defeitos em comum, está matematicamente provado que Deus não tem capacidade e nem está apto a se tornar um jornalista.&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6659568764970523042-5242815959822216334?l=www.angelogirotto.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.angelogirotto.com/feeds/5242815959822216334/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2008/06/defenestrado.html#comment-form' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/5242815959822216334'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/5242815959822216334'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2008/06/defenestrado.html' title='Defenestrado'/><author><name>Girotto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00438584781970436915</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/TKD8r7vBmEI/AAAAAAAABSI/b_tWLMT9YVU/s200/Angelo+Girotto,+por+Humberto+Sales.JPG'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6659568764970523042.post-3880229232414849739</id><published>2008-05-20T15:40:00.000-04:00</published><updated>2008-05-20T15:41:06.907-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ronda crônica'/><title type='text'>Chega de saudades</title><content type='html'>Há pouco, escrevi uma reportagem – ou seria artigo? – sobre o ano de 1968, a juventude e as mudanças. As revoltas de Paris, no celebrado maio, e o recrudescimento da ditadura no Brasil com a imediata reação de nossa juventude são temas fascinantes, apesar dos contornos trágicos de ambas as experiências.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo, não pude evitar sair da celebração à antiga rebeldia e entrar no debate clichê da década: o fim da rebeldia juvenil. Um amigo disse – certa vez – que sua geração, nascida na década de 60 e – portanto – em plena atividade nos anos finais da ditadura e no princípio de nossa débil democracia, era opressora em relação à minha, nascida em 80. Falou de gostos, sobretudo música, que permanecem e se impõe como padrão de qualidade em detrimento do que é produzido hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele tinha razão. E um dos aspectos mais cruéis da ditadura sobre nossa geração é a ampla aceitação da idéia de sermos apáticos e acomodados. É tanto mais cruel quanto se torna maior a aceitação dessa idéia por nós mesmos, os filhos de 80. Pois foi esse o rumo que dei ao artigo – reportagem? – que fiz pra revista. Não admiti nenhum saudosismo, ainda mais de uma época que não vivi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao ler a reportagem – artigo? – um amigo me trouxe de meu texto presunçoso de volta à realidade. Disse Rapaz, você tem toda razão. Não podemos aceitar esse fado de sermos inferiores. Veja a geração de 60: criativa, ousada e determinada. Não eram uns merdas como esses que nos tornamos. Ouvindo-o, pensei: de fato, aquilo que era época, ô saudades dos tempos que não vivi e sobretudo das pessoas que não conheci!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6659568764970523042-3880229232414849739?l=www.angelogirotto.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.angelogirotto.com/feeds/3880229232414849739/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2008/05/chega-de-saudades.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/3880229232414849739'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/3880229232414849739'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2008/05/chega-de-saudades.html' title='Chega de saudades'/><author><name>Girotto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00438584781970436915</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/TKD8r7vBmEI/AAAAAAAABSI/b_tWLMT9YVU/s200/Angelo+Girotto,+por+Humberto+Sales.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6659568764970523042.post-3793733420378015641</id><published>2008-04-19T10:46:00.004-04:00</published><updated>2008-04-19T11:45:56.544-04:00</updated><title type='text'>Boas, novas e curtas</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Volta do blogue algo mais...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;O blogue tá sem atualização. Essa é velha, mas é curta. A boa é que temos prazo pra normalizar a vida virtual deste cronista. Até o fim do mês, teremos novamente nossas crônicas semanais. Sem falta nem atrasos, supõe-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;O motivo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;do blogue estar parado é uma grande novidade: o lançamento da revista Tá na Cara!, da qual sou editor e diagramador. A revista será trimestral, com 60 páginas coloridas e no melhor papel cochê. Ela pertence ao CEFET JR. Na primeira edição, uma homenagem ao primeiro centenário da instituição. E muito mais, acreditem, tá boa toda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Crônicas que não escrevi&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Nesse período de sumiço, algumas crônicas interessantes deixaram de ser escritas. Como não faremos um exercício de retrospectiva, e para não perder o assunto, vai abaixo o que não será escrito, por mais que merecesse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;O caso da tapioca&lt;/span&gt; me irritou profundamente. Ainda mais quando, tardiamente (já umas semanas após o início da querela), descobri que a vítima do "escândalo" era o ministro Orlando Silva, dos Esportes. Fiquei indignado, pois Orlando é uma pessoa de caráter e digna de admiração, uma excessão  notável na nossa política arcaica. O ministro representa o que de melhor se formou em toda uma geração de lideranças juvenis (ele foi, inclusive, presidente da UNE). Sua trajetória é impecável e digna de nota. Sem qualquer dúvida, ainda antes de se tornar ministro já era evidente que Orlando se destacava, e muito, das demais lideranças da política juvenil brasileira. Sua trajetória e sua ascensão representam uma esperança de fortalecimento dos setores progressistas de nossa política, diante dos sinais de desgaste da velha política dos coronéis. Vale lembrar que o ministro coordenou um evento bilionário como o Pan do Rio e nada foi dito ou feito que lhe manchasse a reputação. Diante de sua atitude irreprovável, tiveram que apelar pra tapioca. Por que escolheram Orlando pra Judas? Por ser nordestino, negro ou simplesmente como meio de atingir Lula e uma das áreas mais exitosas de seu governo: os esportes. O fato é que Orlando representa a viabilidade de uma geração de políticos livres dos vícios de nossos coronéis; representa a possibilidade de nosso país dar certo. Por isso, na opinião dos coronéis, deve ser combatido. É lamentável ver a imagem de Orlando, símbolo de uma geração, ser manchada por manobras indecentes e desleais da oposição. Trata-se, antes de mais nada, de um grande homem. Apenas por isso não caiu diante das enormes forças que se levantaram a pedir seu escalpo. Pode estar surgindo um fato inédito: o caráter de um homem vencer a falta de caráter de um sistema midiático. Torçamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Uma campanha publicitária&lt;/span&gt; em Natal traz a seguinte sequencia: um outdoor diz "Fulana, comprei aquela calça da marca tal que você tanto gosta. Volta pra mim. Ass. Fulano"; o outro diz "Fulano, a calça da marca tal é linda, mas a fila anda. Ass. Fulana". Diante disso, eu estava pronto pra escrever uma crônica sobre a profundidade das relações evidenciadas nesta campanha. Mas me senti incapaz, abatido, quando vi a nova fase da mesma campanha. Podemos pensar que Fulano foi machista ao achar que teria Fulana de volta ao comprar-lhe uma calça. E foi. Nesse contexto, "a fila anda" poderia ser visto como um ato de afirmação do gênero feminino, uma compensação ao mau gosto da campanha, na melhor hipótese, claro. Fiquemos com ela, para evitar maiores desgostos. E, na melhor das hipóteses, a coisa parava por aí. Mas não parou. Na segunda fase da campanha primeiro vinha o anúncio dizendo "Fulano, mudei de idéia. A calça da marca tal é muito linda. Quero voltar. Ass. Fulana" e o outro "Fulana, gostou da calça da marca tal? Uma gata gata que eu conheci no carnaval também. Ass. Fulano". Pronto, o que mais pode ser dito. O cara conseguiu não só fazer a namorada se rastejar de volta como ainda arrumou outra. Como? Comprando uma calça, pra cada, claro. E a campanha deve ter dado resultado, pois teve até uma segunda fase. Isso me lembra que quando eu era solteiro costumava procurar mulheres que "ficavam" comigo em troca de dinheiro. O mesmo acontece com as mulheres que usam a calça de marca tal, a única diferença é que, um pouco mais burras, elas não recebem em dinheiro o seu pagamento, mas sim em calças. Ou seriam embalagens pro produto que elas vendem? Alguém aí pode informar nos comentários qual é a marca que foi tão honesta ao abordar seus clientes. Daí, quando você vir alguém na rua usando uma dessas calças já saberá o preço daquilo que vai dentro, caso lhe interesse. Isso que é progresso: puta na rua já com etiqueta e tudo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais crônicas que não escrevi em breve, fora dos cinemas. Aliás, alguém aí assistiu 10.000 AC? É uma experiência inesquecível. Um duplo chute onde mais dói. Só não foi o pior filme que já assisti por conta Eragon (imbatível). Destaque para o guerreiro Tic Tac, estrela da superprodução.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6659568764970523042-3793733420378015641?l=www.angelogirotto.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.angelogirotto.com/feeds/3793733420378015641/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2008/04/boas-novas-e-curtas.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/3793733420378015641'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/3793733420378015641'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2008/04/boas-novas-e-curtas.html' title='Boas, novas e curtas'/><author><name>Girotto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00438584781970436915</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/TKD8r7vBmEI/AAAAAAAABSI/b_tWLMT9YVU/s200/Angelo+Girotto,+por+Humberto+Sales.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6659568764970523042.post-3179701639147333061</id><published>2008-04-03T14:26:00.004-04:00</published><updated>2010-07-25T12:47:54.208-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cinema'/><title type='text'>Uma Onda no Ar</title><content type='html'>Esta crítica foi escrita para a disciplina de Sociologia da Comunicação, ministrada pelo querido professor Sebastião Faustino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma Onda no Ar nos conta a história da Rádio Favela, projeto de rádio comunitária desenvolvido na cidade de Belo Horizonte, que recebeu diversos prêmios, dentre os quais o reconhecimento de sua utilidade pela ONU – Organização das Nações Unidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://brasil.indymedia.org/images/2006/09/359538.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img alt="" border="0" src="http://brasil.indymedia.org/images/2006/09/359538.jpg" style="cursor: pointer; display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 320px;" /&gt;&lt;/a&gt;Utilizando-se de um discurso direto e intencionalmente proselitista, o filme dirigido por Helvécio Ratton faz uma exposição clara dos motivos que levaram os habitantes da favela mineira a criar sua rádio pirata e de como esta iniciativa se desenvolveu, culminando na legalização e reconhecimento público da rádio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perpassando os anos finais da Ditadura Militar e a década de 90, o filme traz um panorama da concentração dos meios de comunicação no Brasil contemporâneo. Essa concentração é responsável pela visão estereotipada que grande da população tem acerca das favelas e de seus habitantes. Nada mais propício, então, do que por a rádio pirata no ar no mesmo horário da Voz do Brasil, tradicional programa do governo federal que abrange todas as emissoras. Como isso, além da crítica ao regime, a rádio ganhava notoriedade por apresentar uma programação alternativa à enfadonha propaganda governamental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma Onda no Ar estreou no Brasil pouco tempo depois de Cidade de Deus, um grande sucesso também ambientado numa favela, no caso, a Cidade de Deus, no Rio de Janeiro. E tal como o filme de Fernando Meirelles, Uma Onda no Ar se utiliza de atores amadores para interpretarem seus papeis, os papéis que são suas próprias vidas. Essa opção trouxe vantagens e desvantagens. Com um orçamento muito menor e menos tempo para realizar oficinas de interpretação, a produção mineira contou com desempenhos de alto nível dramático, contudo, também contou com exibições destoantes, que rebaixaram a qualidade da obra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda por ocasião da proximidade entre as datas de lançamento dos dois filmes, outras comparações surgiram à época. Moradores de favelas ficaram satisfeitos com Uma Onda no Ar por ele retratar uma face da vida nessas comunidades que foi marginalizada no roteiro de seu predecessor, que seja a vida da população humilde que se sustenta honestamente e consegue ter um cotidiano de relativa normalidade, apesar do preconceito e da repressão dos quais são vítimas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas talvez o grande debate que transcende em Uma Onda no Ar seja exatamente acerca da democratização dos meios de comunicação. O filme mostra como a ausência de espaço na grande mídia aumenta a distância entre os mais ricos e os mais pobres. Mostra também como os meios podem ajudar na construção da cidadania e na superação de males como o tráfico, o vício e a violência, que andam de braços dados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, por propor uma análise do fenômeno de concentração dos meios de comunicação no Brasil e de discutir alternativas, o tom proselitista e a linguagem cinematográfica extremamente simplificada de Uma Onda no Ar se justifica. O filme busca de todas as formas se fazer entender, por mais que peque neste aspecto na demarcação do tempo histórico e na caracterização dos tempos ditatoriais. Em certa altura, o regime pós 84 é retratado de forma similar ao anterior, não aparecendo no enredo os sinais das significativas mudanças por que passou o país naqueles anos. De certa forma, contudo, podemos relativizar esta falha, pois, mesmo com a abertura, o Ministério das Comunicações permaneceu inabalável em sua determinação de manter a rádio na ilegalidade, o que, numa percepção hermética dos fatos, levaria a crer que de fato houve poucas mudanças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cheio de referências aos movimentos Black e outros da cultura pop alternativa, o filme também se reveste de resgate e homenagem. E um dos seus melhores momentos certamente está no final, no making off, onde surgem os personagem da vida real da favela e da Rádio Favela. É, sem dúvida, imperdível. Outro belo ato se passa na cena em que uma personagem sobe os arcos de uma ponte cantando Negro Gato, cena que esbanja descontração e leveza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por tudo o que representa e defende, Uma onda no Ar é um filme imperdível. Na grande vala dos estereótipos e da omissão em que a produção cinematográfica brasileira se afunda, ele surge com destaque e vigor. Não apela a nenhum romance barato como plano de fundo, não traz nenhuma cena de orgia ou de mulheres de biquíni ou concurso garota da laje e seus popozões. O filme não apela pras esses recursos já batidos em nosso cinema, por mais que seja uma obra apelativa. Uma Onda no Ar apela, mas apela às nossas consciências, não aos estímulos escrotais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6659568764970523042-3179701639147333061?l=www.angelogirotto.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.angelogirotto.com/feeds/3179701639147333061/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2008/04/uma-onda-no-ar.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/3179701639147333061'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/3179701639147333061'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2008/04/uma-onda-no-ar.html' title='Uma Onda no Ar'/><author><name>Girotto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00438584781970436915</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/TKD8r7vBmEI/AAAAAAAABSI/b_tWLMT9YVU/s200/Angelo+Girotto,+por+Humberto+Sales.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6659568764970523042.post-6481093239035049514</id><published>2008-03-14T13:07:00.005-04:00</published><updated>2010-07-25T12:48:01.546-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ronda crônica'/><title type='text'>O mundo dos tóxicos</title><content type='html'>Porque não consigo ficar mais de meia hora com a cara fechada, detesto viagens longas de ônibus. Estou há 10 minutos na lotação. Um cara animado entra, vê a melhor cadeira vazia, ao meu lado. Senta-se. Em rápidas e furtivas tentativas de contato, ele percebe que não conseguirá estabelecer nenhuma comunicação comigo. Estou implacável. Não serei demovido de meu objetivo silencioso de assim permanecer. 15 minutos. Ele desiste, muda-se pra cadeira ao lado, dividida com uma moça razoável. Esse aí sabe o que faz. Encarou o abismo e recuou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;22 minutos. O sujeito com uma bíblia e uma sacola de canetas entra no ônibus pela porta dos fundos. Agradece ao motorista, ao cobrador, aos passageiros, a Deus e ao Diabo, ao Diabo não. Saudadas todas as entidades relevantes da lotação, ele começa a explicar sua empreita altruísta que visa à construção de um lar para mulheres viciadas em tóchicos. A caneta é um real. Recuso. O cara diz Segure, ler também é cultura. Não entendo nada, mas fico com a caneta até que ele acabe com sua pregação, não estou pra conversa. 27 minutos. A coroa acaba de se sentar ao meu lado. Ela compra duas canetas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cara da bíblia e da sacola de canetas começa a recolher as canetas daqueles que como eu não querem comprar caneta nenhuma, nem mesmo para financiar a obra que dará abrigo às coitadas que por muito fumar, muito cafungar, muito picar, já não têm amparo senão em Deus. Também recolhe o dinheiro dos que por motivos vários ficam com as canetas. Nisso, um cara berra de fora da lotação pra que ele desça. Em desabalada carreira, como diria o delegado, ele desce do ônibus, que arranca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cara se esqueceu de pegar a caneta que estava comigo. Reclamo em voz quase inaudível. A velha ao meu lado, se aproveitando de meu vacilo pra estabelecer contato, pergunta Ele esqueceu, foi? Eu teria dito uma grosseria, ficado calado e ignorado aquela voz senil. Eu sabia exatamente o que devia fazer. Ignora a velha, decidi, mas a vida não é tão simples. 30 minutos e eu respondo gentilmente Pois é, não foi?. 30 míseros minutos, suficientes pra me transformar num deles. A velha vai alongando o assunto e eu a tudo respondo com sorrisos e acenos de cabeça. Continuo calado, mas já fui capturado, a comunicação foi estabelecida. Na conversa da velha entendo o que o cara das canetas quis dizer com sua frase misteriosa que envolvia ler. Junto à caneta, há um panfleto: Carta de adeus de um jovem de 19 anos – VÍTIMA DOS TÓXICOS. E abaixo a legenda reforça: OBSERVAÇÃO: DEPOIS DESTA CARTA O JOVEM MORREU | CASO VERÍDICO – HOSPITAL WALFREDO GURGEL – NATAL.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tanto por curiosidade quanto pra me distrair da conversa da velha – e também por ser cultura – começo a ler a carta. Diz o 3º parágrafo:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;O TÓXICO me matou, travei conhecimento com meu assassino, o tóxico, aos 15 ou 16 anos de idade. É horrível, não pai? Sabe como nós conhecemos isso? Através de um cidadão elegantemente vestido e bem falante, ele nos espera na porta das escolas, das universidade, dos clubes... eu tentei recusar, tentei mesmo, mais o cidadão mexeu com o meu brio dizendo que não era homem. Não é preciso dizer mais nada, não é pai? Ingressei no mundo tóxico.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já ignoro absolutamente o fato de a carta ser mal escrita. Enquanto leio, a velha fala de um caso, na rua dela, em que jovem drogado põe fogo no telhado da casa da mãe. Quantas metáforas estúpidas o telhado em chamas poderia fomentar numa carta como esta que tenho em mãos? Fico satisfeito por não ter ocorrido até então nenhum incêndio na vida do falecido epistológrafo. A carta segue, mas já com menos inspiração. Novas referências ao homem elegantemente vestido e bem falante, despedida do pai etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chego à minha parada. Livre da coroa, que surpresa tenho! O homem elegantemente vestido e bem falante está prostrado na porta da universidade. Ele fareja minha recusa, ele sabe que se trata aqui de alguém que se recusa a aceitar seu produto. Vem em minha direção. Já conhece? ele me pergunta. Digo que sei do que se trata, mas que não me interesso. Ele argumenta que isso tornaria minha vida mais interessante, aliviaria minhas dores, me faria feliz. Feliz, fico intrigado, pergunto como. Ele me explica umas coisas loucas e sem sentido, me conta umas parábolas esquizofrênicas e vejo que ele vai se descontrolando, suas mãos tremem, seu rosto sua, ele está em transe. Segura minhas mãos. Solto-me e ele insiste em me agarrar. Acena com seus entorpecentes em minha direção, tenta me obrigar a consumi-los. Irritado, reajo enquanto ainda é possível, não quero acabar como o jovem da carta. Respondo a meu algoz: Não, homem elegantemente vestido e bem falante! Não me interessam seus entorpecentes. Sou um homem livre. Definitivamente, não estou interessado na palavra de Deus.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6659568764970523042-6481093239035049514?l=www.angelogirotto.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.angelogirotto.com/feeds/6481093239035049514/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2008/03/o-mundo-dos-txicos.html#comment-form' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/6481093239035049514'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/6481093239035049514'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2008/03/o-mundo-dos-txicos.html' title='O mundo dos tóxicos'/><author><name>Girotto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00438584781970436915</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/TKD8r7vBmEI/AAAAAAAABSI/b_tWLMT9YVU/s200/Angelo+Girotto,+por+Humberto+Sales.JPG'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6659568764970523042.post-548588409255134123</id><published>2008-02-22T09:30:00.005-04:00</published><updated>2010-07-25T12:48:09.173-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ronda crônica'/><title type='text'>Um absurdo sonhador</title><content type='html'>&lt;i&gt;Só quando o morcego doar sangue e o Saci cruzar as pernas&lt;/i&gt;, já dizia Bezerra da Silva. Do perneta eu não sei, mas o morcego doou sangue. Eu vi, foi ontem. Teve testemunhas e até uma certidão foi expedida. Aconteceu, meus amigos. Ionaldo se casou. Eu estava lá, eu vi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Ionaldo Costa de Morais – o Galego – é um resquício da antiga tradição heterossexualista da humanidade. Dentre vocês, os que nasceram de 1980 pra cá talvez desconheçam o significado disto. Acreditava-se – numa época remota e extinta – que homens deveriam se relacionar com mulheres e mulheres com homens, no sentido bíblico do termo relação. Um artista da época até chegou a cantar &lt;i&gt;Vale tudo, só não vale dançar homem com homem e nem mulher com mulher&lt;/i&gt;. Ele certamente foi ignorado.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Mas não deduzam de forma alguma que o Galego se trate de um machista ou homófobo. Muito pelo contrário. De todos os seus amigos, talvez eu seja o único ligado à antiga tradição. Ele é uma pessoa justa e sem preconceitos. Mas dedicada à sua crença. Por isso, muito antes dos 30 anos já tinha uma protuberante barriga. Contudo, criava um gato, morava com a mãe e não era divorciado. Problemas que ele desesperadamente procurou resolver.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Começou sua jornada pela afirmação dos antigos valores abandonando o gato. Aumentou a barriga, começou a beber, coçar o nariz em público e arrotar. Uma demonstração de admirável talento! Mas faltava o casamento.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Para um homem sensível e romântico, sim, pois a antiga tradição nada tem a ver com a estupidez contemporânea, não é tarefa fácil. Há de se encontrar uma mulher agradável, bem humorada, inteligente, com personalidade instigante, que seja leal e companheira, de preferência bonita, fiel, extremamente apaixonada pelo sujeito...&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Naldo encontrou sua amada. Casou-se logo, em coisa de semanas, sem sequer ter embuchado a menina. Com isso, deixou de ser um solteirão de 30 morando na casa da mãe. Casado, sonhador, barrigudo e agora jogando bola aos sábados, anda pelas ruas de Natal como o fantasma de uma era que se acabou. Já antevejo Naldo indo buscar seus filhos na escola. A professora vai parar a aula discretamente e chamar a atenção dos alunos, apontado para meu amigo. Quando todos tiverem sua atenção centrada nele, a professora dirá &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Olhem, meninos, aquele é um homem antigo, talvez o último da espécie. Ele sonha e a barba dele cresce.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-weight: bold;"&gt;PARABÉNS IONALDO E THAIRES!&lt;/div&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;SEJAM MUITO FELIZES E NUNCA DEIXEM DE SONHAR, POIS, SE ISSO NÃO MUDA O MUNDO, MUDA A NÓS, NOS FAZ MELHORES!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/R77Mth7IUPI/AAAAAAAAAds/2ComhiEloJw/s1600-h/P2140347.JPG" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5169794504840466674" src="http://3.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/R77Mth7IUPI/AAAAAAAAAds/2ComhiEloJw/s400/P2140347.JPG" style="cursor: pointer; display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;O tradicionalíssimo Concurso da Barriga, em sua 1ª edição, realizada ontem. Como vêem, a ilusão de ótica dá a falsa noção de que minha barriga pálida é maior que a do noivo, contudo, no dia de seu casamento, Galego foi eleito o Pançudo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6659568764970523042-548588409255134123?l=www.angelogirotto.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.angelogirotto.com/feeds/548588409255134123/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2008/02/s-quando-o-morcego-doar-sangue-e-o-saci.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/548588409255134123'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/548588409255134123'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2008/02/s-quando-o-morcego-doar-sangue-e-o-saci.html' title='Um absurdo sonhador'/><author><name>Girotto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00438584781970436915</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/TKD8r7vBmEI/AAAAAAAABSI/b_tWLMT9YVU/s200/Angelo+Girotto,+por+Humberto+Sales.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/R77Mth7IUPI/AAAAAAAAAds/2ComhiEloJw/s72-c/P2140347.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6659568764970523042.post-5213756333993163266</id><published>2008-02-15T09:56:00.002-04:00</published><updated>2010-07-25T12:48:15.210-04:00</updated><title type='text'>De volta pra casa</title><content type='html'>Um dia de trabalho é mais que suficiente para estragar as horas de descanso que promete a noite. Oito horas de aporrinhação do chefe, de tarefas cansativas e inúteis, de barulho, cansaço e amolação, enfim, trabalho. Quando toca o sino, a euforia de estarmos livres nem dura um milésimo do que já durou. Seguimos – nos arrastamos – até nossas lotações. Esperamos, ainda. E enfim cá estamos – com alguma sorte e muita técnica – sentados, indo pra casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mundo está mole, ou eu que estou bêbado. O calor é tanto que a lataria do ônibus ficou macia como se fosse um travesseiro. O chão faz ondas de colchão de água. Há até mesmo um efeito estranhíssimo que faz o teto parecer um cobertor, flanando sobre nossas cabeças. Estou dentro de um quadro de Dali, mas em preto e branco, mais econômico. Até vejo aqueles relógios que se derretem e persistem na memória. Num deles, o contador de acessos do blogue.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ponteiro fica mais lento a cada momento. Em algumas horas já está quase parado, e logo adiante, completamente. Em alguns dias começo a reparar um fenômeno estranhíssimo: o ponteiro recua. Estão roubando meus visitantes! Parto em busca de explicações. Semanas de trabalho excessivo, dinheiro em falta e uma crise gástrica se materializam em minha frente, obscurecendo meu caminho me afastando da trilha que leva aos leitores roubados. Superados os estranhos obstáculos que vi ganharem formas humanas, já consigo ver alguns de meus visitantes roubados. Lá estão em posse de outros blogues, sítios de sacanagem, portais de informação e mais sítios de sacanagem. A fúria me absorve completamente. Canalhas gatunos. Vozes se juntam à minha e berram &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ladrões, ladrões&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa hora eu acordo com uma freada da lotação. Mas continuo ouvindo as vozes irritantes que faziam coro em meu sonho. Agora elas gritam mais alto &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ladrões, ladrões&lt;/span&gt;. Muitos murmúrios. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Eu vi ele, vi sim&lt;/span&gt;; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Um bando, perigosíssimo, muitos bandidos&lt;/span&gt;; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Eles estavam armados, sim&lt;/span&gt;; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;É, eram dois, com certeza&lt;/span&gt;; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Só vi um&lt;/span&gt;; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Eram dois!&lt;/span&gt;; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Mulher, eram tantos, isso tá um perigo, ninguém mais vive em paz com esse povo por aí&lt;/span&gt;. O ônibus já andou uns trezentos metros depois da freada, nenhum sinal de nenhum ladrão e uma velha retardatária berra &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Corra, motorista, nos salve&lt;/span&gt;. Quando o ônibus pára no posto policial, a euforia dos colegas de viagem por terem presenciado o importante momento diminui, a velha pára de berrar e o cobrador começa a falar sem parar, quando esses fatores favoráveis surgem, enfim compreendo exatamente o que ocorria: enquanto pra mim se aproximava a hora do descanso, pra um certo homem preto, pequeno, com roupas sujas – dentre elas uma camiseta preta e um boné – e que tinha em sua posse um facão enferrujado, era a hora do trabalho que chegava.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6659568764970523042-5213756333993163266?l=www.angelogirotto.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.angelogirotto.com/feeds/5213756333993163266/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2008/02/de-volta-pra-casa.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/5213756333993163266'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/5213756333993163266'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2008/02/de-volta-pra-casa.html' title='De volta pra casa'/><author><name>Girotto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00438584781970436915</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/TKD8r7vBmEI/AAAAAAAABSI/b_tWLMT9YVU/s200/Angelo+Girotto,+por+Humberto+Sales.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6659568764970523042.post-325742876774921912</id><published>2008-01-05T20:24:00.001-04:00</published><updated>2010-07-25T12:48:40.625-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ronda crônica'/><title type='text'>Passeio matinal</title><content type='html'>Na primeira parada, sobem no ônibus cinco pessoas a mais que o combinado. Na segunda, são três os excedentes. Oito, oito, cinco, seis e assim sucessivamente vão subindo em excesso os passageiros no lotação Zona Norte – Centro. Há, dentre os mais leves, aqueles que estão suspensos, com os pés a um palmo do chão, comprimidos entre barrigas e embrulhos. Num calor dos diabos, a massa compacta, cada vez mais compacta e mais massa. O ônibus arranca, freia, acelera sôfrego e lentamente retoma velocidade. Rasteja o ônibus pelas ruas, cambaleia nas curvas, sacode, vai e vem, lento, vai e vem. A mulher gorda da sacola laranja caiu numa cadeira que ficou vaga. Curva pra direita, a mulher e a sacola laranja pra esquerda. Curva pra esquerda e agora elas pendem pra direita. A cadeira da sacola laranja (aliás, enorme sacola laranja) e da gorda é virada pra trás. O estudante cafunga e coça o nariz. Cheirada de pobre é menos estimulante, a cocaína do estudante é o suvaco do pastor. A sacola caiu, mas a gorda ficou onde estava. O ônibus acelera, arqueja e enfim anda. O estudante continua cheirando. A mulher de chapinha nos cabelos tem nos braços muitas sacolas e muitas crianças. A mulher gorda balança. As muitas sacolas da mulher de chapinha têm quase o volume da sacola laranja e sua carregadora gorda. Na última parada, o incremento populacional do lotação fez com que o estudante não tivesse onde por os pés. Ele acha que está nos ares por conta do suvaco do pastor. O suvaco sua, pinga e alega inocência. A culpa é de uma certa lei da física. A quarta criança, da direita pra esquerda, chupa um picolé vermelho, o da terceira é azul. As outras crianças não chupam nada, não agora. O picolé azul insisti em pingar no sapato vermelho da mulher gorda. Ela toda balança de um lado pro outro do ônibus, exceto seus sapatos que permanecem imóveis para poderem ser pingados pelo picolé azul da terceira criança da mulher de muitas crianças e sacolas que agora arranca a orelha de uma criança, a primeira, com a mesma mão que segura metade de suas sacolas, das quais uma se arrebentou ou foi arrebentada, gerando, talvez, o arrebentar da infantil orelha. A gorda pende pra frente com a arrancada do ônibus e vê seu sapato empapado e cai pra trás quando o ônibus consegue arrancar. Sacolas passam por cima das cabeças e gritam Vai descer, Vai descer. A primeira criança, que chorava já ao subir no ônibus, agora chora dobrado, pois só escuta metade de seus gritos, suponho. A gorda me encara, meus deus, como é feia. Por sorte o carro vira e ela vai-se embora. Uma das sacolas voadoras cai. O pastor se abaixa pra pegá-la. O estudante cai. A mulher da chapinha está batendo na criança número quatro. A gorda sorri, ela está ficando azul. Gente tentando descer. O estudante novamente suspenso. Na parada vão subir uma mulher, dezoito sacolas, um marido, uma cunhada e uma criança com sorvete italiano de baunilha e chocolate. O ônibus freia e o estudante cai em cima da sacola laranja da mulher gorda que de azul ficou verde e pende pra direita e põe a cabeça entre o pastor e a sacola laranja e vomita cerveja preta e churros na frente da mulher de chapinha, nos pés da segunda criança que berra e derruba muitas sacolas e leva uns safanões da mulher de chapinha que puxa todos, crianças e sacolas, pra longe do vômito que fica no pé da catraca que é dessas muito baixas e exige que a criança deixe seu sorvete italiano de baunilha e chocolate com o cobrador enquanto se deita e se arrasta por baixo da catraca pra não pagar a passagem e se lambuza de vômito nas costas e se levanta rápido pois pai e mãe já rodam a catraca e pisam no vômito enquanto o cobrador devolve o sorvete à criança que se esfrega no pastor que agora espreme o sovaco na cara do estudante tentando se esquivar da menina que escorrega e derruba o sorvete no chão e leva um puxão de orelha exemplar e chora fazendo com que a primeira criança passe a chorar mais alto e derrubar com raiva o picolé da quarta que usa um gorro vermelho com bolinha branca, me esclarecendo tudo e anunciando a todos: é natal!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6659568764970523042-325742876774921912?l=www.angelogirotto.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.angelogirotto.com/feeds/325742876774921912/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2008/01/buzo-natalino.html#comment-form' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/325742876774921912'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/325742876774921912'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2008/01/buzo-natalino.html' title='Passeio matinal'/><author><name>Girotto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00438584781970436915</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/TKD8r7vBmEI/AAAAAAAABSI/b_tWLMT9YVU/s200/Angelo+Girotto,+por+Humberto+Sales.JPG'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6659568764970523042.post-3226786705928612825</id><published>2008-01-01T14:12:00.000-04:00</published><updated>2008-01-01T14:26:47.571-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poema'/><title type='text'>Desvencilhar</title><content type='html'>Faróis do desprezo, que dizem caídos?&lt;br /&gt;Que conta a inocência de sua clausura?&lt;br /&gt;Ó, como enxergam seus olhos já cúmplices&lt;br /&gt;a minha espera por eras contida!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À sombra enlaçada em trajes aguardas&lt;br /&gt;ascendendo o manto em ritos secretos.&lt;br /&gt;Do chão encharcado te envolve a agonia&lt;br /&gt;que da chuva rebenta, e suplica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São gritos de ódio, são cortes profundos;&lt;br /&gt;silêncio da noite e delírio dos muitos;&lt;br /&gt;urro das faces e medo dos gestos.&lt;br /&gt;Hiato no parto, comunhão nas trevas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desatados, então, desvencilhados,&lt;br /&gt;ausente, perdidamente recolho&lt;br /&gt;os sonhos espalhados em teu colo.&lt;br /&gt;Apenas sorriem meus olhos entregues.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E breve se recompõem os costumes.&lt;br /&gt;Faz-se urgente a busca desesperada&lt;br /&gt;do que negligenciamos ser, vazios.&lt;br /&gt;E urgentemente escorre a chuva aos pés.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Charco. Ouve-se o gotejar, soluços.&lt;br /&gt;A carne repousa e a alma reencontrada&lt;br /&gt;exige novos sacrifícios para&lt;br /&gt;purificar-se e anular-se e dormir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim, enquanto a lama vela teu&lt;br /&gt;sono, lavo o rosto em teus seios e parto&lt;br /&gt;à penumbra antes de ver-te partindo&lt;br /&gt;e o teu vulto perder-se entre outros tantos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6659568764970523042-3226786705928612825?l=www.angelogirotto.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.angelogirotto.com/feeds/3226786705928612825/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2008/01/desvencilhar.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/3226786705928612825'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/3226786705928612825'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2008/01/desvencilhar.html' title='Desvencilhar'/><author><name>Girotto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00438584781970436915</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/TKD8r7vBmEI/AAAAAAAABSI/b_tWLMT9YVU/s200/Angelo+Girotto,+por+Humberto+Sales.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6659568764970523042.post-3697266283268809432</id><published>2007-12-24T15:42:00.002-04:00</published><updated>2010-07-25T12:49:29.839-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ronda crônica'/><title type='text'>Notas natalinas</title><content type='html'>Queridos amigos (exercito o cinismo de Natal),&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sou duplamente beneficiado pelo título. Primeiramente (eca, que nojo), porque é Natal, obviamente. Segundamente (é, eu sei, me poupe), porque é em Natal. Portanto, nataliníssimo o momento, nataliníssimas as notas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Vocês estariam lendo&lt;/span&gt; agora a crônica sobre o ônibus em período natalino. Tem muito cronista escrevendo sobre a experiência natalina com honestidade, mas nenhum deles anda de ônibus. Daí eu resolvi dividir com vocês essa experiência. Fica pra semana, a outra. Abaixo o porquê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;O pau do prefeito&lt;/span&gt; mudou-se pra Zona Norte. É que agora ele tem um pau novo. O pau velho consiste em uma coluna metálica de dezenas de metros. Dela pendem uns bicos de luz; uma fileira partindo do topo, outra da meia altura e a última a um quarto da altura do pau. Os bicos de luz têm pequenas lâmpadas de várias cores, por isso o prefeito apelidou seu pau-iluminado  de árvore de Natal. E o apelido pegou. Coincidentemente, foi o pau-iluminado chegar aqui no subúrbio que a rede elétrica começou a enlouquecer. A cada meia hora a energia cai. Já dizem que o pau-iluminado do prefeito está consumindo toda energia da Zona Norte. Uma coisa é fato: tem mais lâmpadas no pau-iluminado que nos postes de todas as ruas do subúrbio juntas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Ocorre que Natal é uma cidade única, Itu de todas as coisas&lt;/span&gt;, não apenas das grandes. O planeta Terra é todo habitado por seres ignorantes que não possuem noção da grandeza e do pioneirismo de Natal, o berço da civilização.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Natal, o berço da civilização&lt;/span&gt; tem o ar mais puro do mundo! alguém disse; foi aqui que pela primeira vez chupou-se chicles e bebeu-se Coca-Cola em toda América Latina, exceto a Argentina que por erros de cálculo chupou e bebeu antes, mas a Argentina não conta; tivemos, até um dia desses, a melhor base para lançamento de foguetes espaciais do país!, a de Alcântara foi construída por despeito do Império Maranhense e suas multinacionais; a maior base americana fora dos EUA na 2ª Grande Guerra foi aqui, disso herdamos o hábito único de chamar moleques de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;bói&lt;/span&gt; e a namorada de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;bóizinha&lt;/span&gt; (em Natal traçamos &lt;span style="font-style: italic;"&gt;bóizinhas&lt;/span&gt;); o maior cajueiro de todo sistema solar, comprovadamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Diante dessa grandeza&lt;/span&gt;, dessa genialidade inata ao nosso povo (sim, havia esquecido, o povo de Natal é um povo único, de linhagem exclusiva e detentor de uma incomparável cultura, vigorosa e extremecedoramente original) só faltava o último e consagrador feito: o novo pau do prefeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;O novo pau do prefeito&lt;/span&gt; é igualzinho ao velho, apenas uma dezena de metros maior que ele, ou por volta disso.  Porém, como o apelido de árvore de Natal colou, resolveu-se construir o maior pau-iluminado do mundo, obviamente em Natal, e batizá-lo de maior-árvore-de-natal-do-mundo. Deu-se a obra. Meses depois, o menino Jesus já pondo a cabeça pra fora, enfim inauguraram o pau-iluminado como sendo a maior árvore-de-natal- do-mundo. Mas tivemos um contratempo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;o pau do prefeito de Maceió era maior&lt;/span&gt;. Não fomos os únicos a ter a idéia de batizar um pau metálico decorado com bicos de luz de árvore de Natal, o que indica que talvez estejamos errados e de fato haja alguma vida (não muito) inteligente fora de nossa cidade. Fizeram um pau maior que o natalense em Maceió. Então batizamos o pau-iluminado de maior-árvore-de-natal-do-nordeste-do-mundo. Contudo, depois de alguns dias e de muita pesquisa, um geógrafo natalense (aqui pra nós, um dos maiores geógrafos e intelectuais do mundo todo) descobriu que Maceió também fica no nordeste, e sugeriu que rebatizássemos o monumento de maior-árvore-de-natal-do-nordeste-do-brasil. Mas esse mesmo intelectual reviu sua tese dias depois e disse ter “motivos para supor que Maceió também viria a fazer parte do nordeste do Brasil”, em suas palavras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;A solução final&lt;/span&gt; foi mudar a placa de inauguração (uma das maiores placas já vistas).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saiu a placa que dizia&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Aqui, a maior árvore de Natal do mundo&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e entrou outra dizendo&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Aqui, a maior árvore de Natal-RN do mundo&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Genial. A maior adaptabilidade do mundo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;Obs.: Sei lá se na construção da árvore deles foram usados recursos municipais ou não, eu apenas suponho que Maceió também tenha prefeito e isto bastou à crônica, hehe. Qualquer informação em contrário, jogue ali pelos comentários.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6659568764970523042-3697266283268809432?l=www.angelogirotto.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.angelogirotto.com/feeds/3697266283268809432/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2007/12/notas-natalinas.html#comment-form' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/3697266283268809432'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/3697266283268809432'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2007/12/notas-natalinas.html' title='Notas natalinas'/><author><name>Girotto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00438584781970436915</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/TKD8r7vBmEI/AAAAAAAABSI/b_tWLMT9YVU/s200/Angelo+Girotto,+por+Humberto+Sales.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6659568764970523042.post-2389995437707376107</id><published>2007-12-18T23:45:00.001-04:00</published><updated>2007-12-24T16:45:22.976-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ronda crônica'/><title type='text'>Sobre meninos e cães</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Escrita para o caderno de economia&lt;br /&gt;da &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.cchla.ufrn.br/retroperspectiva"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Revista Retroperspectiva&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;O menino marronzinho deu entrada no Hospital Walfredo Gurgel com febre alta, no meio da tarde. Delirava o menininho marron, quando fez-se a noite. Ah, quantas coisas indescritíveis passaram pela cabeça de nosso pequeno amigo durante aquelas horas; coisas que só são possíveis na cabeça de meninos sonhadores com febre alta; que não cabe a nós advinhá-las.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com certeza, nosso minúsculo protagonista – sim, tão jovem, e já protagonista – não se detivera a analisar as notícas que nos davam conta do superávit primário superior a 5% e dos decorrentes cortes na área de saúde e educação. CDB, RDB, flutuação cambial, TR, Taxa Selic e outras coisas que por ventura interfiram no preço do pãozinho francês felizmente não fazem parte do imaginário dos meninos, sobretudo dos meninos marrons com febre sonhadora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daquilo tudo que o canhão de elétrons projetara na tela, foram aqueles maravilhosos cães que detiveram sua atenção. Não que ele compreendesse o drama dos moradores de classe média do Jardins paulistano, aterrorizados com a onda de sequestro de cães em seu bairro. Como poderia um menininho marron da Zona Norte de Natal compreender o drama da gente pálida dos Jardins, não é? Era para a pelugem daquele Husky Siberiano – há 4 meses desaparecido – que nosso protagonista anônimo voltava suas atenções.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma entrevistada – olhos marejados – protestava contra a insegurança que ronda a classe média e seus animais. Colérica, reclamava pelos altos impostos que foram pagos e que não garantiram a segurança de seu bem cuidado cachorro, assíduo frequentador dos melhores &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Pet Shops&lt;/span&gt;, muito amado que era, e é, nos garante, esperançosa. Alheio aos debates econômicos e tributários – sem pensar no porquê de não haver médico pra lhe atender – Marronzinho se retorce, seus olhos se reviram e embranquecem. Ele está num enorme campo; não sente mais fome, não tem mais febre; a bicuda senhora já lhe sumiu dos pensamentos; lá longe vem correndo o Husky, como ele, sem nome. No colo do pai desesperado, seu último pensamento foi para aquele cachorro lindo, que parecia um lobo bom de desenho animado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6659568764970523042-2389995437707376107?l=www.angelogirotto.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.angelogirotto.com/feeds/2389995437707376107/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2007/12/blog-post.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/2389995437707376107'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/2389995437707376107'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2007/12/blog-post.html' title='Sobre meninos e cães'/><author><name>Girotto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00438584781970436915</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/TKD8r7vBmEI/AAAAAAAABSI/b_tWLMT9YVU/s200/Angelo+Girotto,+por+Humberto+Sales.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6659568764970523042.post-5135045263317665368</id><published>2007-12-13T21:27:00.000-04:00</published><updated>2007-12-13T21:37:21.480-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ronda crônica'/><title type='text'>Tiroteio no Midway Mall</title><content type='html'>Os rumores anunciam um tiroteio no &lt;span style="font-style: italic;"&gt;shopping.&lt;/span&gt; Das escadas rolantes surge um homem de uniforme laranja que corre desesperado. Atrás dele, o séquito de concidadãos estabanados já é numeroso. Adentram as salas do cinema e somem da vista. Dentre os que ficam fora, surgem mil teorias e narrativas. Mães em pânico, diante do risco eminente. Crianças orgulhosas da coragem com que encaram a situação. E lá vai. Antes que um consenso sobre o ocorrido fosse possível, já voltavam correndo nosso herói laranja e seus papungus de procissão. Descem à praça de alimentação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faces severas,  madames eufóricas e homens viris de celular em mãos, falando grosso e alto, sobretudo alto. Estranhos se confraternizando e trocando informações. Olhos arregalados procurando olhos arregalados, ainda que desconhecidos. Neste momento todos compartilham do entusiasmo engendrado pelos grandes acontecimentos. A gravidade da tragédia paira sobre tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rapidamente, a frustação se apossa das vozes e gestos do piso inferior. Ocorre que agora o murmúrio informa que um barril de chope estourou, causando o furdunçu. Alguns, ainda em êxtase, contam da extrema necessidade de carros blindados, cercas elétricas e outras providências. Os demais têm seu maior receio confirmado, nada acontece. Nada de surpreendente, que lhes movimente a vida enfadonha e fugaz, entre uma repartição pública ou empresa, um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;shopping&lt;/span&gt; ou &lt;span style="font-style: italic;"&gt;spa.&lt;/span&gt; Todos, neste momento, dividem a mesma sensação. O tiroteio que não houve foi o acontecimento de suas vidas, ao menos hoje. Revelados, esperam ansiosos pelo dia em que algo acontecerá em suas vidas, mesmo que seja um tiroteio no &lt;span style="font-style: italic;"&gt;shopping&lt;/span&gt; ou um seqüestro relâmpago.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esperam. Do mesmo jeito que espero pela minha sessão e que lá fora, milhões esperam pelo dia em que terão comida e poderão viver sem chacinas nem tiroteios. Porque todo dia de sobrevivência, para o pobre é um acontecimento. Porque tiroteio na frente da casa do pobre tem bala. Porque nas periferias não falta nem assunto, nem velório. Rico se diverte com medo de chacina no cinema e com assombração de seqüestro relâmpago. Mas levar bala de verdade – fisicamente – é programa de pobre.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6659568764970523042-5135045263317665368?l=www.angelogirotto.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.angelogirotto.com/feeds/5135045263317665368/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2007/12/tiroteio-no-midway-mall.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/5135045263317665368'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/5135045263317665368'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2007/12/tiroteio-no-midway-mall.html' title='Tiroteio no Midway Mall'/><author><name>Girotto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00438584781970436915</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/TKD8r7vBmEI/AAAAAAAABSI/b_tWLMT9YVU/s200/Angelo+Girotto,+por+Humberto+Sales.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6659568764970523042.post-8271193635779297138</id><published>2007-12-09T20:39:00.000-04:00</published><updated>2007-12-09T20:56:29.820-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ronda crônica'/><title type='text'>Isto*</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;*O título se refere à primeira edição da&lt;br /&gt;Revista Retroperspectiva que está sendo&lt;br /&gt;lançada nesta semana e é encerrada pela&lt;br /&gt;presente crônica. A Revista é um projeto&lt;br /&gt;ousado do Professor Sílvio Luís e de alunos&lt;br /&gt;dos cursos de Jornalismo, Letras e Filosofia&lt;br /&gt;da UFRN. De minha autoria são 3 crônicas&lt;br /&gt;que publicarei aqui no mês de dezembro.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Cento e vinte alunos. Quatro turmas. Três cursos. Cinco tentativas de suicídio. Quatorze candidatos a gênio. Sessenta e nove corações apaixonados. Seis casamentos frustrados mais treze à espera. Dois rapazes e uma moça com dor de dente. Um habitante da Lua, dois das nuvens. Duas hippies, um emo, uma dúzia de irrotuláveis, outra dúzia de rótulos, vinte futuros alcólatras, quatro alcólatras inéditos e um frustrado, Deus, Alá, Jah, Buda e a Força Jedi, um cronista desocupado, testosterona, angeosterona, Gardenal, Lexotan, Nicotina... Que diabos você faria com isso, leitor amigo? Eu daria voz de prisão e me algemava!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não foi assim que chegamos aqui, ao fim desta revista. Agradeçamos pelo desfecho à conivência das forças policiais, pois esta Retroperspectiva que tem em mãos começou como associação para o crime e terminou em inegável formação de quadrilha. Foi um legítimo golpe de mestre, no caso, do mestre Sílvio, Sílvio Luís para os incaltos. Ele foi visto conspirando com um certo aluno conhecido na marginalidade por Dickson. Traçado o plano, mentor e comparsa partiram a arregimentar a claque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse ambiente que eu pude fotografar nos corredores do Setor II e reproduzir aqui, não foi difícil ao mentor do plano encontrar quem lhe seguisse. O plano foi exposto, os possíveis ganhos e riscos avaliados e firmou-se o pacto. Friamente – certas horas nem tanto – a horda esquematizou a ação, definiu prazos e metas, dividiu tarefas e organizou-se em células. Sim, amigo, uma dezena de células, numa cópia descarada dos métodos de outra infame organização, situada no além mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As suas células se infiltraram nos esgotos desamparados da cidade, no meio da informalidade e da pirataria, nos perigos da economia, nos territórios estrangeiros de Ponta Negra e até na política foram detectadas. Uma delas desenvolveu métodos envolventes para ganhar o apoio das crianças de nossa cidade. Outra foi atrás de aliciar acadêmicos e educadores. Outras usaram paixões como o futebol e questões de saúde ou beleza para atingir seus fins. Até entre perigosos artistas estiveram. Fizeram humor, cinicamente se passando por gente de bem, os humoristas. Você mesmo, talvez tenha tido contato direto com alguma dessas células.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às voltas com provas e trabalhos de fim de semestre, chegaram a extremos. Houve quem matasse aula pra tratar de assuntos da célula. Houve ainda quem alegasse tratar de assuntos da célula, matando aula para alimentar outros vícios, como fofoca no corredor do setor ou levar fora de mulher bonita nos bares do cidade e encher a cara usando isso como desculpa. Também teve daquela gente estranha que cumpre os prazos, assisti às aulas e ainda dá uma forcinha pros outros – pobres coitados. No final, esta revista linda e impressa. Ufa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei o que deve estar pensando. Se esta crônica chegou a ser publicada é porque sequer há algum constrangimento pelo feito. Pra piorar, trata-se de uma revista gratuita, escrita toda por alunos e com linha editorial arrojada e democrática. É isso aí, ou melhor, isto aqui. Só não se assuste se ao abrir as páginas policiais da concorrência lá encontrar uma foto do tal professor subversivo acorrentado em alguma ala psiquiátrica ou pavilhão de detenção desses admistrados por nosso competente e democrático Estado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6659568764970523042-8271193635779297138?l=www.angelogirotto.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.angelogirotto.com/feeds/8271193635779297138/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2007/12/isto.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/8271193635779297138'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/8271193635779297138'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2007/12/isto.html' title='Isto*'/><author><name>Girotto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00438584781970436915</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/TKD8r7vBmEI/AAAAAAAABSI/b_tWLMT9YVU/s200/Angelo+Girotto,+por+Humberto+Sales.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6659568764970523042.post-2321858742086781546</id><published>2007-12-04T22:07:00.002-04:00</published><updated>2010-07-25T12:50:07.907-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ronda crônica'/><title type='text'>Filhos-duma-cadela</title><content type='html'>Antes que me venham com aquela balela de que algo eu fiz pra merecer, vou logo deixando algumas coisas bem claras: não, eu nunca assoei o nariz no Santo Sudário, nunca. Nem tirei bicho de pé com ponta de crucifixo. Sequer passou pela minha cabeça grudar um chicle ou adesivo de candidato nos afrescos da Capela Sistina; dormir com freira, talvez, mas nunca com padre! Eu jamais saciei qualquer perversão necrófila no cadáver de Pio XII. Nunca, nunquinha. Esclarecidas estas questões, vamos ao fato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que Deus não existe, tenho certeza. Mas que ainda assim Ele castiga, ah castiga sim! Foi Ele quem criou o vizinho barulhento, ou então, criou o Diabo, pra que este criasse a mazela, o que dá no mesmo. A culpa só pode ser Dele. Por isso eu pergunto Acaso fui eu quem mordeu a maçã? Fui visto por aquelas bandas no dia em que Abel foi assassinado? Há registros de minha estadia em Sodoma? Não! é a resposta. Então, por que, meu Deus, me castiga? É injusto, simplesmente injusto ter de ser diariamente torturado pelo barulho de Suas criaturas estúpidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Injusto e gratuito, já que não Lhe fiz nenhum mal. Mais injusto ainda é fato de eu não ter nenhum subalterno detentor de uma corneta superpoderosa, capaz de estourar os tímpanos de meus agressores. Vejam só, eu podia desejar transformar-lhes em sal, mas não, me contento com pouco, quase nada, só uns timpanozinhos e tchau e benção. Contudo, o que me resta é escrever esta crônica silenciosa e esperar que em breve se descubra que – misteriosamente – todos os tipos de filhos-duma-cadela barulhentos se encontram com câncer metastático em estágio terminal. Então só me restará desejar que resistam muito, e sofram, antes de irem fazer a porra do barulho deles no quinto dos infernos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Filhos-duma-cadela – um sumário&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quais são os tipos de filhos-duma-cadela? Vai abaixo a relação. Muitos deles já foram noticiados por aí. Vendo um desses atravessar a rua, não exite, passe por cima com o carro. Se estiver de ônibus, sequestre-o e passe por cima do desgraçado!&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Corno pavão&lt;/span&gt; – esse tipo de  filhos-duma-cadela é composto por aqueles brochas que, não tendo ainda a fama consolidada, buscam avisar a toda vizinhança que sua mulher dá pro mecânico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Mulher do corno pavão&lt;/span&gt; – ela liga o som no máximo pra avisar o mecânico que o corno saiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Viado insano&lt;/span&gt; – esse aí acha que mora numa discoteca. Traz uns coroinhas e pintas pra ouvir o CD da Britney, na esperança de levar uma fé. Nada contra homossexuais sadios, que escutam Maria Betânia em volumes toleráveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Preibóis&lt;/span&gt; – normalmente frequentam academias de ginástica, são desocupados e sustentados pelos pais, que não sabem – ou fingem não saber – que o filho é gay. Por não se sentirem aceitos, os &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;coitados&lt;/span&gt; descontam nos outros com suas picapes ou unos equipados com caixas de som enormes, para compensar o (pouco) tamanho do pênis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Precoces&lt;/span&gt; – passam pela sua casa com o som nas alturas, lhe incomodam e vão logo embora. Fazem muito barulho por nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Mulher histérica &lt;/span&gt;– como diria o bom Nelson, todas elas gostam de apanhar, mas as histéricas reclamam. Algumas reclamam alto demais e ainda brigam com você se chamar a polícia, essas são filhas-duma-cadela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Cachorros&lt;/span&gt; – eles latem. São os  filhos-duma-cadela propriamente ditos.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obs.: você certamente tem algum tipo a acrescentar, pois comente. Os surdos ficam excluídos desta lista maldita, como prova de minha piedade cristã.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6659568764970523042-2321858742086781546?l=www.angelogirotto.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.angelogirotto.com/feeds/2321858742086781546/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2007/12/filhos-duma-cadela.html#comment-form' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/2321858742086781546'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/2321858742086781546'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2007/12/filhos-duma-cadela.html' title='Filhos-duma-cadela'/><author><name>Girotto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00438584781970436915</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/TKD8r7vBmEI/AAAAAAAABSI/b_tWLMT9YVU/s200/Angelo+Girotto,+por+Humberto+Sales.JPG'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6659568764970523042.post-7871745523118647514</id><published>2007-12-03T21:52:00.001-04:00</published><updated>2010-04-04T22:44:54.440-04:00</updated><title type='text'>3 Rapidinhas</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Primeiro&lt;/span&gt;, e daí se o Palmeiras - campeão do mundo em 1951 - não levou este Brasileirão? O Curintcha tá na segunda e o ano foi salvo. Vou acabar logo esta postagem e ler a notícia do rebaixamento na &lt;a href="http://desciclo.pedia.ws/wiki/P%C3%A1gina_principal"&gt;Desciclopédia&lt;/a&gt;. Imperdível, é certo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Segundo&lt;/span&gt;, esta semana será lançada a Revista Retroperspectiva. Fruto de um projeto do amado (e aqui bajulado) Profº Sílvio Luís, a revista é feita por alunos de Jornalismo, Letras e Filosofia da UFRN. Nela, se fazem presentes 3 crônicas deste que vos posta. Imperdível!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Terceiro&lt;/span&gt; (ou &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;último&lt;/span&gt;, escolha), este blogue é contra, é hostil, é avesso a correntes, mas como esta vem do camarada Leon, entrará no rol das excessões. Trata-se do &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Eu Tenho um Blog de Elite&lt;/span&gt;, que premiará com 50 pratas o vencedor. Com muito orgulho, este blogue foi apontado por Leon em seu &lt;span style="font-style: italic;"&gt;top 5&lt;/span&gt;. Agora cabe a mim apontar 5 blog's. Aí vão:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_GdnU2n46vHQ/R1E51Yj0PcI/AAAAAAAAAT0/cnjAjS_BFmc/s320/selo_blogdeelite1.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img alt="" border="0" src="http://1.bp.blogspot.com/_GdnU2n46vHQ/R1E51Yj0PcI/AAAAAAAAAT0/cnjAjS_BFmc/s320/selo_blogdeelite1.jpg" style="cursor: pointer; display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 320px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;Logo da campanha&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;a href="http://waltercarrilho.blogspot.com/"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;a href="http://waltercarrilho.blogspot.com/"&gt;Walter Carrilho (Jornalismo Boçal)&lt;/a&gt; - a coisa mais engraçada que já li. Falando de artes, comportamento, mídia e até mesmo celebridades e política, Walter é duma honestidade e dum humor que fazem inveja. Principalmente, diz coisas que todos gostaríamos de dizer, mas não somos estupidamente sinceros o suficiente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://literaturavil.blogspot.com/"&gt;Literatura Vil&lt;/a&gt; - do camarada Leon. Não, não é bajulação por ele ter me indicado. O cara é sarcástico, é cruel em seus textos. Contos da melhor qualidade, direto de Natal. Nunca perco. A cada postagem o texto fica melhor, vale acompanhar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.idelberavelar.com/"&gt;O Biscoito Fino e a Massa&lt;/a&gt; - textos de muita qualidade sobre literatura, política e outros temas atuais. Bem escrito, crítico e prazeroso de ler, o Biscoito Fino ainda traz debates e links muito interessantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.fiapodejaca.com.br/"&gt;Fiapo de Jaca&lt;/a&gt; - gosto muito dos bons textos de humor que são publicados no blogue. Uma beleza, de bom gosto e bem inspirados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://ismaelmedeiros.zip.net/"&gt;Blog do Ismael Medeiros&lt;/a&gt; - excessão desta lista, o blogue de Ismael é o único de notícias que relaciono. Jovem vereador, ele faz um importante serviço de divulgação das notícias do interior do estado. Na minha opinião, um destaque dentre os blogues informativos do RN.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Amigos, fiquem à vontade pra divulgar seus endereços no espaço para comentários. Até amanhã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/S7lOeFWtAqI/AAAAAAAAA_A/EAdTEsvGGL0/s1600/Favicon+TNC.png" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://1.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/S7lOeFWtAqI/AAAAAAAAA_A/EAdTEsvGGL0/s320/Favicon+TNC.png" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6659568764970523042-7871745523118647514?l=www.angelogirotto.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.angelogirotto.com/feeds/7871745523118647514/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2007/12/3-rapidinhas.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/7871745523118647514'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/7871745523118647514'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2007/12/3-rapidinhas.html' title='3 Rapidinhas'/><author><name>Girotto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00438584781970436915</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/TKD8r7vBmEI/AAAAAAAABSI/b_tWLMT9YVU/s200/Angelo+Girotto,+por+Humberto+Sales.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_GdnU2n46vHQ/R1E51Yj0PcI/AAAAAAAAAT0/cnjAjS_BFmc/s72-c/selo_blogdeelite1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6659568764970523042.post-6201480356583487622</id><published>2007-11-30T15:42:00.000-04:00</published><updated>2007-12-01T22:19:55.891-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ronda crônica'/><title type='text'>O litro de cana</title><content type='html'>Um homem sem prioridades é um vadio. Nem isso. Mesmo um vadio tem suas prioridades. Digo prioridades sem ser exato. O que um homem que se preze tem de ter é condições sem as quais a vida não vale, torna-se dispensável. Os mais sofisticados não viveriam sem dignidade. Os mais ortodoxos, sem sua honra prefeririam a morte. Os delicados só vivem por amor. Bruce Willis – em Pulp Fiction – pôs sua bunda na reta por um relógio, pelo qual outros já haviam posto as suas antes dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Natal existe um território chamado Beco da Lama. E entre seus habitantes, existe um tipo humano chamado papudinho. Tipo muito singular, mas abundante, contudo. E cheio de sabedoria. São os nossos filósofos. Pois foi no Beco que aprendi sobre prioridades, pela boca e pelos olhos de um de seus filósofos de pés inchados e andar cambaleante. Ele se arrastava pelo beco, como uma virgem martirizada, com a garrafa de cachaça enlaçada em seus braços, quando um moleque – quem sabe futuro papudinho – atirou-lhe uma pedra, que cortou um de seus supercilhos. O fio de sangue lhe escorria pelo rosto sujo e pingava da barba. Abaixou-se, com a mão ensanguentada pegou a pedra e gritou ao moleque, enquanto o encarava com um único olho, pois o outro estava já muito inchado:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Canalha, não vê que podia ter quebrado o litro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um certo psicanalista nos falaria da ligação íntima entre o litro de cana e os doces seios da mãe de nosso amigo; de seu aprisionamento na fase oral. Talvez, fossem seios, mas outros, que também partiram após chupados, o fantasma daquela garrafa. Amigos, que alta metafísica seria necessário invocar para justificar essa relação? Fiquemos pois apenas com a imagem, o homem e seu troféu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele seguiu seu rumo, quase caolho e sem mágoas. O litro estava intacto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Observei-o cambalear por mais cinquenta metros. Seu pé direito arrastava-se pesadamente, trazia as desgraças do mundo acorrentadas a si, dentre elas uma infecção generosa se destacava. Estava praticamente cego, pois o inchaço já avançara à outra face. Ele farejava a rua, tranquilo e vitorioso. O ar pesado e amigo do beco o guiava. Foi nesse momento que uma das poucas verdades da vida me foi revelada. Desde então, sou incapaz de respeitar um homem que não carregue entre os braços ao menos um litro de cana pelo qual daria um olho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6659568764970523042-6201480356583487622?l=www.angelogirotto.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.angelogirotto.com/feeds/6201480356583487622/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2007/11/o-litro-de-cana.html#comment-form' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/6201480356583487622'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/6201480356583487622'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2007/11/o-litro-de-cana.html' title='O litro de cana'/><author><name>Girotto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00438584781970436915</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/TKD8r7vBmEI/AAAAAAAABSI/b_tWLMT9YVU/s200/Angelo+Girotto,+por+Humberto+Sales.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6659568764970523042.post-8082976294464589569</id><published>2007-11-23T16:04:00.000-04:00</published><updated>2007-11-23T16:34:52.756-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ronda crônica'/><title type='text'>A ponte de um homem só</title><content type='html'>As tragédias são portentos fascinantes, difundem-se à velocidade do som e são mais viciantes que açúcar. José Roberto Queiroz Martins, 34 anos e menos de 5 arroubas, soube disso. Em 3,3 segundos atingiu uma velocidade superior aos 100 Km/h, chocando-se à superfície líquida num impacto de 3,5 toneladas. E entrou pra história como primeiro suicida da Ponte Newton Navarro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se ele cometeu suicídio ou não, pouco importa à história. A história não se atém aos fatos, apenas alguns jornais deles ainda se ocupam. E não me venham os historiadores agora reivindicar sua imparcialidade e a eficiência de seus métodos científicos. A história também não lhes dá ouvidos. O fato público, a verdade que perpassará gerações é que José se perguntou E agora, pra onde? e pulou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;José provavelmente não era filósofo de profissão, o que torna mais difícil advinhar-lhe os últimos pensamentos. Seu gesto irredutível oportunizou a um acadêmico demonstrar suas habilidades, traçando o perfil da queda que saiu no Jornal de Hoje e foi reproduzido no começo desta crônica. O repórter bem informado pode acrescentar que em outras obras monumentais – como a Golden Gate – houve também suicídio na inauguração. Alguma alma vaidosa que estivesse presente no momento de se cortar a fita ficou enciumada desse Zé Ninguém que roubou a cena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas José, que não chegou a viver esses momentos, os anteviu, certamente. Porque se há alguma noção presente no juízo de um suicida é a da causa-efeito. Pulando, sabe que morre. Morrendo, soubera que viraria assunto. As possíveis versões a se multiplicarem sobre seus motivos sugirão na certa. Aqueles que lhe fizeram mal sentirão culpa, remorço. Os que de sua determinação duvidaram se ajoelharão, agora devotos. Contudo, talvez – e apenas talvez – José não pensasse em nada disso. Talvez ele ouvira falar na ponte que ligava o presente ao progresso. Entusiasmado, preciptou-se rumo à outra margem, distante de seu presente absurdo e infeliz. Por algum milagre, talvez por ser muita a fé de José, ao meio da ponte abriu-se magicamente a visão do futuro. Apenas para José, foi possível vislumbrar o progresso, o porvir de sua gente, de sua terra. Talvez – e apenas talvez – tenha sido nesse momento que a fé de José acabou e que entre voltar ao presente e seguir ao progresso, José preferiu pular.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6659568764970523042-8082976294464589569?l=www.angelogirotto.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.angelogirotto.com/feeds/8082976294464589569/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2007/11/ponte-de-um-homem-s.html#comment-form' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/8082976294464589569'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/8082976294464589569'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2007/11/ponte-de-um-homem-s.html' title='A ponte de um homem só'/><author><name>Girotto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00438584781970436915</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/TKD8r7vBmEI/AAAAAAAABSI/b_tWLMT9YVU/s200/Angelo+Girotto,+por+Humberto+Sales.JPG'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6659568764970523042.post-4058578078439746872</id><published>2007-11-20T08:44:00.002-04:00</published><updated>2010-07-25T12:50:33.152-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cinema'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Travolta'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Costa-Grava'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Dustin Hoffman'/><title type='text'>O Quarto Poder (EUA, 1997)</title><content type='html'>Dirigido por Costa-Gravas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/R0LYg4-UCoI/AAAAAAAAAcI/JYl1akscSCU/s1600-h/o+quarto+poder.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5134904584716946050" src="http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/R0LYg4-UCoI/AAAAAAAAAcI/JYl1akscSCU/s400/o+quarto+poder.jpg" style="cursor: pointer; float: right; margin: 0pt 0pt 10px 10px;" /&gt;&lt;/a&gt;Com Dustin Hoffman (Max Brackett), John Travolta (Sam Baily), Mia Kirschner (Laurie), Alan Alda (Kevin Hollander), Robert Prosky (Lou Potts), Blythe Danner (Sra. Banks), William Atherton (Dohlen), Ted Levine (Lemke), Tammy Lauren (Srta. Rose), Raymond J. Barry (Dobbins), Lucinda Jenney (Jenny), Akosua Busia (Diane), Jay Leno (Jay Leno), Larry King (Larry King).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que pode acontecer quando se combina um jornalista decadente e talentoso, um homem confuso e desesperado com uma mídia sensacionalista e manipuladora? Uma possibilidade bem factível é a que vemos em O Quarto Poder. A soma das boas atuações, do roteiro eloquente e da direção habilodosa faz dele um grande filme. A pujança do tema e sua visão crítica o tornam ainda melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dustin Hoffman está muito bem no papel do decadente jornalista de O Quarto Poder, Max Brackett. O mesmo acontece com John Travolta, no papel de Sam Baily, um segurança desempregado que na ilusão de recuperar seu emprego fará uma grande bobagem. Bobagem, sim, porque o filme nos deixa claro que por maior que fosse o perigo real representado por Sam, não era sua intenção causar qualquer dano, ou sequer atrair a atenção que despertou. Portanto, podemos simplificar dizendo que a trama se origina de um mal-entendido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos às cirscunstâncias. Max é um jornalista que teve uma carreira promissora em Nova Iorque, mas se encontra agora cobrindo pequenas notícias no município de Madeline, na Califórnia. Agora ele está num museu da cidade para fazer uma matéria, quando presencia sem ser visto a ação de Sam. Ele ainda tem a espectativa de retornar ao seu antigo trabalho. Sam foi demitido e agora está segurando uma carabina, com a qual acredita que será ouvido pela proprietária do museu onde trabalhava – ele também quer reaver seu antigo trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse evento é a oportunidade que Max esperava. Ele faz contato com sua estagiária que está fora do museu e ao iniciar a cobertura do evento desencadeia um fenômeno de proporções nacionais, intensificado quando Sam acidentalmente atingi um segurança do museu, seu amigo e até pouco tempo colega de trabalho. Descoberto, Max propõe a Sam que lhe conceda uma entrevista, em troca ele ganharia apoio público para o confuso Sam, que agora era um sequestrador com funcionários, um jornalista e crianças como seus reféns.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os acontecimentos ganham maior proporção à medida em que o caso vai despertando o interesse nacional. As diversas emissoras já disputam a cobertura, correm desesperadas atrás de qualquer informação sobre o sequestro, sobre Sam e seus reféns. Um desconhecido dá entrevistas se dizendo o melhor amigo do “perigoso” sequestrador. Grupos juvenis e tribos urbanas das mais diversas se concentram na frente do museu. Os familiares das crianças começam a aparecer e pressionar as autoridades. Um grupo nazista fala do desemprego que abate os norte-americanos e culpa os afro-descendentes. A partir daí, nem Max, nem Sam têm mais o menor controle da situação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filme segue nos mostrando como a mídia manipula a situação e tendenciona a cobertura. São realizadas pesquisas de opinião sobre Sam, matérias são editadas para darem maior audiência. A posição dos veículos de comunicação vai se moldando ao interresse do público, que acompanha tudo através da mídia, formando um círculo vicioso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Grande parte do efeito do filme só é possivel pela correta opção de nos mostrar o sequestro de dentro, do ponto de vista de Max que adquire uma visão privilegiada dos motivos e intenções de Sam. Ainda, Travolta consegue conquistar nossa simpatia para seu personagem. Temos pena de Sam, sabemos que apesar de confuso e metido numa situação muito complicada, ele é incapaz de causar intencionalmente qualquer mal a quem quer que seja. O filme se dá essa liberdade, vai ganhando nossa simpatia para Sam, catalizando sua contestação nas cenas finais, onde nos é possibilitado compreender e sentir a opressão que a obra argumenta advir do descontrolado poder da imprensa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Quarto Poder é um filme reflexivo, mas também expositivo e contundente. Faz com que pensemos nos efeitos da concentração do poder de formar opinião. Mostra claramente que sob a aparência de imparcialidade e transparência dos telejornais, se escondem interesses econômicos, políticos e pessoais de toda ordem. Reféns dos grandes meios de informação, seguimos enganados e manipulados, servindo a interesses distintos dos nossos. Quando enfim percebemos o que acontece, só nos resta a desesperada e angustiante reação com que Max encerra o filme. Em seu desespero está a verdade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6659568764970523042-4058578078439746872?l=www.angelogirotto.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.angelogirotto.com/feeds/4058578078439746872/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2007/11/o-quarto-poder-eua-1997.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/4058578078439746872'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/4058578078439746872'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2007/11/o-quarto-poder-eua-1997.html' title='O Quarto Poder (EUA, 1997)'/><author><name>Girotto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00438584781970436915</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/TKD8r7vBmEI/AAAAAAAABSI/b_tWLMT9YVU/s200/Angelo+Girotto,+por+Humberto+Sales.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/R0LYg4-UCoI/AAAAAAAAAcI/JYl1akscSCU/s72-c/o+quarto+poder.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6659568764970523042.post-7173133711460927905</id><published>2007-11-16T12:16:00.000-04:00</published><updated>2007-11-23T16:29:34.715-04:00</updated><title type='text'>Taboca</title><content type='html'>Ontem, meu amigo Anderson chegou à Brasília, seu novo endereço. Deixou pra trás família, amigos, desconhecidos e carrapatos. Taboca de sangue e criação, por ser Bezerra Cavalcanti, levou consigo Lylian Lago, companheira de toda hora. Saudades sei que não leva. A poeira creio que tenha batido com entusiasmo antes de embarcar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você pode perguntar qual a importância disso para os supostos leitores das crônicas deste blogue. Pois pra mim, o resto é que deixa de ter importância. Não é toda década se faz um amigo. Sobretudo um de verdade. Agora, meu amigo real virará um avatar. Terei de me acostumar. Você também perceberá sua ausência, porque Anderson era a principal fonte de mau humor e sarcasmo que me motivava a escrever.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É a vida – e às vezes o dicionário – que nos ensina o sentido das palavras. Anderson me ensinou o de muitas, e muitas das mais importantes pra mim. Filosofia, materialismo, dialética... A percepção desse amigo contribuiu para a minha. Veja só um exemplo bem atual: a palavra amigo. Tive vários e consegui preservar alguns. Cada qual entende por amigo o que lhe convém, admito. Não serei eu a menosprezar as amizades alheias. Mas há um bom tempo percebi que meu entendimento do termo tem um sentido bem concreto. Amigo pra mim é Anderson e tudo mais, na medida em que a ele se assemelhe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vá na paz, Taboca, por nossa amizade prometo não mandar-lhe notícias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obs.: Aqui, Anderson andava de ônibus, lá, o safado tá de Mercedez preto. Fontes informaram que só comprou o carro por não precisar dar carona aos amigos, o que é mentira.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6659568764970523042-7173133711460927905?l=www.angelogirotto.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.angelogirotto.com/feeds/7173133711460927905/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2007/11/taboca.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/7173133711460927905'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/7173133711460927905'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2007/11/taboca.html' title='Taboca'/><author><name>Girotto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00438584781970436915</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/TKD8r7vBmEI/AAAAAAAABSI/b_tWLMT9YVU/s200/Angelo+Girotto,+por+Humberto+Sales.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6659568764970523042.post-6625552096894670658</id><published>2007-11-04T13:58:00.000-04:00</published><updated>2007-11-04T14:31:09.526-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ronda crônica'/><title type='text'>O duro ofício de ser potiguar</title><content type='html'>Não é sem certa pieguice que admito ter me encantado por Natal assim que a conheci. Meu primeiro endereço nesta cidade foi a Vila de Ponta Negra. Caminhava uns 15 minutos por ruas de barro e “&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;mijadouros&lt;/span&gt;” fedidos até chegar ao desafiante Morro e o imenso mar. A praia de Ponta Negra parecia um trecho de nossa costa perdido com suas &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;jangadinhas&lt;/span&gt; e barracas humildes e sujas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Demorou um nada pra que eu me sentisse natalense e um pouco mais pra que descobrisse o &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;potiguar&lt;/span&gt; pelo qual passaria a me definir. Em minhas andanças de militante estudantil tive a oportunidade de como &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;potiguar&lt;/span&gt; visitar muitos estados de nosso país. Foi nessas viagens que comecei a &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;perceber&lt;/span&gt; a dificuldade de ser &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;potiguar&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em São Paulo, me chamavam de baiano; no Rio, de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;paraíba&lt;/span&gt;; em terras gaúchas eu era &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_7"&gt;cearense&lt;/span&gt;. Até de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_8"&gt;capixaba&lt;/span&gt; me chamaram ao saber que era do Rio Grande do Norte que eu vinha. Mas nunca, nunca me chamaram de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_9"&gt;potiguar&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ocorre também que ainda carrego uns resquícios do sotaque sulista de meus ancestrais, colonos italianos que imigraram para Santa Catarina. Por isso, muitos de meus &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_10"&gt;conterrâneos&lt;/span&gt; me vêem – ou ouvem – e perguntam &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Tu é de onde?&lt;/span&gt; Sempre respondo que sou daqui, mas tenho de explicar-me em seguida, pois não me acreditam. Como percebe-se, mesmo em casa é difícil que me reconheçam como &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_11"&gt;potiguar&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu mesmo já não me identifico tanto com esta cidade. Não reconheço nela a &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_12"&gt;ingênua&lt;/span&gt; cidade que me acolheu, nem reconhece ela, em mim, o &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_13"&gt;ingênuo&lt;/span&gt; rapaz que aqui chegou numa data já distante. Os prédios estão muito grandes e os ventos mais escassos. A violência é uma perigosa imitação da barbárie dos grandes centros urbanos do país. Eu não vou mais à praia, tanto quanto ia. Quão &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_14"&gt;irônico&lt;/span&gt; que seja, é apenas na desfigurada e &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_15"&gt;recolonizada&lt;/span&gt; Ponta Negra de hoje que sou reconhecido como &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_16"&gt;potiguar&lt;/span&gt;. A Ponta Negra de hoje pertence aos italianos que não sofreram do mal da pobreza, diferente de meus bisavós que pra cá vieram fugindo da Grande Guerra e da miséria. Esses italianos de ascendência mais nobre que a minha me vêem andar deslocado pelo território que agora lhes pertence. Como outrora os portugueses fizeram com os legítimos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_17"&gt;potiguares&lt;/span&gt; – os índios – meus distantes parentes apontam pra mim e dizem &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Vejam, um nativo&lt;/span&gt;. Os olhos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_18"&gt;potiguares&lt;/span&gt; novamente brilham; estou seduzido por eles, como os índios estiveram por nossos &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_19"&gt;ancestrais&lt;/span&gt; portugueses e holandeses. Pouca coisa mudou: as caravelas agora voam e os pentes e espelhos são chamados de Euros. No mais, já me sinto tão &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_20"&gt;potiguar&lt;/span&gt; quanto antes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6659568764970523042-6625552096894670658?l=www.angelogirotto.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.angelogirotto.com/feeds/6625552096894670658/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2007/11/o-duro-ofcio-de-ser-potiguar.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/6625552096894670658'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/6625552096894670658'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2007/11/o-duro-ofcio-de-ser-potiguar.html' title='O duro ofício de ser potiguar'/><author><name>Girotto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00438584781970436915</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/TKD8r7vBmEI/AAAAAAAABSI/b_tWLMT9YVU/s200/Angelo+Girotto,+por+Humberto+Sales.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6659568764970523042.post-8607221436400559829</id><published>2007-11-01T21:26:00.002-04:00</published><updated>2010-07-25T12:52:02.932-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rubem Braga'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ronda crônica'/><title type='text'>Luto da família Silva, de Rubem Braga</title><content type='html'>&lt;span style="font-size: 85%; font-style: italic;"&gt;Queridos amigos, a crônica a seguir foi publicada - ou profetizada, como prefiram - em 1935, na cidade de Recife. O autor é o mestre Rubem Braga. Segunda, este cronista menor - nos sentidos literal e figurado - volta com uma das suas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Assistência foi chamada. Veio tinindo. Um homem estava morto. O cadáver foi removido para o necrotério. Na seção dos  “Fatos Diversos" do Diário de Pernambuco, leio o nome do sujeito João da Silva. Morava na Rua da Alegria. Morreu de hemoptise.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João da Silva - Neste momento em que seu corpo vai baixar à vala comum, nós, seus amigos e seus irmãos, vimos lhe prestar esta homenagem. Nós somos os Joões da silva. Nós somos os populares Joões da Silva. Moramos em várias casas e em várias cidades. Moramos principalmente na rua. Nós pertencemos, como você, à família Silva. Não é uma família ilustre; nós não temos avós na história. Muitos de nós usamos outros nomes, para disfarce. No fundo, somos os Silva. Quando o Brasil foi colonizado, nós éramos os degredados. Depois fomos os índios. Depois fomos os negros. Depois fomos imigrantes, mestiços. Somos os Silva. Algumas pessoas importantes usaram e usam nosso nome. É por engano. Os Silva somos nós. Não temos a mínima importância. Trabalhamos andamos pelas ruas e morremos. Saímos da vala comum da vida para o mesmo local da morte. Às vezes, por modéstia, não usamos nosso nome de família. Usamos o sobrenome  de Tal". A família Silva e a família “de Tal" são a mesma família. E, para falar a verdade, uma família que não pode ser considerada boa família. Até as mulheres que não são de família pertencem à família Silva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João da Silva - Nunca nenhum de nós esquecerá seu nome. Você não possuía sangue azul. O sangue que saía de sua boca era vermelho - vermelhinho da silva. Sangue de nossa família. Nossa família, João, vai mal em política. Sempre por baixo. Nossa família, entretanto, é que trabalha para os homens importantes. A família Crespi, a família Matarazzo, a família Guinle, a família Rocha Miranda, a família Pereira Carneiro, todas essas famílias assim são sustentadas pela nossa família. Nós auxiliamos várias famílias importantes na América do Norte, na Inglaterra, na França, no Japão. A gente de nossa família trabalha nas plantações de mate, nos pastos, nas fazendas, nas usinas, nas praias, nas fábricas, nas minas, nos balcões, no mata, nas cozinhas, em todo lugar onde se trabalha. Nossa família quebra pedra, faz telhas de barro, laça os bois, levanta os prédios, conduz as bondes, enrola o tapete do circo, enche os porões dos navios, conta o dinheiro dos Bancos, faz os jornais, serve no Exército e na Marinha. Nossa família é feito Maria Polaca: faz tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar disso, João da Silva, nós temos de enterrar você é mesmo na vala comum. Na vala comum da miséria. Na vala comum da glória, João da Silva. Porque nossa família um dia há de subir na política...&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Junho, 1935&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6659568764970523042-8607221436400559829?l=www.angelogirotto.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.angelogirotto.com/feeds/8607221436400559829/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2007/11/luto-da-famlia-silva-de-rubem-braga.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/8607221436400559829'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/8607221436400559829'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2007/11/luto-da-famlia-silva-de-rubem-braga.html' title='Luto da família Silva, de Rubem Braga'/><author><name>Girotto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00438584781970436915</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/TKD8r7vBmEI/AAAAAAAABSI/b_tWLMT9YVU/s200/Angelo+Girotto,+por+Humberto+Sales.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6659568764970523042.post-2169714411040202798</id><published>2007-10-26T13:57:00.000-04:00</published><updated>2007-10-26T14:05:47.049-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ronda crônica'/><title type='text'>O papel em branco</title><content type='html'>O papel em branco: ponto de partida e retórica – alguém diria – inspirada; pretexto clichê pra se falar de processos criativos; papel em branco, me basta. A temática é velha: o que pôr ou poderia pôr na página. Daí segue o cronista, apanhando o prisma de seu mundo e preenchendo o branco, cada qual com suas paletas. Mas eu – que o vejo e invejo – o que poderia fazer? Como acrescentar alguma cor, se no branco todas estão. Então nada faço senão retirar-lhe algumas tonalidades, reduzir as suas possibilidades a quase nada e emprestar-lhe algum sentido, depois de ter-lhe destituído dos seus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O branco, a luz branca, o céu azul relação entre emanações solares e condições atmosféricas, a noite e a escuridão – a escuridão maior que a noite. Extinto o branco, expurgadas uma a uma as cores, finados os homens, surjo, sou deus. Faço a luz – pouca, pois falta o hábito e o gosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diante da página em branco, o que fazer? Contemple o espetáculo, diz-me um. Que espetáculo? retruca outro. Apenas prossiga, fala-se em tom sábio. Mas pra onde? exaltam. Menino deixa de coisa, exasperado. Um deles não diz nada. Inédito – mesmo inútil – ele se expande em sua presunção de esponja. O tempo mói suas vértebras. O mundo sorvido lhe dá náuseas. Como resultado, ele excreta na página intocada aquele mundo que não foi capaz de digerir. Eis o porquê de com o tempo extinguirem-se as folhas em branco nas nossas gavetas e mesas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6659568764970523042-2169714411040202798?l=www.angelogirotto.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.angelogirotto.com/feeds/2169714411040202798/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2007/10/o-papel-em-branco.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/2169714411040202798'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/2169714411040202798'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2007/10/o-papel-em-branco.html' title='O papel em branco'/><author><name>Girotto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00438584781970436915</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/TKD8r7vBmEI/AAAAAAAABSI/b_tWLMT9YVU/s200/Angelo+Girotto,+por+Humberto+Sales.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6659568764970523042.post-8963960679725660286</id><published>2007-10-18T22:52:00.002-04:00</published><updated>2010-07-25T12:52:14.178-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ronda crônica'/><title type='text'>O engarrafamento na Ponte do Igapó</title><content type='html'>Somos todos uma ponte metafórica. Partimos de um lugar a outro, mas qual e qual depende do ponto de vista. Outra coisa: não somos o começo nem o fim – também não somos o meio. Pode-se atravessar um rio a nado, numa embarcação. Portanto, essa ponte trata-se apenas de uma possibilidade, ao acaso de infinitos caminhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/RxwV4qynqmI/AAAAAAAAAbg/08JgSh0jSQc/s1600-h/charge-final.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5123994539344243298" src="http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/RxwV4qynqmI/AAAAAAAAAbg/08JgSh0jSQc/s400/charge-final.jpg" style="cursor: pointer; display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Caso não esteja visualizando bem as legendas, clique na charge&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;Filosofia chinfrim à parte, existem pontes que são pontes mesmo, fisicamente. Uma dessas é a ponte que liga a Zona Norte de Natal ao mundo. Digo, que normalmente liga. Porque ocorre vezes em que ela não cumpre seu mister de ponte. Por exemplo, quando um caminhão carregado com areia perde o freio, descamba doido e arrebenta o que lhe vem à frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi na semana passada que deu-se o sinistro. Ao longo de um quilômetro, o caminhão alado deixou 15 vítimas – espalhadas e aos pedaços – para trás. Do início da ladeira à parte final da ponte, via-se a cada cem metros ao menos um carro retorcido; estendia-se um delicado tapete de estilhaços do que já fora janela e pára-brisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O engarrafamento recordista bateu a casa dos quilômetros pra caralho. E a cada mil metros que se distanciasse do epicentro da tragédia, ao menos um defunto era acrescido às estatísticas informais. Sei que em sua sexta parte – lá pelos 4 Km  - contavam-se doze, os cadáveres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida de nossa Zona transformou-se nesse dia. A cidade, enfim, olhava para nós – os suicídas bem sabem desse portento chamativo que carregam as desgraças. O buchicho eufórico ressucitou as almas populares já quase extintas pelo cotidiano implacável. Aquelas – que mais sofistacadas valiam-se de outros trejeitos, melhor dissimulados – também reavivavam-se, ganhavam fulgor no olhar. A desgraça nos unia a todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A coisa ganhou uma dimensão ainda maior quando – passadas horas do trancamento das vias – passageiros começaram a abandonar seus ônibus e voltar pra casa ou seguir a pés. Motoristas trancavam seus carros e iam passear pelo desastre, trocar impressões e análises. Dezenas, centenas e logo milhares de vozes se alternavam – às vezes não – em insultos ao governo, na disputada loteria dos mortos e em especulações afins.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando a notícia de que o motorista do caminhão havia pulado no Rio Potengi e nadado pra fugir da polícia chegou à extremidade do engarrafamento, logo difundiu-se a teoria de tratar-se de um caminhão roubado, que transportava narcóticos enrustidos. O calor, o barulho dos motores, vozes e buzinas criavam um ambiente desgraça ainda maior e eminente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devo lhes dizer, amigos, que há muito não via um debate tão acalorado nas ruas. Atragédia mexeu com os brios de nossa gente. Do pudim-de-cana ao motorista de ônibus, do ladrão de celular ao bacharel, todos éramos cidadãos ciosos de nossa realidade e de nossos deveres. As casas estavam vazias. Todos haviam acudido à rua. A rede telefônica congestionou também. Que não pudéssemos sair destas bandas da cidade já não importava: estávamos – aqui isolados – mais inseridos no mundo que em qualquer outro momento passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atingido o ápice da euforia e do entusiasmo, devo lhes confessar que pelo começo da noite desobstruíram umas das vias e o trânsito voltou a fluir, depois de toda uma tarde. Muito lentamente, ao longo das próximas horas os automóveis foram-se escoando pelo funil e a curiosidade dos que vinham distante pode ser saciada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diante da notícia já difundida pela imprensa de que não houvera uma única vítima fatal, resistia-se. Ali estavam as evidencias da grande tragédia: os 15 carros destruídos, ou semi-destruídos, que seja. Mas aos poucos a euforia foi cedendo lugar aos cansaço das horas de espera. Por esse motivo, foi pouca a resistência e logo aceitavam-se os fatos: a tragédia não havia sido – ao fim das contas – tão grande assim. A rotina se reestabelecia. Os olhares já perdiam o brilho intenso, na nova e frustrante certeza de que nada acontecia, de que permaneceríamos esquecidos e esquecendo em um dos lados do rio. Era apenas mais um, dos muitos engarrafamentos da Ponte do Igapó.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6659568764970523042-8963960679725660286?l=www.angelogirotto.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.angelogirotto.com/feeds/8963960679725660286/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2007/10/o-engarrafamento-na-ponte-do-igap.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/8963960679725660286'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/8963960679725660286'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2007/10/o-engarrafamento-na-ponte-do-igap.html' title='O engarrafamento na Ponte do Igapó'/><author><name>Girotto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00438584781970436915</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/TKD8r7vBmEI/AAAAAAAABSI/b_tWLMT9YVU/s200/Angelo+Girotto,+por+Humberto+Sales.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/RxwV4qynqmI/AAAAAAAAAbg/08JgSh0jSQc/s72-c/charge-final.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6659568764970523042.post-5414613971459573162</id><published>2007-10-10T23:55:00.000-04:00</published><updated>2007-10-11T00:40:01.783-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ronda crônica'/><title type='text'>Nos olhos da mulher amada</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Para Tatiane, minha amada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;Quando mais novo, eu caminha diariamente uns cinco quilômetros até chegar à escola. Outros cinco pra voltar, e vê-se que já estive em melhor forma. Andava por uma estrada de terra, em sua maior parte ladeada de mata fechada. Descia o vale, passava pelo riacho, subia o vale, andava ainda muito, entre serrarias e mais floresta, até chegar ao vilarejo, hoje sede do município de Novo Matogrosso. Na outra extremidade dele, enfim a escola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma das primeiras vezes que faltei à aula – lembro-me bem – foi no dia em que encontrei um filhote de gavião na estrada. Ele não exibia nenhum ferimento, apesar de não poder voar. O bicho deixou que me apromixasse, fez-se de arisco e avançou sobre mim. Contudo, deixou-se ser pego.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltei pra casa com a ave nas mãos. Ela foi tratada, mimada, alimentada. Agora eu precisava de um nome para dar-lhe. Um nome especial, que comportasse a responsabilidade que eu assumira ao salvar-lhe a vida e que correspondesse à confiança em mim depositada pela ave. Não conseguia um que fosse tão belo, capaz de exprimir meus sentimentos por ela. Diante da responsabilidade, eu amarelava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto estive indeciso, a ave de rapina se recuperara, ganhara forças e sem que eu percebesse, crescera. Numa tardezinha ela me bicou os dedos, ganhou o quintal e penetrou a mata densa e profundamente verde que lhe fazia divisa. Sai e prostrei-me diante daquelas imponentes árvores, daquele território desconhecido. Queria com toda a dor do dedo e do coração feridos chamar-lhe. Mas não via como, ela não tinha nome, ao menos não um que eu conhecesse. Entrar, não ousaria, os perigos do mundo lá se escondiam. Foi minha primeira frustração amorosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outras vieram. Menos dramáticas ou ingênuas, suponho. Ou eu já havia me tornado menos interessante – que mais provável seria. Foi por esse tempo – quando eu já era completamente incapaz de caminhar dez quilômetros – que a conheci. Fez-se de assustada, mas deixou que me aproximasse. Evitava-me, mas não se escondia. Quando meu desânimo beirava a desistência, ela se insinuava, carente de meus socorros. Quando achei que a tinha pra mim, que em minha presunção de macho acreditei dominá-la – tola ilusão pré-histórica -, ela, assustada, partiu. Sai em sua busca, até novamente ver-me em face do desconhecido, da perturbadora escuridão. Nada podia ser visto, além do belo e inconfundível verde, agora vago e distanciando-se. Lá dentro, minha amada. Eu já sabia seu nome. Podia chamá-la. Mas permaneci calado. Fechei meus olhos, abri o peito e me preciptei mata a dentro. Perdi-me de tal forma que não poderia jamais retornar. Nem jamais desejaria. Extraviado neste mundo e contigo, amor, é que enfrento a selva e meus medos. Obrigado, querida, por tudo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6659568764970523042-5414613971459573162?l=www.angelogirotto.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.angelogirotto.com/feeds/5414613971459573162/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2007/10/nos-olhos-da-mulher-amada.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/5414613971459573162'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/5414613971459573162'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2007/10/nos-olhos-da-mulher-amada.html' title='Nos olhos da mulher amada'/><author><name>Girotto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00438584781970436915</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/TKD8r7vBmEI/AAAAAAAABSI/b_tWLMT9YVU/s200/Angelo+Girotto,+por+Humberto+Sales.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6659568764970523042.post-3965001431441525602</id><published>2007-10-04T16:19:00.000-04:00</published><updated>2007-10-05T22:18:17.953-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ronda crônica'/><title type='text'>O caminho das flores</title><content type='html'>Ontem – um dia antes do prazo -, deu-se a missa de 7º dia de Dudão, o defunto juvenil de que falei na crônica anterior. Mas não foi uma missa exclusiva. Nosso personagem dividiu as honrarias com um defunto aniversariante, um casal de outra localidade – com parentes aqui – que foi vítima de acidente automobilístico, um padre mais dezenas de católicos mortos no &lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://www.ybytucatu.com.br/floricultura/rosavermaa.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 230px; height: 226px;" src="http://www.ybytucatu.com.br/floricultura/rosavermaa.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;século XVII e com outro rapaz, este encontrado morto pela manhã, à beira do mangue. Some-se a isso uma moça em seus 25 a 30 anos, que tentara suicídio dois dias atrás, por saber-se corneada, e que agora pranteava em desespero na primeira fila de bancos da igreja, ofuscando o sofrimento alheio. Eis a missa de 7º dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vocês me perguntarão por que não falo do novo óbito – por exemplo -, em vez de reprisar Dudão? Simples. Dudão tornou-se célebre. Perguntam-me por ele na rua, na universidade, no trabalho. Enquanto o novato sequer tem nome, não apareceu nos noticiários, não teve quem lhe chorasse. Portanto, pouca esperança de comentários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com efeito, voltemos a Dudão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Igreja perto de cemitério, providenciou-se uma visita à cova, após a missa. Vejam agora porque escolhi o morto certo pra esta crônica: a mãe do homenageado mostrou-se novamente possuidora de um inintimidável pulmão. O berreiro foi tamanho, que só cessou com a mulher desmaiada. Tanto que tiveram de ser os acompanhantes a por o arranjo de flores sobre o túmulo, que a senhora nem isso pode.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Feito numa funerária das redondezas, o arranjo tratava-se de doze rosas vermelhas envoltas de uns matos parecidos com trigo, tudo embalado num belo e brilhante plástico rosa com vistosa fita vermelha enlaçada. Isso mesmo, plástico rosa e laço vermelho. Reafirmo e explico: em terras pobres como essa, só se compra flores pra pedir perdão por chifre ou por loucura de amor. Assim, arranjos de flor pra namorados é a maior pedida em nossas funerárias. É claro que este equívoco poderia ter sido evitado, caso o vizinho da mãe em questão tivesse esclarecido à atendente da funerária – quando ligou-lhe, fazendo à primeira um favor – que as flores se detinavam ao defunto da semana passada. Mas não teve a delicadeza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje pela manhã, quem – ciente da história até aqui transcorrida – observou o túmulo de Dudão, pode verificar a mais recente vilania de que sua mãe – destituída de um filho – fora vítima. O belo e constrangedoramente romântico buquê não se fazia presente. Poucas horas após o desmaio da matrona, pode-se ver que as preces de alguém foram atendidas. Por sinal, as de quem melhor soube defender a sua dor. A nossa suicida veio fechar a cortina, e pelos vultos via-se ela abraçar o homem amado, como se este tivesse se desculpado, levando-lhe lindas rosas vermelhas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6659568764970523042-3965001431441525602?l=www.angelogirotto.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.angelogirotto.com/feeds/3965001431441525602/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2007/10/o-caminho-das-flores.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/3965001431441525602'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/3965001431441525602'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2007/10/o-caminho-das-flores.html' title='O caminho das flores'/><author><name>Girotto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00438584781970436915</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/TKD8r7vBmEI/AAAAAAAABSI/b_tWLMT9YVU/s200/Angelo+Girotto,+por+Humberto+Sales.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6659568764970523042.post-5849138148303577303</id><published>2007-09-28T20:30:00.000-04:00</published><updated>2008-12-09T21:14:42.830-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ronda crônica'/><title type='text'>O chamado</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/Rj6x3aOq3QI/AAAAAAAAAVA/9Wdk9-z2wPs/s320/m%C3%A1quina+de+escrever.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 237px; height: 217px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/Rj6x3aOq3QI/AAAAAAAAAVA/9Wdk9-z2wPs/s320/m%C3%A1quina+de+escrever.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Dudão tinha 19 anos. Mas medindo um metro e meio e tendo – no máximo – 50 quilos, mais parecia ter uns 13, com cara enrugada que nem aos 40. Tinha, porque está morto. De tiro. Ontém. Vizinhos escutaram. A mãe pensa que escutou. Ninguém viu. Alguém por aí ouviu. Afinal, nestas bandas pobres de nossa minúscula metrópole, até os olhos apenas ouvem, nada vêem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tia de Dudão acordou cedo e se arrumou, esperando a reportagem, que não veio. A morte do sobrinho foi apenas anunciada no telejornal, sem qualquer comentário. Virou estatística, no horário do almoço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que mataram Dudão? Hipóteses: ele torcia por algum time de futebol – o que pode ser fatal, hoje em dia; não sendo bom cristão, cobiçou a mulher alheia – por alheia entenda-se &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;propriedade&lt;/span&gt; de alguém; era “cabra-de-peia”; não era “cabra-de-peia”; bebia; estava no lugar e hora errados; estava em algum lugar, por volta de alguma hora; um cronista de quinta o matou, pois sem sua morte aqui teríamos um conto, não uma crônica; etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com efeito, ao morto já nada interessa dos motivos do óbito. Inexistente, sequer nos cabe deixá-lo em paz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O velório processou-se pela tarde. A mãe chorosa – ainda inadaptada ao meio, será novata? - agarrou-se ao caixão, atrasando o cortejo até a cova. Nenhum irmão pude perceber, por acaso existisse. Quando as pazadas de terra começaram a estourar sobre o caixão, a senhora iniciou o berreiro: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Meu filho, quem matou meu filho? Cadê as autoridades que nada fazem, por que vocês não contam quem fez, quem fez isso com meu menino, covardes. Inocente. Por que não me respondem?&lt;/span&gt; O que a coitada não foi capaz de perceber – consumida em seu maternal desespero – é que não haveria nenhuma resposta, porque ela estava só. Os vivos, estávamos todos esperando pela relevação do assassino de Taís Grimaldi, na novela das oito. Por falar nisso, parece que Ivan é filho de Antenor. Tenho que ir, a ficção me chama.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6659568764970523042-5849138148303577303?l=www.angelogirotto.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.angelogirotto.com/feeds/5849138148303577303/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2007/09/um-morto-outro-corpo.html#comment-form' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/5849138148303577303'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/5849138148303577303'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2007/09/um-morto-outro-corpo.html' title='O chamado'/><author><name>Girotto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00438584781970436915</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/TKD8r7vBmEI/AAAAAAAABSI/b_tWLMT9YVU/s200/Angelo+Girotto,+por+Humberto+Sales.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/Rj6x3aOq3QI/AAAAAAAAAVA/9Wdk9-z2wPs/s72-c/m%C3%A1quina+de+escrever.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6659568764970523042.post-9210333196939607612</id><published>2007-09-21T16:37:00.002-04:00</published><updated>2010-07-25T12:52:41.051-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ronda crônica'/><title type='text'>Desterros</title><content type='html'>&lt;a href="http://baixaki.ig.com.br/imagens/wpapers/BXK1688_RioPontegiemNatalRN800.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img alt="" border="0" src="http://baixaki.ig.com.br/imagens/wpapers/BXK1688_RioPontegiemNatalRN800.jpg" style="cursor: pointer; float: right; height: 178px; margin: 0pt 0pt 10px 10px; width: 237px;" /&gt;&lt;/a&gt;Fazia já 10 anos que eu não voltava à minha terra natal, portanto, uma década que me tornei também potiguar. Ao rever o noroeste de Santa Catarina, eu buscava mais por um tempo que por um espaço. Ou melhor, por um ponto preciso no espaço-tempo. Como se antevê, buscava em vão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naqueles sítios modestos dos colonos italianos eu passei uma bela parte de minha infância. Na época, descíamos dos morros em cima de “cascas” dos pés de butiá – parecidos com coqueiros. Aquelas “cascas” eram nossos trenós, nossas jangadas. Com elas, éramos ágeis, rápidos. E felizes. Levava alguns minutos pra subir o morro e apenas segundos pra descê-lo. Mas sequer cogitávamos que não valeria o esforço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A terra dava pouco, mas suficiente, como ocorre por todo canto. Nada de exepcional, contudo, único em minha lembrança. As casas enormes, de madeira, com porão e ampla varanda. O paiol, o cheiro do milho e do estrume dos bois. O frio, o calor do fogão a lenha envolvendo a pele. O gosto do queijo ainda inacabado, pinhão, vinho. O vento nos pés de figo, o silêncio perfeito, no mais. Em todos os sentidos, único.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os imigantes aprenderam nosso idioma (alguns não muito, me lembro), tiveram filhos, netos e bisnetos (cá estou eu). Cultivaram a terra, e até tiveram alguma de sua. Construíram suas casas nos muitos vales e lá viveram com suas famílias. Não é novidade pra nenhum de vocês que aos poucos chegaram as estradas, a eletrecidade, a TV, o asfalto e outras conquistas tecnológicas. Chegou também a hora de se dispersar a família numerosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os bisnetos dos imigrantes foram emigrando pra todos os lados do país, criando novas famílias com outros brasileiros. Os que ficaram, demoraram um pouco mais pra ver de perto o mundo do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Just-in-time&lt;/span&gt;. Mas viram. Foi logo antes de chegar a internet, que os sítios de minha infância conheceram a terraplanagem e a medíocre arquitetura contemporânea.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para meu espanto, quando os reencontrei não existiam mais os morros, nem os pés de butiá. Em seu lugar, uma irredutível planície. As grandes casas e amplas varandas haviam sido transformadas em pequenas peças de alvenaria, “funcionais”, mais pareciam os apartamentos em que nos apinhamos nas metrópoles – &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Mais fácil de limpar&lt;/span&gt;, diriam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada, nem o morro, meus amigos, restou dos sítios de minha infância. Haviam me roubado algo, enquanto estive ausente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Regresso à minha terra Natal. A vista de quem esteve fora olha mais atentamente, creio. Porque não vejo ao regressar, a mesma cidade que vira quando aqui cheguei, dez anos atrás. Natal – ainda pequena – já possui os problemas das grandes cidades. Poluição, trânsito infernal, guerra de torcidas nos estádios. Um mimetismo que – diferente do outro – não visa preservar a vida, e sim degradá-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As juntas ainda estão doridas, da longa viagem de volta. Em minhas mãos, folhas prensadas me contam do Potengi e da revisão do Plano Diretor de nossa capital. E percebo que novamente haviam me roubado algo, enquanto estive ausente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6659568764970523042-9210333196939607612?l=www.angelogirotto.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.angelogirotto.com/feeds/9210333196939607612/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2007/09/desterros.html#comment-form' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/9210333196939607612'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/9210333196939607612'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2007/09/desterros.html' title='Desterros'/><author><name>Girotto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00438584781970436915</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/TKD8r7vBmEI/AAAAAAAABSI/b_tWLMT9YVU/s200/Angelo+Girotto,+por+Humberto+Sales.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6659568764970523042.post-7628215200990307789</id><published>2007-09-16T20:43:00.002-04:00</published><updated>2010-07-25T12:52:48.769-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cinema'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Barry Levinson'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Dustin Hoffman'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='De Niro'/><title type='text'>Mera Coincidência (EUA, 1997)</title><content type='html'>(Wag the Dog)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dirigido por Barry Levinson&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com Dustin Hoffman, Robert De Niro, Anne Heche, Dennis Leary, Willie Nelson, William H. Macy, Woody Harrelson, Kirsten Dunst, Craig T. Nelson.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.canaldaimprensa.com.br/canalant/imagens2/quarent8/mera-coincidencia3.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img alt="" border="0" src="http://www.canaldaimprensa.com.br/canalant/imagens2/quarent8/mera-coincidencia3.jpg" style="cursor: pointer; float: right; height: 151px; margin: 0pt 0pt 10px 10px; width: 229px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Mera Coincidência&lt;/span&gt; foi lançado em 1997, às vésperas da crise que envolveu o então presidente americano Bill Clinton, sua estagiária e seu charuto. Conta a história de um processo eleitoral onde o presidente dos EUA, candidato à reeleição e liderando todas as pesquisas, é envolvido num “meramente coincidente” escândalo. Na tentativa de evitar uma reviravolta no resultado da eleição – que ocorreria dentro de 11 dias – o personagem de De Niro, Sr. Brean, é convocado para entreter a mídia, tirando o incidente presidencial de foco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sr. Brean recruta um produtor de Hollywood chamado Samuel Motss (Dustin Hoffman) para que este “produza” uma guerra, a fim de criar o entretenimento necessário até a eleição. A partir daí, o filme nos mostra como uma guerra fictícia é criada e rapidamente passa a ocupar os noticiários. De forma clara, o filme nos diz o que está acontecendo através do personagem de De Niro, que sobre a guerra que ele inventou, declara &lt;span style="font-style: italic;"&gt;É verdade, eu vi na TV&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa eloquente série de sequências, Levison nos mostra como a guerra fictícia à Albânia vai desencadeando diversas outras ações – que habilidosamente concatenadas – criam um clima de mobilização pra guerra ao desconhecido país do leste. E quando o conflito é encerrado, mesmo nunca tendo existido, rapidamente surge um soldado, que “deixado para trás”, torna-se herói nacional. Ele ganha a alcunha de Sapato Velho, e no outro dia, vê-se nas ruas camisetas com mensagem de apoio ao soldado, manifestações públicas, música e... sapatos velhos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O nascimento e morte de Sapato Velho serve como demonstração da adaptabilidade e engenhosidade da fraude. Através dele, o autor nos mostra que por mais que a situação real fuja do controle, a versão que irá a público através da grande mídia – e portanto, a que será tida como verdadeira – pode sempre ser manipulada e reformulada, a fim de continuar a mesma, servindo aos mesmos interesses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora sim coincidentemente, o filme  traz uma irônica semelhança aos fatos que ocorreriam anos depois. Tendo sido eleito num processo muito questionado, George Bush, o segundo, disputaria a reeleição com baixa popularidade e vindo de um governo com pouca legitimidade. Mas os ataques de 11 de setembro – não aqueles financiados pela CIA no Chile, que na década de 70 assassinou Salvador Allende, mas os de 2001, em solo americano – deram ao desmoralizado Bush o pretexto para uma onda de guerras preventivas, estas com balas, mísseis e mortos de verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As semelhanças entre a guerra do filme e a de Bush vão além do fato de ambas terem elevado a popularidade de presidentes com a reeleição em risco. A mentira esteve presente em ambas. Se na primeira, tudo era mentira, o que ao menos reduz os danos, na segunda, as armas de destruição em massa que serviram de motivo à invasão do Iraque nunca existiram, mas foram amplamente noticiadas por toda a grande imprensa. Na premiação do Oscar, o documentarista Michel Moore disse &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Vivemos na mentira, temos um governo de mentira, que nos levou a uma guerra de mentiras, baseada e justificada por mentiras&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filme foi rodado durante miúdos 29 dias do ano de 1997, num período onde o cinema norte-americano vê – em seu quital – surgir um novo e crítico jeito de fazer filmes. Filmes B ou da Nova Linha do cinema americano, muitos rodados com curtos orçamentos, vêm nos oferecendo um novo panorama do passado e da atualidade. Fazem parte deste novo cinema os precursores filmes de Oliver Stone, obras audaciosas como &lt;span style="font-style: italic;"&gt;A Outra História Americana&lt;/span&gt;, dentre outras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://cinemarto.files.wordpress.com/2007/06/wagthedog.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img alt="" border="0" src="http://cinemarto.files.wordpress.com/2007/06/wagthedog.jpg" style="cursor: pointer; display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 400px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Mera Coincidência&lt;/span&gt; trata de como o poder manipula as informações, de como as verdades que vemos nos tele-jornais são forjadas, ao gosto e interesse daqueles que detêm os meios de divulgá-las. A câmera percorre as cenas como se se tratasse de um documentário, em determinados momentos parecemos estar assistindo ao jornal televisivo. Dessa forma, o diretor vai expondo os métodos e técnicas que tornam verossímeis as notícias, utilizando-os em sua crítica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um momento fantástico do filme se passa durante a gravação de uma música que fala da &lt;span style="font-style: italic;"&gt;defesa de nossas fronteiras&lt;/span&gt; e da necessidade de lutar pra &lt;span style="font-style: italic;"&gt;preservar o sonho americano&lt;/span&gt;. O sentimento nacional e a propaganda ufanista são desmascarados de forma contundente, até dramática, enquanto os cidadãos choram. Bem diferente da visão apresentada num recente filme de Gabriele Muccino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;À Procura da Felicidade&lt;/span&gt; – o filme de que falamos acima – nós podemos ver a história do mito americano por sua própria ótica. A superação do indivíduo, sublimada e reforçada pela miséria das massas. Nele nós vemos o sonho americano justificar a realidade americana. Em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Mera Coincidência&lt;/span&gt; ocorre o oposto. Aqui, é a realidade americana que explica o sonho americano e o seu tão defendido modo de vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mito, o midiático é desnudado pelas lentes do nosso filme. Como o protagonista de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Um Dia de Fúria&lt;/span&gt;, que reclama &lt;span style="font-style: italic;"&gt;um sanduíche igual ao da foto&lt;/span&gt;, nós nos sentimos enganados ao perceber que diariamente somos alimentados de mentiras e empulhações. A realidade – o filme nos conta – não é bem aquela a que assistimos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De forma envolvente, somos ganhos pela trama que ele apresenta. Mas logo percebemos que &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Mera Coincidência&lt;/span&gt; vai bem além da aparência, que sua história possui mais de um nível. Seu maior mérito – e o fato pelo qual tornou-se mais atual após o 11 de setembro – é que ele não se restringe à crítica de um fato, avança e analisa todo um sistema e suas regras. Por isso, seu ponto de vista foi confirmado pela Guerra do Iraque. Não porque a previu, mas porque soube universalizar a crítica, indo muito além das coincidências.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6659568764970523042-7628215200990307789?l=www.angelogirotto.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.angelogirotto.com/feeds/7628215200990307789/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2007/09/mera-coincidncia-eua-1997.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/7628215200990307789'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/7628215200990307789'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2007/09/mera-coincidncia-eua-1997.html' title='Mera Coincidência (EUA, 1997)'/><author><name>Girotto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00438584781970436915</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/TKD8r7vBmEI/AAAAAAAABSI/b_tWLMT9YVU/s200/Angelo+Girotto,+por+Humberto+Sales.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6659568764970523042.post-36820372970608239</id><published>2007-08-29T16:31:00.000-04:00</published><updated>2008-12-09T21:14:42.957-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ronda crônica'/><title type='text'>Um caju no espelho</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/RtXYPkuWz2I/AAAAAAAAAZo/Ivi0ZljnvIA/s1600-h/caju%2Bno%2Bespelho.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 249px; height: 147px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/RtXYPkuWz2I/AAAAAAAAAZo/Ivi0ZljnvIA/s320/caju%2Bno%2Bespelho.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5104223514762071906" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;A propaganda contemporânea joga pesado suas fichas na exploração e até construção de identidades. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Se você também é diferente, deve ter o mesmo carro que eu&lt;/span&gt; é apenas uma das muitas pérolas deste viés da publicidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentro dessa tendência, de tempos em tempos, vemos recrudescer na mídia local o ufanismo regionalista típico dos aculturados. É inegável que nosso estado possui uma expressiva identidade cultural, no entanto, os elementos dessa identidade estão longe da simplória e tacanha representação que tentam nos impingir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A agressividade dessa unicidade simbólica forçada a que somos coagidos torna-se ainda maior se considerarmos a forte influência da televisão na formação da consciência coletiva. Tomando meu estado pelo que assisto, posso dizer que somos um povo exageradamente alegre, que como todo nordestino de comercial, adora sol e vive na praia. Nossa cidade é um fervente e exótico caldeirão cultural, de diversidades e tradição. Toda mulher tem bunda grande (quem dera! quem dera!) e usa pouca roupa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me surpreende como nos últimos tempos as propagandas – governamentais e comerciais – que são voltadas para o público nativo, se assemelham àquelas que se destinam a turistas. Começamos por vender uma imagem fantasiada de nossa pacata cidade. Acabamos por comprar para consumo próprio o pacote de estereótipos que antes vendíamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos poucos, já podemos notar os resultados dessa visão. Nosso comportamento muda – mesmo que lentamente - e acompanha aquele previsto na TV. Não podemos ver um turista que corremos prestar auxílio. Basta sairmos do estado que começamos com aquela cantilena do orgulho que temos das belas praias e do ar mais puro do mundo. Dia chegará em que nos olharemos no espelho e veremos um caju. Mas não um caju qualquer, um caju nascido no maior cajueiro do mundo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6659568764970523042-36820372970608239?l=www.angelogirotto.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.angelogirotto.com/feeds/36820372970608239/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2007/08/um-caju-no-espelho.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/36820372970608239'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/36820372970608239'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2007/08/um-caju-no-espelho.html' title='Um caju no espelho'/><author><name>Girotto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00438584781970436915</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/TKD8r7vBmEI/AAAAAAAABSI/b_tWLMT9YVU/s200/Angelo+Girotto,+por+Humberto+Sales.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/RtXYPkuWz2I/AAAAAAAAAZo/Ivi0ZljnvIA/s72-c/caju%2Bno%2Bespelho.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6659568764970523042.post-7479574902771691321</id><published>2007-05-31T17:35:00.004-04:00</published><updated>2010-07-25T12:54:01.337-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Tim Roth'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cinema'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='tarantino'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Michael Madsen'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Harvey Keitel'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Steve Buscemi'/><title type='text'>Cães de Aluguel (EUA, 1992)</title><content type='html'>Dirigido por Quentin Tarantino&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;  &lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;Com: Harvey Keitel (Mr. White/Larry); Tim Roth (Freddy Newendyke/Mr. &lt;/span&gt;&lt;st1:city&gt;&lt;st1:place&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;Orange&lt;/span&gt;&lt;/st1:place&gt;&lt;/st1:city&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;); Michael Madsen (Vic Vega/Mr. Blonde); Chris Penn (Eddie); Steve Buscemi (Mr. Pink); Lawrence Tierney (Joe Cabot); Kirk Baltz (Marvin Nash); Edward Bunker (Mr. Blue); Quentin Tarantino (Mr. Brown)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/Rl9ANur9E9I/AAAAAAAAAYA/Wb9vXdeuhW8/s1600-h/caes+de+aluguel.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5070842310057333714" src="http://1.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/Rl9ANur9E9I/AAAAAAAAAYA/Wb9vXdeuhW8/s320/caes+de+aluguel.jpg" style="cursor: pointer; display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center;" /&gt;&lt;/a&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Antes mesmo dos personagens aparecerem na tela, a conversa já começou. Os personagens de Tarantino não são exatamente realistas. Estão mais para exemplares. Eles conversam o filme todo. À primeira vista, sua conversa nada tem a ver com o enredo do filme. À segunda também não. Porque Cães de Aluguel não é o filme que conta a história de um assalto. Ele fala de um ambiente, e fala sem parar, como bichos em desenho animado.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Após ter vendido o roteiro de Assassinos por Natureza para que fosse dirigido por Oliver Stone, Tarantino conseguiu apoio pra dirigir seu primeiro filme, que foi este de que falamos. Contou de cara com um elenco de feras. Grandes atores, mas nenhum galã ou mega astro. Muita qualidade com pouca pompa. E assim foi o filme.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Algum tempo após ter visto este filme de 1992 pela primeira vez, um amigo me pediu que eu descrevesse a cena do assalto ao banco. Foi mole. Descrevi cada imagem com riqueza de detalhes. Após a descrição ele me sugeriu que eu assistisse novamente ao filme. E para minha surpresa, ele estava certo. Revendo, eu constatei que não há uma única cena do assalto. Ele não é mostrado em momento algum. Mas quem assistiu a Cães de Aluguel, certamente &lt;b&gt;se lembra&lt;/b&gt; das cenas do assalto com uma veracidade assustadora.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;É que o diálogo é tão primoroso, tão rico em imagens, que parece que vimos àquilo que é narrado. Cada frase do filme nos fixa uma imagem na memória ou nos mergulha no seu ambiente. A cena da tortura – ao som dos anos 70 de Billy – quando Michael Madsen arranca a orelha de um policial é certamente um dos momentos mais fortes do cinema.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Já virou lugar comum apontá-lo como o filme que tem a melhor relação custo x benefício do cinema. Eu não tenho tanta certeza quanto ao topo da lista, mas certamente falamos de um dos filmes mais baratos dentre os grandes já realizados no cinema; uma demonstração maravilhosa de ousadia e inventividade.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Cães de Aluguel é um daqueles filmes a que assistimos e não mais esquecemos. Sua força nos impinge marcas, pois é muito satisfatório ver o surgimento de um gênio e sua obra genial. Assisti-lo é – de certa forma – construir seu sentido, agregar valor. Ele é tão presente em nossa memória quanto as cenas do assalto que nunca vimos, mas conhecemos de cor.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6659568764970523042-7479574902771691321?l=www.angelogirotto.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.angelogirotto.com/feeds/7479574902771691321/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2007/05/ces-de-aluguel-eua-1992.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/7479574902771691321'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/7479574902771691321'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2007/05/ces-de-aluguel-eua-1992.html' title='Cães de Aluguel (EUA, 1992)'/><author><name>Girotto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00438584781970436915</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/TKD8r7vBmEI/AAAAAAAABSI/b_tWLMT9YVU/s200/Angelo+Girotto,+por+Humberto+Sales.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/Rl9ANur9E9I/AAAAAAAAAYA/Wb9vXdeuhW8/s72-c/caes+de+aluguel.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6659568764970523042.post-4830351357912681322</id><published>2007-05-26T16:24:00.004-04:00</published><updated>2010-11-14T21:27:43.066-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sobre política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='venezuela'/><title type='text'>Um povo contra o Deus Mercado</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/RliX7Or9E2I/AAAAAAAAAXI/Vo7gO2bQHE4/s1600-h/venezuela.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5068968424416023394" src="http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/RliX7Or9E2I/AAAAAAAAAXI/Vo7gO2bQHE4/s320/venezuela.jpg" style="cursor: pointer; float: right; height: 208px; margin: 0pt 0pt 10px 10px; width: 227px;" /&gt;&lt;/a&gt;Na virada deste domingo, a Radio Caracas Televisión&lt;i&gt; &lt;/i&gt;– RCTV – sairá do ar, dando lugar à nova TV estatal Televisora Venezolana Social – TEVES. Há gemidos de dor e cólera em grande parte da mídia mundial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Trata-se da não renovação da concessão pública à emissora que participou ativamente da tentativa de golpe ao governo eleito de Hugo Chaves, anos antes. Se a difusão do sinal da RCTV é uma concessão pública com prazo de validade, por que não admitir que tal concessão não seja renovada?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Ocorre que é a própria mídia detentora de concessões que dá seu parecer sobre o assunto. No Brasil, a grande parte das concessões de TV foi feita sob a batuta da Ditadura Militar. Foi nas asas da Ditadura que nasceu e se consolidou a maior emissora do país, a Rede Globo. Ao longo de nossa história recente, a Globo foi pró-ativa em diversos embustes nacionais, como o debate tendencioso que findou na vitória de Collor.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/RliYzur9E6I/AAAAAAAAAXo/cJhQiT1PMaY/s1600-h/hugo+che.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5068969395078632354" src="http://2.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/RliYzur9E6I/AAAAAAAAAXo/cJhQiT1PMaY/s320/hugo+che.jpg" style="cursor: pointer; float: left; height: 178px; margin: 0pt 10px 10px 0pt; width: 120px;" /&gt;&lt;/a&gt;As concessões públicas devem servir ao interesse público, não ao lucro ou aos grandes conglomerados econômicos e midiáticos. Mas em nosso país, ainda longe de uma democracia real, nem se pode falar em revisão das concessões pelo interesse público. Nossa sociedade é refém da grande mídia e dos grandes lóbis econômicos que – por exemplo – impedem judicialmente há anos que a Prefeitura de Natal abra licitação para novas concessões nas linhas de transporte público por ônibus.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Como bem diz o jornalista Mino Carta, o Deus da contemporaneidade não é mais um deus espiritual, religioso. O deus que nosso mundo venera é o Deus Mercado. E por ser Deus, o mercado quer que seu direito ao lucro e à hegemonia da transmissão de informação sejam eternos. Diante do poder econômico, nada podem os governos e as sociedades doutrinadas e submissas ao mercado.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E por mais que isso fira a divindade da mídia vassala, o que existe na Venezuela não é uma ditadura ou um golpe. É um governo popular que governa com o povo. E com a legítima força do povo, está tornando público o que é público por direito.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6659568764970523042-4830351357912681322?l=www.angelogirotto.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.angelogirotto.com/feeds/4830351357912681322/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2007/05/um-povo-contra-o-deus-mercado.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/4830351357912681322'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/4830351357912681322'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2007/05/um-povo-contra-o-deus-mercado.html' title='Um povo contra o Deus Mercado'/><author><name>Girotto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00438584781970436915</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/TKD8r7vBmEI/AAAAAAAABSI/b_tWLMT9YVU/s200/Angelo+Girotto,+por+Humberto+Sales.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/RliX7Or9E2I/AAAAAAAAAXI/Vo7gO2bQHE4/s72-c/venezuela.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6659568764970523042.post-3440762891056301282</id><published>2007-05-22T20:36:00.002-04:00</published><updated>2010-07-25T12:54:39.614-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ronda crônica'/><title type='text'>Gatilhos</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/RlONKur9E0I/AAAAAAAAAW4/wzufIdQo1zQ/s1600-h/idiotas+na+academia.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5067549221192536898" src="http://1.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/RlONKur9E0I/AAAAAAAAAW4/wzufIdQo1zQ/s320/idiotas+na+academia.jpg" style="cursor: pointer; float: right; height: 161px; margin: 0pt 0pt 10px 10px; width: 225px;" /&gt;&lt;/a&gt;Houve um tempo em que o homem era obrigado a realizar grandes deslocamentos atrás de alimentos. Caminhar – portanto – era um hábito mais que usual. Hoje, faz muito que o homem fincou sede, construiu casas, edifícios e criou a Internet. Andar deixou de ser uma necessidade extrema e passou a ser róbi de uns e terapia de outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Em nossa época, mesmo comer já não é uma fatídica imposição. Não que eu acredite que meu amigo Gil realmente se alimente de luz, mas hoje uma alimentação insuficiente pode ter seus impactos minimizados por suplementos e coisas do tipo.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Os homens de hoje saíram das cavernas e desenvolveram elevadores, escadas rolantes e controle remoto. Por isso, a cada dia surge uma academia nova ou mais em algum lugar. Porque se caminhar quilômetros deixou ser uma imposição, movimentar o corpo permanece uma necessidade. E enquanto nossa sociedade despreza os trabalhadores braçais, nossa classe média faz seus esforços em ambientes mais requintados e menos produtivos.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Anoréxicas e exageradamente vaidosas, as madames ingerem pouco alimento e compensam usando a mais atualizada tecnologia farmacológica. Enquanto a comida é um problema estético para uns poucos, sua falta permanece sendo a desgraça de milhões.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/RlONKer9EzI/AAAAAAAAAWw/QPXNjrmGxhk/s1600-h/vagalumes.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5067549216897569586" src="http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/RlONKer9EzI/AAAAAAAAAWw/QPXNjrmGxhk/s320/vagalumes.jpg" style="cursor: pointer; float: right; height: 124px; margin: 0pt 0pt 10px 10px; width: 166px;" /&gt;&lt;/a&gt;Digo isso, enquanto me frustro por não conseguir baixar a íntegra do filme de animação japonês Túmulo dos Vagalumes, que nos conta a história de dois irmãos cuja família foi vítima da guerra e que enfrentam a tormenta da fome e falta de abrigo num Japão devastado pelas bombas que nossa ciência criou.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;O filme é realmente comovente e genial. Preciso apenas de uma URL e dois cliques para baixar a história de uma criança que vê a outra&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/RlONK-r9E1I/AAAAAAAAAXA/YVT-2epKyqU/s1600-h/Grave-of-the-Fireflies_000.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5067549225487504210" src="http://2.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/RlONK-r9E1I/AAAAAAAAAXA/YVT-2epKyqU/s320/Grave-of-the-Fireflies_000.jpg" style="cursor: pointer; float: right; height: 235px; margin: 0pt 0pt 10px 10px; width: 165px;" /&gt;&lt;/a&gt; morrer de fome. Com outra URL e mais dois cliques, terei à frente lazer e distração fáceis para afastar a tristeza que o filme apresenta e esquecer que crianças morrem de fome ainda hoje. A tempo de passar na multinacional do sanduíche, comer um Big Mac e correr pra academia perder umas calorias e ficar saradão para tomar um chope no ambiente alternativo mais próximo.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;É fácil compreender por quê nossa espécie optou por este caminho medíocre: para mudar o mundo é preciso apertar muito mais que teclas.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6659568764970523042-3440762891056301282?l=www.angelogirotto.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.angelogirotto.com/feeds/3440762891056301282/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2007/05/gatilhos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/3440762891056301282'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/3440762891056301282'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2007/05/gatilhos.html' title='Gatilhos'/><author><name>Girotto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00438584781970436915</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/TKD8r7vBmEI/AAAAAAAABSI/b_tWLMT9YVU/s200/Angelo+Girotto,+por+Humberto+Sales.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/RlONKur9E0I/AAAAAAAAAW4/wzufIdQo1zQ/s72-c/idiotas+na+academia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6659568764970523042.post-5379784460087988656</id><published>2007-05-15T23:47:00.001-04:00</published><updated>2010-07-25T12:54:55.216-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ronda crônica'/><title type='text'>Opala branco 73</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Minha obsessão – e o desgosto de minha esposa – é um Opala Branco 1973. Antes de morrer, compro um. Anotem aí. Carro novo e sofisticado é sonho de menino novo. Menino velho sonha com carro velho.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/Rkp_VOr9EyI/AAAAAAAAAWo/EWmdDQ-5V54/s1600-h/opala.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5065000733627978530" src="http://2.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/Rkp_VOr9EyI/AAAAAAAAAWo/EWmdDQ-5V54/s320/opala.jpg" style="cursor: pointer; float: right; height: 242px; margin: 0pt 0pt 10px 10px; width: 210px;" /&gt;&lt;/a&gt;Tenho incontáveis amigos que sonham com Maverick’s, Fuscas e até mesmo um que namora um Fiat 147. De alguma forma, eu na minha lotação e meus amigos – melhor servidos – em seus carros populares, todos nós sonhamos mesmo é com aquele carro velho que nos traz lembranças de coisas que gostaríamos de ter feito.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Meu pai teve um Opala branco 73. Era espaçoso como só ele. Meu irmão e eu brincávamos dentro do Opala como se estivéssemos em um parque de diversões. Hoje, mais velho um pouco, sei de uso mais interessante para o grande espaço do possante branco – em outra companhia, claro!&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Os anos passaram e muitos de nós hoje têm filhos, esposas e responsabilidades de toda ordem. Mas todos nós sonhamos com algum carro velho, onde dirigiríamos nossas vidas livres e senhores de nosso desejo, sem as angústias e aflições de nosso mundo desumano e injusto.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Aos 8 anos eu já era socialista. Mas não sabia disso ainda. Porque na época, minha Cuba era um Opala branco 73.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6659568764970523042-5379784460087988656?l=www.angelogirotto.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.angelogirotto.com/feeds/5379784460087988656/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2007/05/opala-branco-73.html#comment-form' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/5379784460087988656'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/5379784460087988656'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2007/05/opala-branco-73.html' title='Opala branco 73'/><author><name>Girotto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00438584781970436915</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/TKD8r7vBmEI/AAAAAAAABSI/b_tWLMT9YVU/s200/Angelo+Girotto,+por+Humberto+Sales.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/Rkp_VOr9EyI/AAAAAAAAAWo/EWmdDQ-5V54/s72-c/opala.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6659568764970523042.post-13430798939339717</id><published>2007-05-13T23:34:00.002-04:00</published><updated>2010-07-25T12:55:08.756-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ronda crônica'/><title type='text'>Pontes que separam</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/RkfZeKOq3cI/AAAAAAAAAWg/D55eMPziyeQ/s1600-h/m%C3%A1quina+de+escrever.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5064255418166599106" src="http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/RkfZeKOq3cI/AAAAAAAAAWg/D55eMPziyeQ/s320/m%C3%A1quina+de+escrever.jpg" style="cursor: pointer; float: right; margin: 0pt 0pt 10px 10px;" /&gt;&lt;/a&gt;Um extenso plano seqüência parte do rosto marrom de um jovem e se estende por cima de uma multidão. Focaliza um grupo de uma dúzia de outros jovens e abre a imagem, mostrando um estabelecimento comercial ser depredado. Agora, desvia levemente e foca uma pessoa com a cabeça encoberta atirar uma pedra num policial. A câmera avança e mostra um homem correndo com uma criança ao colo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;O cinegrafista captura as imagens do jeito que deseja. Ele sabe em que momento e em que local ocorrerá cada ação. Por isso, sua câmera desliza, nos mostrando exatamente o que se pretendia. Cada passo, pedrada, grito e desespero. O mais ínfimo suspiro e o mais imponderável choro já haviam sido ensaiados exaustivamente.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Há séculos estas cenas vêm sendo escritas e reprisadas e vivenciadas pelos seus atores. Mas não é ficção. E a edição é ao vivo. Estas cenas estão tirando o sono de muita gente. Elas representam – são o símbolo mais atual – do pavor de certos segmentos de nossa sociedade. E causam uma justificada – não justa, percebam – reação.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Meus amigos, muitos de vocês devem ter visto as imagens que descrevi na cobertura recente do episódio ocorrido durante a apresentação dos Racionais na Praça da Sé. Mas alguns lembrarão – talvez com a mesma edição – delas em outros episódios. Isso porque o que aconteceu em São Paulo não é um fenômeno isolado. Porque aquela massa disforme, de pele grossa e manchada não é privilégio paulista. A periferia é uma realidade mundial.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;A grande mídia faz alarde e busca atenção para a grande ameaça que traz consigo a invasão do centro pela juventude da periferia. Eles dizem que esse convívio não pode ser pacífico. E têm razão!&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;A grande massa de nossos jovens foi desprovida de quase tudo. Mesmo a esperança é incomum entre estas pessoas que nasceram em meio à miséria e provavelmente nela morrerão. A cada geração de miseráveis, de destituídos que se forma, mais forte também se forma a convicção de que nada mudará. O jovem vê seus pais e avós que viveram suas vidas sempre à margem. E quando seus filhos nascem, podem lhes prever o mesmo futuro, com raras chances de erro.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;À margem, criaram-se milhões. Milhões que diariamente se apinham em transportes desumanos para enriquecer o centro e à noite voltar à margem, recuperar energia para uma nova jornada de trabalho. Mas acontece que mesmo esse trabalho desumano é negligenciado à juventude das periferias. Ela está acuada e não tem nada a perder.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Mas ainda não perdeu a vontade de viver. E é esta que a leva a agir. Ação desorganizada? Sem propósitos claros? Imediatista, voluntarista e o escambau? Sim! Mas isso é questão de tempo. A experiência que levou muitos jovens a descrerem do convívio pacífico e colorido entre a riqueza e a miséria, a mesma experiência que intensifica os confrontos mais irracionais irá dando sentido e significado à revolta inicialmente sem causa.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Nossas elites já perceberam isso. É por isso que têm medo e a polícia paulista vai fazendo seu papel. Os que já perderam as ilusões, começam agora a perder o medo de cassetete e balas de borracha. Há muito tempo já se disse que o mundo mudaria pelas mãos dos que nada têm a perder, exceto suas correntes. Estes estão mostrando sua cara. Eis, meus queridos, o porquê de todo o pânico e alarde de nossa elite. Eles, antes mesmo de nós, descobriram essa verdade: a miséria não pode conviver pacificamente com a riqueza, e a primeira está maior número.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;A ponte que nos separa – como diz Mano Brown – pode ser uma ponte paulista ou a Ponte do Igapó com seus engarrafamentos diários. Mas o fato irresistível – que as elites já pressentem, mas alguns de nós ainda não aceitam – é que a periferia um dia atravessará a ponte, não mais para gerar riqueza com o aumento de sua miséria, mas para fazer justiça, com os meios que lhe restarem.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Nesse dia, vai ter &lt;span style="font-style: italic;"&gt;playboy&lt;/span&gt; com saudades do tempo em que as massas eram irracionais e a câmera estará em outras mãos. Bocas que hoje não comem, um dia contarão a história. Até lá, vamos juntos, Irmão Marron.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6659568764970523042-13430798939339717?l=www.angelogirotto.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.angelogirotto.com/feeds/13430798939339717/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2007/05/pontes-que-separam.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/13430798939339717'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/13430798939339717'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2007/05/pontes-que-separam.html' title='Pontes que separam'/><author><name>Girotto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00438584781970436915</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/TKD8r7vBmEI/AAAAAAAABSI/b_tWLMT9YVU/s200/Angelo+Girotto,+por+Humberto+Sales.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/RkfZeKOq3cI/AAAAAAAAAWg/D55eMPziyeQ/s72-c/m%C3%A1quina+de+escrever.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6659568764970523042.post-2305753252642362607</id><published>2007-05-11T21:30:00.002-04:00</published><updated>2010-07-25T12:55:14.580-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cinema'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Clive Owen'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Julianne Moore'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Alfonso Cuarón'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Michael Caine'/><title type='text'>Filhos da Esperança (EUA e México, 2006)</title><content type='html'>Diretor: Alfonso Cuarón&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com: Clive Owen, Julianne Moore, Michael Caine, Peter Mullan, Chiwetel Ejiofor, Danny Huston, Pam Ferris, Charlie Hunnam, Oana Pellea, Claire-Hope Ashitey.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/RkUZTqOq3WI/AAAAAAAAAVw/MZJvcvWKTn8/s1600-h/000_Children+1.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5063481181592018274" src="http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/RkUZTqOq3WI/AAAAAAAAAVw/MZJvcvWKTn8/s320/000_Children+1.jpg" style="cursor: pointer; display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center;" /&gt;&lt;/a&gt;Se alguém disser que o filme de 2006 do mexicano Cuarón está longe de ser o seu melhor; que A Tua Mãe Também é sua grande obra; que Filhos da Esperança é um filme clichê, não estará de todo errado. Mesmo assim, o filme me impressiona com uma força rara dentre os filmes desta década.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começarei pelos defeitos do filme, assim posso concluir com suas virtudes. O roteiro – confirmando o que tem dito a crítica – é falho e apela a demasiados lugares comuns. A tipificação messiânica construída lá pelo final do filme é forçada e de mau gosto. O drama da disputa interna de uma facção política é fraco, apelativo e mal desenvolvido. Os personagens em alguns momentos são exageradamente caricaturizados, principalmente o caricaturista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A principal falha do filme – no entanto - é a abordagem rasa que faz de um enredo que prometia muito, ou ao menos dava muitas possibilidades. Um mundo onde as taxas de fertilidade caíram a zero e a humanidade espera seu fim certo, poderia trazer análises e conclusões mais profundas e interessantes.  Enfim – encerrando a crítica negativa – é um desperdício o que fizeram com um tema tão interessante, que foi transformado num clichezão de doer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por quê – então – resolvi incluir Filhos da Esperança no &lt;a href="http://angelogirotto.blogspot.com/2007/04/52-grandes-filmes.html"&gt;rol dos filmes mais marcantes de minha vida&lt;/a&gt;, diante de tamanhos defeitos? Porque ele é um filme fantástico visualmente e em sua dubiedade, é corajoso. Corajoso porque expõe sua crítica à guerra com clareza e veemência, como poucos no ramo da ficção ousam. Mas é covarde, na medida em que utiliza dos mesmos já batidos métodos de Hollywood para ganhar a simpatia do telespectador à sua causa.&lt;br /&gt;Contudo, este filme é lindo. Sua fotografia é inspiradora e em determinados momentos intrigante e comovente. Seus tons de azul futurista, com câmera portátil e longos planos-seqüência transformam o filme numa visão forte de futuro com aspectos de documentário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além da fotografia, pode-se destacar a atuação de Clive Owen. Mesmo não estando tão bem quanto em Closer – perto demais, ele repete suas atuações constantes e de qualidade, se consolidando como um grande ator do gênero.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/RkUZT6Oq3XI/AAAAAAAAAV4/p04bFBPzTqQ/s1600-h/childrenofmen1.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5063481185886985586" src="http://1.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/RkUZT6Oq3XI/AAAAAAAAAV4/p04bFBPzTqQ/s320/childrenofmen1.jpg" style="cursor: pointer; display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center;" /&gt;&lt;/a&gt;Filhos da Esperança é um filme lindo, de imagens belíssimas e que vale a pena ser visto pela fotografia formidável e a força do tema, ainda que mal explorado. Há um momento no filme onde um personagem é perguntado sobre o motivo de preservar obras de arte se dentro de algumas décadas não haveria mais ninguém para vê-las. Ele responde que simplesmente não pensa mais nisso. Essa é a imagem amplificada da escolha que fazemos constantemente. Apegando-nos a religiões ou simplesmente evitando pensar na morte, todos seguimos o caminho escolhido pelo personagem: manter a esperança e a humanidade, mesmo diante da certeza da finitude.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6659568764970523042-2305753252642362607?l=www.angelogirotto.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.angelogirotto.com/feeds/2305753252642362607/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2007/05/filhos-da-esperana-eua-e-mxico-2006.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/2305753252642362607'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/2305753252642362607'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2007/05/filhos-da-esperana-eua-e-mxico-2006.html' title='Filhos da Esperança (EUA e México, 2006)'/><author><name>Girotto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00438584781970436915</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/TKD8r7vBmEI/AAAAAAAABSI/b_tWLMT9YVU/s200/Angelo+Girotto,+por+Humberto+Sales.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/RkUZTqOq3WI/AAAAAAAAAVw/MZJvcvWKTn8/s72-c/000_Children+1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6659568764970523042.post-510773340864452785</id><published>2007-05-09T22:20:00.002-04:00</published><updated>2010-11-14T21:28:03.706-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sobre política'/><title type='text'>Cuidado, o papa não usa camisinha</title><content type='html'>Na semana em que um porta-voz da CNBB – Confederação Nacional dos Bispos do Brasil – comparou as mulheres que “ficam” com prostitutas, chega a São Paulo o papa Bento XVI.  &lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/RkKDSaOq3TI/AAAAAAAAAVY/_MiuviicE50/s1600-h/camisinha.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5062753283419594034" src="http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/RkKDSaOq3TI/AAAAAAAAAVY/_MiuviicE50/s320/camisinha.jpg" style="cursor: pointer; float: right; margin: 0pt 0pt 10px 10px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/RkKC06Oq3RI/AAAAAAAAAVI/gPHevqGZ7cI/s1600-h/papa-Bento-XVI.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5062752776613453074" src="http://2.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/RkKC06Oq3RI/AAAAAAAAAVI/gPHevqGZ7cI/s320/papa-Bento-XVI.jpg" style="cursor: pointer; float: right; margin: 0pt 0pt 10px 10px;" /&gt;&lt;/a&gt;Da declaração, o que mais me atentou foi que o representante da igreja ao concluir que &lt;b&gt;as jovens que ficam&lt;/b&gt; seriam prostitutas, não dedicou &lt;b&gt;aos jovens&lt;/b&gt; a mesma agressividade. O machismo secular da Igreja se evidencia nesse discreto detalhe: “ficar” é indecente para as mulheres, que se comportariam como objetos substituíveis. A Igreja – que bem sabemos não desconhece os prazeres da carne – dissimula e obscurece o prazer, sobretudo o feminino.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Sob a cantilena de “orientação moral”, a cúria romana tem contribuído nas últimas décadas para a disseminação do HIV no continente africano. O continente sofre com os mais altos índices de contaminação do mundo, enquanto a Igreja proíbe seus fiéis de usar preservativos.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Na sua atual jornada obscurantista e conservadora, o ex-membro da juventude hitlerista Joseph Ratzinger tem se dedicado a influenciar o debate acerca do direito ao aborto no Brasil. O direito ao aborto tem sido debatido em diversas nações e já é adotado em boa quantidade de países. O estado laico do Brasil não pode submeter o conjunto da sociedade aos dogmas e preceitos de uma única religião, como bem diz o ministro da saúde Gomes Temporão.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Acredito que invés de a Igreja constranger o estado brasileiro nas questões que ao nosso povo cabe decidir, esteja na hora de se rediscutir o alcance da autoridade e as regalias dadas pelo estado à Igreja. Me parece - por exemplo - indecente o estado reprimir os ambulantes que vendem certificados da visita do Papa em São Paulo porque estes não pagam impostos. Principalmente, sendo o mesmo estado que dá proteção ao chefe da organização que por séculos vendeu indulgências que não salvaram ninguém, mentiras que levaram milhares à fogueira da Santa Inquisição e que hoje vendem “orientações morais” que custam a vida todo um continente – como é o caso da África – e que mantêm a milenar escravidão do sexo feminino, negando-lhe o prazer e o direito de preservar-se. Aliás, dá proteção e isenção fiscal. Talvez esteja mesmo é na hora da Igreja pagar imposto  e do camelô ter proteção. Só pra variar. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6659568764970523042-510773340864452785?l=www.angelogirotto.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.angelogirotto.com/feeds/510773340864452785/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2007/05/cuidado-o-papa-no-usa-camisinha.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/510773340864452785'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/510773340864452785'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2007/05/cuidado-o-papa-no-usa-camisinha.html' title='Cuidado, o papa não usa camisinha'/><author><name>Girotto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00438584781970436915</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/TKD8r7vBmEI/AAAAAAAABSI/b_tWLMT9YVU/s200/Angelo+Girotto,+por+Humberto+Sales.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/RkKDSaOq3TI/AAAAAAAAAVY/_MiuviicE50/s72-c/camisinha.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6659568764970523042.post-7458540635895077767</id><published>2007-05-04T18:02:00.003-04:00</published><updated>2010-07-25T12:59:05.676-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='convidados'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nelson Rodrigues'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='futebol'/><title type='text'>À Sombra das Chuteiras Imortais* - 30/5/1966</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/RjuvH6Oq3DI/AAAAAAAAATY/_mU-13WNR7w/s1600-h/Nelson+Rodrigues.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5060831156705614898" src="http://3.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/RjuvH6Oq3DI/AAAAAAAAATY/_mU-13WNR7w/s320/Nelson+Rodrigues.jpg" style="cursor: pointer; float: right; margin: 0pt 0pt 10px 10px;" /&gt;&lt;/a&gt;Amigos, se me perguntarem qual o maior defeito do futebol brasileiro, eu direi: -- a delicadeza, e reforço: --a extrema delicadeza. De fato, não há na Terra um craque que tenha a polidez do nosso. O brasileiro é um tímido, um contido, um cerimonioso. Foi assim em 58, foi assim em 62. Nas duas Copas os adversários já entraram de navalha na liga.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Ao passo que, até o &lt;i&gt;foul&lt;/i&gt;, o escrete verde-amarelo era de uma suavidade impressionante. Vejamos em 58. o jogo Suécia x Alemanha foi uma carnificina. Eu estava vendo a hora em que os adversários iam arrancar a carótida uns dos outros para chupá-la como tangerina. Foram 90 minutos de uma ferocidade recíproca e homicida.valeu tudo, rigorosamente tudo.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;Pois o Brasil não fez um único e escasso vexame. Era de pena a correção de nossos rapazes. Jogavam na bola e só na bola. Jamais o mundo vira um escrete tão doce e de uma inocência quase suicida. Um sociólogo que lá estivesse havia de fazer a constatação apiedada: -- “o escrúpulo é próprio do subdesenvolvimento”.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;O escrúpulo e mais: -- a humildade, a lealdade e o altruísmo. No jogo Brasil x França, comportou-se como um larápio. Não houve em toda história da Copa, um roubo mais cristalino e cínico. Tivemos que fazer três gols para que valesse um. E o escrete brasileiro nem piscou. Deixou-se furtar e só faltou beijar a testa do ladrão.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;O pior vocês não sabem. Até 58 o Brasil fazia de si a pior das imagens. Sim, o brasileiro se considerava um facínora. E, no Maracanã, quando um de nós ousa um &lt;i&gt;foul&lt;/i&gt; mais violento, o estádio vem abaixo. Por toda parte há quem esbraveje: “Cavalo! Cavalo!”. Mas é uma injustiça. Muito mais brutal do que o nosso é o futebol da Inglaterra, da Alemanha, da França, da Itália, da Bulgária.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;O meu amigo Antônio Callado viu, certa vez, um jogo Inglaterra x Escócia. Foi um pau só, do primeiro ao último minuto. E, súbito, explode um sururu. Brigaram os 22 jogadores, o juiz, os bandeirinhas, as torcidas. A polícia montada teve de invadir o campo. No Brasil, o sururu é tão antigo, tão obsoleto quanto um quepe da Guerra do Paraguai. E, quando um de nós dá um tapa, as manchetes tramem e há uma comoção nacional.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;A doçura, a cerimônia, a timidez do nosso futebol são defeitos gravíssimos. Um jogador brasileiro tem vergonha de pisar na cara de um adversário caído. O europeu não. O europeu não recua diante de nada. Vocês lembram do jogo Brasil x Alemanha aqui no Maracanã. Foi uma partida medíocre, mas que teve um lance de epopéia.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Refiro-me à bola dividida entre Pelé e um alemão. Este não recuou, nem o brasileiro. E o dilema criado para ambos fi o seguinte: --matar o morrer. O alemão preferiu matar e Pelé não quis morrer.o nosso levou vantagem pelo seguinte: -- porque introduziu no choque a molecagem brasileira. Conclusão: -- Pelé sobreviveu e o germânico saiu de maca.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;A imprensa teve a reação própria do subdesenvolvido: -- condenou Pelé. Se a coisa fosse na Alemanha, e a vítima Pelé, o cronista de lá ia considerar a fratura um fato normal e intranscendente. Amigos, na Europa o &lt;i&gt;foul&lt;/i&gt; praticamente não existe. O juiz só costuma apitar quando um adversário estripa o outro.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E não há dúvida de que, por uma tendência natural e por se tratar de um tri, vão caçar os brasileiros a pauladas. Outrora, o brasileiro babava de inveja e deslumbramento só de ouvir falar no Inglês. Mas a verdade é bem diferente. Hoje sabemos que o único inglês da vida real é o brasileiro. Sim, qualquer favelado nosso, desdentado e negro, é um monstro de boas maneiras.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-style: italic;"&gt;*Crônica de futebol escrita por Nelson Rodrigues e publicada originalmente na coluna À Sombra das Chuteiras Imortais, n'O Globo do dia 30 de maio de 1966.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6659568764970523042-7458540635895077767?l=www.angelogirotto.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.angelogirotto.com/feeds/7458540635895077767/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2007/05/queridos-amigos-devido-uma-enxurrada-de.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/7458540635895077767'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/7458540635895077767'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2007/05/queridos-amigos-devido-uma-enxurrada-de.html' title='À Sombra das Chuteiras Imortais* - 30/5/1966'/><author><name>Girotto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00438584781970436915</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/TKD8r7vBmEI/AAAAAAAABSI/b_tWLMT9YVU/s200/Angelo+Girotto,+por+Humberto+Sales.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/RjuvH6Oq3DI/AAAAAAAAATY/_mU-13WNR7w/s72-c/Nelson+Rodrigues.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6659568764970523042.post-6547773086643053198</id><published>2007-05-04T00:50:00.002-04:00</published><updated>2010-07-25T12:58:48.207-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poema'/><title type='text'>Pedras contra a noite</title><content type='html'>&lt;div style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%; line-height: 150%;"&gt;O nevoeiro baixa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%; line-height: 150%;"&gt;Aves formam cortejo&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%; line-height: 150%;"&gt;e dispersam.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%; line-height: 150%;"&gt;A estrela da tarde paira no céu cinzento,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%; line-height: 150%;"&gt;lívida rapta as últimas ondas de calor humano.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%; line-height: 150%;"&gt;Anjos cantam, porém de tão altos não se os ouve.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%; line-height: 150%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%; line-height: 150%;"&gt;Esse adeus brutal,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%; line-height: 150%;"&gt;sem acenos,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%; line-height: 150%;"&gt;apenas de olhares;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%; line-height: 150%;"&gt;esse adeus reprimido.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%; line-height: 150%;"&gt;O gesto violento,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%; line-height: 150%;"&gt;a partida,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%; line-height: 150%;"&gt;interrompe os passos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%; line-height: 150%;"&gt;Mas passos ecoam.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%; line-height: 150%;"&gt;Herdaremos todo esses ódio.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%; line-height: 150%;"&gt;Um ódio de adeuses bruscos;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%; line-height: 150%;"&gt;de mãos que não acenam, contidas pelo silêncio;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%; line-height: 150%;"&gt;de olhos que terão tarde seu pranto.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%; line-height: 150%;"&gt;Herdaremos a compaixão, também.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%; line-height: 150%;"&gt;A compaixão a cada ódio,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%; line-height: 150%;"&gt;identificando-nos com mãos que se despeçam estáticas;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%; line-height: 150%;"&gt;com cada riso disfarçando lágrimas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%; line-height: 150%;"&gt;E da violência nascerão as carícias&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%; line-height: 150%;"&gt;como o beijo que vinga a braçada.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%; line-height: 150%;"&gt;Braços e corpos entre pais e filhos,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%; line-height: 150%;"&gt;entre os amantes.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%; line-height: 150%;"&gt;A estrela nos braços registra&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%; line-height: 150%;"&gt;pegadas que sequer vimos;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%; line-height: 150%;"&gt;brilha, pois é demasiada a noite.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%; line-height: 150%;"&gt;Rebentam os soluços, as faces.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%; line-height: 150%;"&gt;As águas se tingem de sangue.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%; line-height: 150%;"&gt;O drama da vida: tragédia, morte.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%; line-height: 150%;"&gt;Uma manhã ameaça surgir.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%; line-height: 150%;"&gt;Rebelam-se os meninos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%; line-height: 150%;"&gt;As rosas que trazem na mão&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%; line-height: 150%;"&gt;também matam.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%; line-height: 150%;"&gt;E rebentam os peitos, os urros.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%; line-height: 150%;"&gt;E a noite amanhece&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%; line-height: 150%;"&gt;enquanto a tarde,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%; line-height: 150%;"&gt;que não se põe,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%; line-height: 150%;"&gt;demonstra-se eterna.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%; line-height: 150%;"&gt;Os meninos, que se fez deles?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%; line-height: 150%;"&gt;São água e borbulham.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%; line-height: 150%;"&gt;São faces de anjo envelhecidas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%; line-height: 150%;"&gt;e gritam, estremecem.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%; line-height: 150%;"&gt;E cadê a estrela?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%; line-height: 150%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%; line-height: 150%;"&gt;Já arde em outros solos&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%; line-height: 150%;"&gt;e castiga, flagela, mata.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%; line-height: 150%;"&gt;Não cresceram os meninos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%; line-height: 150%;"&gt;Mas ah, que dor, a dor é a mesma.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%; line-height: 150%;"&gt;E os meninos são os mesmos,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%; line-height: 150%;"&gt;o sabe a estrela&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%; line-height: 150%;"&gt;em seu semblante novo:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%; line-height: 150%;"&gt;alvo de baladeira – as baladeiras da Intifada.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%; line-height: 150%;"&gt;O grito de séculos,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%; line-height: 150%;"&gt;de antes da vala comum,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%; line-height: 150%;"&gt;da fogueira, ecoa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%; line-height: 150%;"&gt;E soam apenas gritos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%; line-height: 150%;"&gt;É apenas a mesma dor.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%; line-height: 150%;"&gt;O mesmo ódio&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%; line-height: 150%;"&gt;que depõe suas armas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%; line-height: 150%;"&gt;pra chorar a nova estação.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%; line-height: 150%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%; line-height: 150%;"&gt;Não se vê o nevoeiro.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%; line-height: 150%;"&gt;Muito abaixo rios e mais rios correm avermelhando-se.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%; line-height: 150%;"&gt;Perde-se pelo abismo do crepúsculo&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%; line-height: 150%;"&gt;o cortejo pássaro.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%; line-height: 150%;"&gt;E o Sol, complacente,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%; line-height: 150%;"&gt;se deixa esconder pela ciranda do mundo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6659568764970523042-6547773086643053198?l=www.angelogirotto.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.angelogirotto.com/feeds/6547773086643053198/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2007/05/pedras-contra-noite.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/6547773086643053198'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/6547773086643053198'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2007/05/pedras-contra-noite.html' title='Pedras contra a noite'/><author><name>Girotto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00438584781970436915</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/TKD8r7vBmEI/AAAAAAAABSI/b_tWLMT9YVU/s200/Angelo+Girotto,+por+Humberto+Sales.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6659568764970523042.post-1835545257602376526</id><published>2007-05-04T00:48:00.003-04:00</published><updated>2010-07-25T12:58:37.829-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poema'/><title type='text'>A esperança (como um copo com uísque)</title><content type='html'>&lt;span style="font-size: 100%;"&gt;Vem-me a coisa.&lt;br /&gt;Que coisa bela.&lt;br /&gt;Vejo que a amo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 100%;"&gt;Vou-me à coisa.&lt;br /&gt;Ganho o abraço,&lt;br /&gt;as mãos me afastam.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 100%;"&gt;Penso na coisa,&lt;br /&gt;já não posso parar.&lt;br /&gt;Rendo-me.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 100%;"&gt;Nega-se a mim&lt;br /&gt;a bela e vil coisa.&lt;br /&gt;Decido não retornar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 100%;"&gt;Amo a coisa.&lt;br /&gt;Esqueço da coisa.&lt;br /&gt;Não quero voltar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 100%;"&gt;Sussurra a coisa.&lt;br /&gt;Sinto-a me chamando.&lt;br /&gt;Já posso voltar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 100%;"&gt;- Como és bela.&lt;br /&gt;Espera-me amor,&lt;br /&gt;não tardo a chegar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 100%;"&gt;Eu e a coisa.&lt;br /&gt;Enfim sós.&lt;br /&gt;Já volto a sonhar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 100%;"&gt;Entrego-me.&lt;br /&gt;Ganho o abraço&lt;br /&gt;e as mãos me repelem.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 100%;"&gt;- Mas não tinhas&lt;br /&gt;a mim chamado?&lt;br /&gt;Por isso que vim.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 100%;"&gt;- Tinha. Mas não cobres&lt;br /&gt;nada de mim.&lt;br /&gt;Se voltaste, és meu.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6659568764970523042-1835545257602376526?l=www.angelogirotto.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.angelogirotto.com/feeds/1835545257602376526/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2007/05/esperana-como-um-copo-com-usque.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/1835545257602376526'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/1835545257602376526'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2007/05/esperana-como-um-copo-com-usque.html' title='A esperança (como um copo com uísque)'/><author><name>Girotto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00438584781970436915</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/TKD8r7vBmEI/AAAAAAAABSI/b_tWLMT9YVU/s200/Angelo+Girotto,+por+Humberto+Sales.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6659568764970523042.post-3678268171102172618</id><published>2007-05-04T00:48:00.001-04:00</published><updated>2007-05-06T23:54:36.882-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poema'/><title type='text'>Soneto de Reencontro</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 90.9pt 0.0001pt 72pt; line-height: 150%; text-align: left;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:78%;" &gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 90.9pt 0.0001pt 72pt; line-height: 150%; text-align: left;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:78%;" &gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-family:Arial;font-size:100%;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;p style="text-align: center;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Para minha amada Tati&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;“De repente do riso fez-se o pranto.”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;(Vinícius de Morais, em Soneto de Separação)&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Do gotejar do pranto fez-se a batucada&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;ao ver-me novamente em tua companhia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;E das mágoas perpétuas fez a melodia&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;reviver em frouxos risos a dor passada.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Vejo dos cachos que te fiz na despedida&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;ondas contarem, um a um, os medos da amada,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;e teus olhos sugarem a paixão guardada,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;gota a gota, de minha esperança ferida.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Sei que nos encontros há os ventos da partida;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;que a hora de te ires à noite será chegada,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;trará consigo o aroma da flor mais sofrida&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;e com a sangria de meus olhos já findada&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;restará desse instante a esperança destruída&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;e o gosto de teu beijo em meus versos, mais nada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6659568764970523042-3678268171102172618?l=www.angelogirotto.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.angelogirotto.com/feeds/3678268171102172618/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2007/05/soneto-de-reencontro.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/3678268171102172618'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/3678268171102172618'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2007/05/soneto-de-reencontro.html' title='Soneto de Reencontro'/><author><name>Girotto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00438584781970436915</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/TKD8r7vBmEI/AAAAAAAABSI/b_tWLMT9YVU/s200/Angelo+Girotto,+por+Humberto+Sales.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6659568764970523042.post-5530739732868352154</id><published>2007-05-04T00:43:00.002-04:00</published><updated>2010-07-25T12:58:13.415-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poema'/><title type='text'>Do amor? – a quimera!</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;Tateio um amor&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;sem que possa tê-lo.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Um desses que é roubado.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Um amor inusitado,&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;todo desmantelo.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Que venha com um tanto de dor,&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;pois sem, como tê-lo?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Se amor for, dos verdadeiros,&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;terá, de certo, mil devaneios,&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;pois sem, como sê-lo?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Mesmo que chores, implores,&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;serias tu meu amor almejado!&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;contanto que não queiras cobrar&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;o que do amor é de esperar – &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;pra que sejas meu amor desejado!&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E, se a vida do amante colore&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;fiques tu, pode, com a aquarela.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Pois que pra mim, o homem que implora&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;um amor que tanto ri, por vezes chora&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;basta-me ter do amor a quimera.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6659568764970523042-5530739732868352154?l=www.angelogirotto.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.angelogirotto.com/feeds/5530739732868352154/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2007/05/do-amor-quimera.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/5530739732868352154'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/5530739732868352154'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2007/05/do-amor-quimera.html' title='Do amor? – a quimera!'/><author><name>Girotto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00438584781970436915</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/TKD8r7vBmEI/AAAAAAAABSI/b_tWLMT9YVU/s200/Angelo+Girotto,+por+Humberto+Sales.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6659568764970523042.post-6609361035382822646</id><published>2007-05-04T00:41:00.001-04:00</published><updated>2010-07-25T13:00:04.985-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poema'/><title type='text'>Os anos e depois as horas</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;Há entre nós as horas... os anos...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Os planos que choras hoje são pó.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Sempre os amores, e as dores, sempre...&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;O vento apanhou em ruínas&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;aquele frágil castelo,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;varreu-o, ágil, das cinzas&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;no sempre mesmo anelo&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;de amanhecer em brisa&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;roçando os cabelos&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;e sumir em revoada&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;sem que possamos vê-lo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Varreu a frágil morada&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;de sua alegria finada&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;deixando nu o escombro&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;como o vôo triste do pombo&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;rumo à noite atormentada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Partiu e deixou o assombro&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;do casarão e seus fantasmas,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;de frontes pálidas e pasmas,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;com a rapidez de seu canto;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;com o trinado de seu assobio&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;no arruinado casarão frio&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;onde ruiu mesmo o espanto.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;O curso da tristeza será tanto&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;que por quanto houver beleza&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;haverá pranto, e a correnteza&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;seguirá curando as ruínas pálidas&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;de secas lágrimas e desencantos.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Há entre os dias a esperança nascente&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;- demente criança - que à música rodopia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Sempre o querer, sem ter, sempre...&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;O palácio triste sonhara.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E do auge de sua quimera&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;o pétreo peito se apaixonara&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;pelos sons da primavera.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;De toda sua paixão quisera&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;ter em si bom compositor&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;pra que as flores voltassem à terra&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;onde em sua tristeza se fundou.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E perdidamente perdidamente amou.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Fez com pássaros melodia&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;pros dias com que sonhou.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Ardeu-se todo em nostalgia,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;e o fogo, lento, o consumiu;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;de suspiros em notas ruiu,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;e quedado ainda quis amar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Tanto do que recordar&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;e tudo que fora, um dia,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;e o que vivera a de esperar;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;tudo que não mais podia,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;um canto que longe se ouvia,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;um mundo sempre a lhe escapar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E quando o canto cessou&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;as ruínas podiam escutar&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;o gemido e a música que restou.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Sempre, entre o fim e as sombras&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;as pombas assim como quem rompe o ventre.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;A cada instante renascer, e viver em alvorada constante.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Um parco canta basta,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;na sua claridade imensa,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;pra findar a dor nefasta&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;inaugurando a lua intensa&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;na qual a luz compensa&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;a ausência árdua do dia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;A viola e um pouco de crença&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;tornam doce toda melodia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E a ruína pobre poderia&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;ter também a rara felicidade&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;por sua não andança.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Seu sorriso de claridade,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;mesmo todo esperança;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;suas mãos aveludadas,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;mesmo todas de concreto;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;sua paz já alcançada,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;mesmo sendo frágil teto,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;poderiam então partir&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;iluminando o porvir&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;e brotando a flor no campo:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;sendo seu amor tanto,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;sempre haverá primavera&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;no seco lugar do pranto&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;quando o choro alegre regar a terra.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Há entre as partidas os acenos e os prantos,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;tantos e pequenos gritos e despedidas...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Um querer ficar, e um ficar a morrer...&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E o homem que fez-se fortaleza&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;pra viver a paz de seu deserto&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;tornou-se belo de tristeza.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Já não mais havia por perto&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;um ramo - todos murcharam;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;um pássaro - todos voaram.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E o tempo como águas calmas&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;no inalcançável arenoso&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;escorreu-lhe sobre as palmas&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;num fugir lento e penoso.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;A areia se embebendo&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;e a juventude escorrendo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Tudo no riacho passou:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;de quem viveu, a morte;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;os sonhos de quem sonhou.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Não se vê mais o forte.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;O sustinha a paixão&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;que partiu com o vento, qual ilusão.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Cada lágrima derramada,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;bem como a paixão vivida,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;retornam pela madrugada&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;na terralembrança florida.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Soube que a vida, em revoada,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;parte, restando-nos a jornada.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Há, sobretudo, a beleza que existe&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;e resiste na correnteza que leva tudo...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Um sumir na cruz, e na luz confundir-se...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6659568764970523042-6609361035382822646?l=www.angelogirotto.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.angelogirotto.com/feeds/6609361035382822646/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2007/05/os-anos-e-depois-as-horas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/6609361035382822646'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6659568764970523042/posts/default/6609361035382822646'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2007/05/os-anos-e-depois-as-horas.html' title='Os anos e depois as horas'/><author><name>Girotto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00438584781970436915</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/TKD8r7vBmEI/AAAAAAAABSI/b_tWLMT9YVU/s200/Angelo+Girotto,+por+Humberto+Sales.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6659568764970523042.post-2796452383061969594</id><published>2007-05-03T16:56:00.002-04:00</published><updated>2010-05-09T20:55:14.040-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ronda crônica'/><title type='text'>Seu corpo é pirateado?</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/RgdUVPbiZ5I/AAAAAAAAAK0/kWGhWMYpO3g/s1600-h/genoma+humano.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5046094631387948946" src="http://4.bp.blogspot.com/_fbWbVGjLuew/RgdUVPbiZ5I/AAAAAAAAAK0/kWGhWMYpO3g/s320/genoma+humano.jpg" style="cursor: pointer; float: left; margin: 0pt 10px 10px 0pt;" /&gt;&lt;/a&gt;Calma, ainda não chegamos lá. Mas quem sabe em breve. Sabemos que hoje 4.382 dos 23.688 genes humanos conhecidos já são propriedade intelectual de laboratórios e centros de pesquisa privados e governamentais. Não se trata ainda do direito exclusivo ao uso dos genes com os quais nascemos e aos quais cabe a estruturação do corpo humano. Segundo a Scientific American (&lt;a href="http://www2.uol.com.br/sciam/conteudo/materia/materia_92.html"&gt;leia aqui a matéria sobre patentes de genes na Sciam&lt;/a&gt;) o detentor de tais patentes “na verdade, não possui os direitos sobre o gene do receptor de histamina no corpo de cada um de nós, mas sim de uma forma dele ‘isolada e purificada’”, por exemplo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fim das contas o que ocorre é que a utilização de seqüências genéticas patenteadas e do uso de suas variáveis manipuladas por ação humana são exclusivas dos proprietários de suas patentes. O avanço da política de patentes de genes e seres vivos é preocupante, não só ponto de vista científico como também filosófico, no sentido prático da palavra. O direito sobre a vida não é meramente uma questão formal circunscrita aos tribunais, é um preocupante dilema para a humanidade. As pesquisas com célula tronco avançam e sobretudo acerca de seu uso medicinal. Quantos morreram enquanto os laboratórios disputam as patentes de seus possíveis e depois limitem a distribuição de tecnologia visando os estratosféricos lucros que se anunciam? Muito provavelmente a humanidade encontrará em alguns anos a cura para a AIDS e outros males até então irremediáveis, a pergunta que fica é se a mesma humanidade conseguirá fazer com que os avanços científicos se distribuam a tempo de evitar a dizimação do povo africano.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6659568764970523042-2796452383061969594?l=www.angelogirotto.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.angelogirotto.com/feeds/2796452383061969594/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.angelogirotto.com/2007/05/seu-co
